Tag: saúde mental infância

  • Saúde mental começa na infância: Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado desde cedo

    Saúde mental começa na infância: Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado desde cedo

    O mês de setembro que dá visibilidade à prevenção do suicídio também abre a oportunidade para reforçar que o cuidado emocional deve estar presente em todas as fases da vida, mas é na infância que ele se torna um investimento para o futuro. É nesse começo de vida que se formam as bases emocionais que acompanharão cada criança até a fase adulta.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada sete crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. No Brasil, cerca de 30% dos adolescentes relataram sentir tristeza frequente ou perda de interesse nas atividades do dia a dia, segundo pesquisa publicada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2023. O dado acende um alerta: falar sobre saúde mental precisa começar cedo, ainda na infância, período que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), vai do nascimento até os 12 anos incompletos.

    Promover ambientes acolhedores, incentivar o brincar, oferecer escuta e respeitar o tempo de cada criança são medidas que podem parecer simples, mas que fazem diferença na construção de trajetórias mais equilibradas.

    A infância pressionada

    No cotidiano de muitas famílias, a pressa em amadurecer impõe um peso extra aos mais jovens. A chamada adultização, quando crianças e adolescentes assumem responsabilidades, comportamentos ou pressões que não correspondem à sua idade. 

    Esse fenômeno pode se manifestar em diferentes contextos: desde a exigência de desempenho escolar sem espaço para o lazer, até situações familiares em que a criança é levada a assumir papéis de cuidado que deveriam caber a um adulto. Cada detalhe retira um pedaço da infância e abre espaço para a vulnerabilidade emocional.

    Essa sobrecarga pode interferir na formação emocional das crianças e favorecer o surgimento de ansiedade e estresse ainda na infância. Muitas vezes, sinais importantes acabam sendo vistos apenas como “fases”, o que atrasa o cuidado necessário. Garantir o direito de brincar, conviver e aprender em ambientes saudáveis é parte essencial da promoção da saúde mental desde cedo.

    Uma responsabilidade de todos

    Falar de saúde mental desde cedo é também falar de pertencimento. A escuta atenta, simples, mas genuína, tem o poder de transformar trajetórias. Para isso, é fundamental fortalecer a rede de apoio, garantindo que crianças e adolescentes tenham acesso a acompanhamento quando necessário. No Brasil, existem iniciativas voltadas para esse público, como os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij), criados para oferecer atendimento especializado em saúde mental. Embora ainda seja um desafio expandir a cobertura e garantir que chegue a todas as regiões, o serviço representa um passo importante na estruturação de políticas públicas de cuidado.

    As escolas vêm ampliando seu papel no acolhimento das questões emocionais e aparecem como ponto estratégico nesse processo. É nelas que crianças e adolescentes passam boa parte do tempo e onde os sinais de sofrimento podem ser percebidos mais rápido. Projetos que estimulam rodas de conversa, atividades lúdicas e capacitação de educadores para lidar com sentimentos têm mostrado resultados positivos, fortalecendo o diálogo aberto entre famílias, instituições de ensino e profissionais de saúde na ajuda para identificar sinais precoces e a buscar apoio.

    Além de evitar desfechos dolorosos, a prevenção significa construir um ambiente de pertencimento e segurança. O Setembro Amarelo, nesse sentido, não se limita a um mês no calendário: é um convite permanente para que toda a sociedade se comprometa com o bem-estar emocional de crianças e adolescentes.

  • Como cuidar da saúde mental das crianças na volta às aulas?

    Como cuidar da saúde mental das crianças na volta às aulas?

    Cuidar da saúde mental das crianças durante o retorno às aulas, dentro e fora da sala de aula, é fundamental para promover um ambiente escolar positivo e apoiar o desenvolvimento emocional saudável. 

    Durante as férias, a rotina das crianças, muitas vezes, passa por mudanças significativas, caracterizadas por uma flexibilidade maior nos horários, ausência de compromissos acadêmicos e maior ênfase em atividades de lazer. Essa alteração pode impactar o retorno às aulas, uma vez que a transição para a rotina escolar pode ser desafiadora. 

    A adaptação aos horários regulares, o foco nas responsabilidades acadêmicas e a reintegração social no ambiente escolar exigem um ajuste, podendo gerar certa ansiedade e desconforto inicial nos pequenos. 

    É essencial reconhecer e apoiar essa transição, proporcionando um ambiente acolhedor e incentivando gradualmente a retomada das rotinas escolares, minimizando o impacto dessa mudança na saúde mental e no desempenho acadêmico das crianças.

    Cinco dicas para cuidar da saúde mental das crianças no retorno às aulas

    1 – Promova uma comunicação aberta, constante e transparente

    Converse com as crianças sobre a volta às aulas. Esteja aberto para ouvir seus sentimentos, preocupações e expectativas. Esclareça dúvidas que possam surgir sobre o retorno à escola, mudanças nas rotinas e quaisquer medidas de segurança que possam ter sido implementadas de um ano para o outro.

    2 – Observe possíveis sinais de estresse nas crianças

    É importante notar se a criança apresenta mudanças de comportamento, dificuldade de concentração, irritabilidade, alterações no sono ou apetite. Se notar sinais preocupantes, procure ajuda profissional psicológica.

    3 – Esteja em contato regular com os professores

    O objetivo é entender como a criança está se ajustando à escola, para garantir que quaisquer desafios sejam abordados de maneira colaborativa e cuidadosa com os sentimentos e emoções.

    4 – Converse sobre a importância da amizade e da convivência com outras crianças

    Incentive a interação social, seja por meio de atividades em grupo na escola, encontros com amigos ou participação em atividades extracurriculares. Informe a criança sobre o que é o bullying e reforce o seu apoio e dos adultos responsáveis na escola em relação ao assunto.

    5 – Estabeleça uma rotina justa e saudável para a criança

    Estabeleça uma rotina consistente para proporcionar estabilidade e previsibilidade às crianças. Isso inclui horários de sono regulares, momentos para as refeições e tempo designado para atividades acadêmicas e de lazer.

    Como a saúde mental afeta o aprendizado?

    Os impactos da saúde mental no aprendizado são significativos e abrangem diversos aspectos do desenvolvimento acadêmico. Quando a saúde mental de um aluno está comprometida, seja devido ao estresse, ansiedade, depressão ou outros fatores, isso pode afetar negativamente a sua capacidade de concentração, memória e motivação. Crianças e adolescentes que enfrentam desafios emocionais podem ter dificuldade em participar ativamente das aulas, realizar tarefas escolares e manter um desempenho consistente.

    Além disso, a autoestima e a confiança, fundamentais para o desenvolvimento acadêmico saudável, também são afetadas pela saúde mental. Alunos que enfrentam problemas emocionais podem duvidar de suas capacidades e resultar em um desinteresse em relação ao aprendizado.

    A ansiedade, por exemplo, pode prejudicar a capacidade de lidar com provas e testes na escola, levando a um desempenho abaixo do potencial durante as avaliações. Da mesma forma, a depressão pode diminuir a motivação para participar das atividades escolares, levando a um afastamento gradual do processo de aprendizado.

    A importância da ajuda profissional para cuidar da saúde mental das crianças

    A busca por ajuda profissional pode ser importante no cuidado da saúde mental das crianças, por meio de suporte especializado. Profissionais de saúde mental têm habilidades e conhecimento para diagnosticar problemas emocionais e avaliar a gravidade da situação. Isso é fundamental para determinar a melhor abordagem de tratamento e suporte. Pesquise sobre os postos de saúde e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de onde você mora. Esses locais são a porta de entrada para a prestação de serviços de saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    No mais, cada criança é única e precisa de uma abordagem personalizada, adaptada às necessidades específicas de cada vivência.

    E-book sobre Saúde Mental na Infância e Adolescência

    A Fundação Abrinq possui, em seu acervo de publicações, o e-book sobre Saúde Mental na Infância e Adolescência. Trata-se de um conteúdo que tem o objetivo de orientar e informar sobre a importância do tema para os pequenos. Além disso, o conteúdo também apresenta casos que se configuram como riscos para a saúde mental como a depressão, ansiedade, automutilação e o suicídio, bem como os fatores de influência, cuidados e tratamentos.

    Clique aqui e faça o download da publicação.

    As crianças precisam de ajuda!

    Muitas famílias e crianças não possuem condições ou conhecimento para oferecer um apoio emocional para crianças e adolescentes. Por meio do Programa Adotei um Sorriso, a Fundação Abrinq faz parceria com psicólogos voluntários para que crianças de organizações da sociedade civil parceiras recebam atendimento psicológico.

    Você conhece um(a) psicólogo(a)? Compartilhe este conteúdo e indique-o para ser voluntário do Programa Adotei um sorriso.

    Clique aqui e conheça mais sobre o programa. Torne-se um voluntário clicando aqui e transforme as vidas de crianças e adolescentes que mais precisam!

  • Como cuidar da saúde mental na infância e adolescência?

    Como cuidar da saúde mental na infância e adolescência?

    Todas as pessoas podem apresentar problemas psicológicos, emocionais e comportamentais em alguma fase da vida. Porém, a infância e adolescência são períodos cruciais para que os indivíduos desenvolvam uma boa saúde mental. Crianças e jovens com condições de saúde mental, quando não tratados, podem perder momentos preciosos de suas vidas. As crianças que sofrem com as dificuldades de um transtorno mental, por exemplo, podem deixar a escola precocemente e, em consequência disso, ter no futuro dificuldades para se relacionar ou conseguir um emprego. Por isso, a atenção plena à saúde da mente na infância e adolescência faz muita diferença na vida adulta. 

    Por outro lado, a falta de informação sobre o tema ainda existe e resulta, muitas vezes, no negligenciamento de parte da população sobre a importância dos cuidados à saúde mental. No dia a dia, os transtornos mentais assumem muitas formas na população que sofre com eles. Alguns são leves e interferem, muitas vezes, de maneira limitada na rotina das pessoas, como certas fobias (medos anormais). Outros são tão graves que podem levá-las aos hospitais e necessitam de cuidados constantes, como a esquizofrenia, depressão e o autismo. 

    O Estado, a sociedade e os profissionais da educação também têm papel fundamental na proteção, prevenção de riscos e promoção de políticas públicas voltadas ao tema. Medidas e ações inclusivas para as crianças e os adolescentes no ambiente escolar e social em que vivem, por exemplo, fortalecem o papel cuidador e protetivo da família.

    Acolhimento e tratamento

    Assim como as doenças comuns do corpo, que atingem o coração, os rins e a pele, os transtornos mentais também são tratáveis e precisam de cuidados. Na medicina, o profissional responsável pela saúde e condições da mente é o psiquiatra, entretanto, os psicólogos também atuam no diagnóstico, prevenção e tratamento dos transtornos mentais.

    Para cada problema existe um tratamento eficaz e adequado, seja ela depressão, transtorno de ansiedade, personalidade, alimentar, emocional etc. Além do apoio dos familiares das crianças e dos adolescentes, o acolhimento e cuidado profissional é um fator essencial para o controle e recuperação da saúde mental. 

    De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Hospital Albert Einsten, existem algumas ações que ajudam na prevenção ao suicídio e proteção às condições mentais, diminuindo os fatores de riscos e aumentando o bem-estar e a qualidade de vida das crianças e dos adolescentes. São elas: 

    • Reforço das relações afetivas, principalmente, dos pais, familiares e amigos com a criança e o adolescente;
    • Promoção do diálogo e da escuta ativa, sem julgamentos;
    • Envolvimento em atividades prazerosas ou que tenham significado para a criança ou jovem, como a leitura, música, cinema e hobbies em geral; 
    • Estabelecimento de horários e rotina para as atividades;
    • Alimentação e sono saudáveis; 
    • Consultas de rotina ao médico;
    • Administração das emoções e da resiliência;
    • Prática regular de exercício físicos.

    É essencial que, com o acolhimento e apoio da família, as crianças e os adolescentes busquem formas saudáveis e construtivas de enfrentar e tratar as condições de saúde mental.