Tag: Violência

  • Eleições 2026: violência contra crianças e adolescentes: o cenário que o próximo governo encontrará

    Eleições 2026: violência contra crianças e adolescentes: o cenário que o próximo governo encontrará

    A Fundação Abrinq, por meio do Observatório da Criança e do Adolescente, levantou os indicadores de violência contra crianças e adolescentes referentes a 2025 e identificou um cenário em que violência sexual, violência física, negligência e homicídios convivem em volumes preocupantes, cenário que a próxima gestão federal encontrará já no início do mandato.

    Qual é o retrato da violência contra crianças e adolescentes no Brasil?

    Os dados sistematizados pela Fundação Abrinq, a partir de bases do Ministério da Saúde e do IBGE e referentes à população de até 19 anos, mostram a violência física como a categoria de maior volume, com 78.686 notificações em 2025, seguida pela negligência e pelo abandono, que somam 57.549 ocorrências segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais, e pelos homicídios, que tiraram a vida de 4.216 crianças e adolescentes no mesmo período, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Por serem categorias distintas, coletadas por sistemas e instituições diferentes, os totais não podem ser somados entre si, já que a mesma criança pode figurar em mais de um registro, e a leitura mais adequada consiste em observar cada indicador como uma janela para um tipo específico de violação de direitos, com causas, agressores, locais de ocorrência e respostas institucionais próprios.

    O que os dados revelam sobre a violência sexual?

    O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) registrou 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025, o que corresponde a uma média de cerca de 164 casos por dia. Além disso, o país também registrou 41.766 notificações de estupro.

    O atendimento a essas vítimas envolve diferentes setores da rede de proteção, entre eles saúde, assistência social, educação, Conselho Tutelar, segurança pública e sistema de Justiça. A articulação entre essas áreas influencia o acolhimento, a proteção, a produção de provas e o acompanhamento das vítimas.

    Por que os números de notificação não contam toda a história?

    As notificações dependem de que uma criança ou um adolescente chegue a um serviço de saúde, de que um profissional identifique os sinais e de que o registro seja formalizado, e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos sejam comunicados ao Conselho Tutelar, o que faz do sistema de saúde, das escolas e da rede de proteção os principais pontos de detecção. No entanto, muitos casos acabam não chegando até o sistema. Isso significa que os indicadores refletem, ao mesmo tempo, a ocorrência da violência e a capacidade da rede de enxergá-la, e uma variação de um ano para o outro pode resultar tanto de mudanças na incidência quanto de ampliação da capacitação dos profissionais, da divulgação de canais de denúncia ou da melhoria dos fluxos de registro.

    A Fundação Abrinq recomenda que a interpretação dos números considere sempre o contexto local, a estrutura disponível de atendimento e a regularidade da notificação em cada território.

    Como a legislação brasileira organiza a proteção contra a violência?

    A Constituição Federal, em seu artigo 227, atribui à família, à sociedade e ao Estado o dever de assegurar às crianças e aos adolescentes, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à dignidade e à convivência familiar, e determina que a lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual. A partir desse princípio, o ECA, de 1990, estruturou o sistema de proteção, e leis posteriores detalharam formas específicas de enfrentamento, entre elas a Lei nº 13.010/2014, conhecida como Lei Menino Bernardo, que assegura o direito de ser educado sem castigos físicos ou tratamento cruel ou degradante, a Lei nº 13.431/2017, que estabeleceu o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e criou a escuta especializada e o depoimento especial, e a Lei nº 14.344/2022, a Lei Henry Borel, que instituiu mecanismos de prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente.

    O dia 18 de maio, instituído pela Lei nº 9.970/2000 como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, completa esse conjunto de referências ao mobilizar anualmente órgãos públicos e organizações da sociedade civil em torno do tema, assim como o Disque 100, que funciona como um dos canais de denúncia acessíveis à população. 

    Como a violência física e a negligência entram no debate?

    Por estarem frequentemente associadas ao ambiente doméstico e familiar, a violência física e a negligência atravessam áreas distintas da administração pública, entre elas assistência social, saúde, educação e segurança, e essa característica faz com que o enfrentamento dependa de políticas que dialoguem entre si e alcancem as famílias antes que as situações de risco se agravem. A negligência pode estar associada a diferentes fatores, incluindo situações de vulnerabilidade social, falta de acesso a serviços públicos, sobrecarga familiar e ausência de redes de apoio. Por isso, a análise desses casos exige atenção às condições concretas em que vivem as crianças, os adolescentes e suas famílias.

    Quais desafios a próxima gestão terá diante desse cenário?

    Os dados demonstram algumas possíveis frentes de atenção para o próximo governo:

    Qualidade e integração dos registros: a capacidade de identificação e de registro influencia diretamente o que os sistemas conseguem enxergar, e o cruzamento de bases da saúde, da assistência social, da segurança pública e da Justiça segue como campo de trabalho contínuo, já que uma mesma criança pode passar por vários serviços sem que as informações se comuniquem, dificultando o acompanhamento individual dos casos e a avaliação das políticas.

    Fortalecimento da rede de proteção nos municípios: conselhos tutelares, serviços de assistência social, unidades de saúde, escolas e órgãos de segurança pública exercem diferentes funções na identificação, no encaminhamento e no acompanhamento dos casos., e a distribuição desigual de estrutura, de equipes e de formação continuada pelo território determina a rapidez e a qualidade do atendimento, com reflexos diretos na proteção da vítima e na produção de provas.

    Escuta protegida e responsabilização: a legislação prevê escuta especializada e depoimento especial para evitar a revitimização, e sua implementação integral e efetiva depende de profissionais capacitados, de espaços adequados e de articulação entre os órgãos envolvidos, condições que variam bastante entre regiões e influenciam a duração e o desfecho dos processos.

    Atendimento integral às vítimas: o acolhimento de crianças e adolescentes que sofreram violência, sobretudo sexual, envolve cuidados de saúde física e mental, apoio às famílias e acompanhamento prolongado, e a disponibilidade desses serviços na rede pública condiciona a recuperação e a prevenção de novas violações.

    Prevenção nas escolas e nas famílias: a presença de diferentes formas de violência em ambientes de convivência próxima recoloca a prevenção, a educação e o apoio às famílias como temas transversais às políticas sociais, e as escolas ocupam posição privilegiada por reunirem diariamente crianças e adolescentes e profissionais que podem identificar sinais de risco.

    Financiamento e orçamento: a execução dessas frentes depende de recursos previsíveis e de sua efetiva aplicação, e o acompanhamento do orçamento destinado à infância e à adolescência permite verificar em que medida as prioridades declaradas se traduzem em serviços disponíveis à população.

    Os indicadores de 2025 mostram que a violência contra crianças e adolescentes se manifesta de diferentes formas e exige respostas que envolvam prevenção, identificação, atendimento e responsabilização. Para a próxima gestão federal, o desafio passa pela capacidade de articular políticas nacionais com a atuação dos municípios e dos demais integrantes da rede de proteção, acompanhando não apenas o volume de ocorrências registradas, mas também a estrutura disponível para prevenir novas violações e atender crianças e adolescentes que já foram vítimas.

  • Violência escolar: enfrentamento e construção de ambientes seguros

    Violência escolar: enfrentamento e construção de ambientes seguros

    A violência escolar é uma realidade preocupante no Brasil e exige atenção urgente de toda a sociedade. Bullying, agressões físicas e verbais, discriminação e ameaças fazem parte do cotidiano de muitas crianças e muitos adolescentes nas escolas brasileiras. Além disso, episódios específicos de violência mais grave, como ataques armados, acendem um alerta sobre a urgência de repensar o ambiente escolar como espaço de proteção e cuidado.

    Um problema que vai além dos muros da escola

    De acordo com dados do DataSenado, 6,7 milhões de estudantes brasileiros foram vítimas de violência no ambiente escolar em 2023. Diante disso, é preciso compreender que a violência escolar não é apenas um reflexo da convivência entre os estudantes, mas muitas vezes representa problemas estruturais, sociais e emocionais vivenciados por crianças e adolescentes em suas casas, comunidades e na sociedade como um todo. A falta de diálogo, o desrespeito às diferenças, a intolerância e a ausência de políticas públicas efetivas também contribuem para o agravamento desse cenário.

    Construindo um ambiente seguro na escola

    Um ambiente escolar seguro vai além da ausência de violência. Ele deve garantir o bem-estar físico e emocional de todos os envolvidos no processo educacional, promovendo relações respeitosas, apoio psicológico e ações que valorizem a diversidade, o cuidado e a empatia.

    A Fundação Abrinq defende que escolas são espaços fundamentais de proteção e desenvolvimento, e que a promoção da cultura de paz deve ser parte fundamental da rotina escolar. Isso envolve:

    •    Formação continuada de educadores para identificar sinais de sofrimento emocional ou violência doméstica;

    •    Mediação de conflitos como alternativa à punição, promovendo o diálogo entre estudantes;

    •    Projetos de escuta ativa e protagonismo juvenil, permitindo que os alunos se sintam acolhidos e valorizados;

    •    Parcerias com famílias e comunidades, fortalecendo redes de apoio e prevenção;

    •    Investimento em infraestrutura escolar, garantindo espaços físicos adequados, iluminados e seguros.

    O papel da sociedade no enfrentamento da violência escolar

    A construção de um ambiente seguro na escola é responsabilidade de todos: governo, educadores, famílias e sociedade civil. Políticas públicas que garantam mais investimentos em educação, saúde mental e proteção infantojuvenil são necessárias para prevenir a violência desde a infância.

    A Fundação Abrinq atua em todo o Brasil com iniciativas que fortalecem a educação e a proteção de crianças e adolescentes. Por meio de projetos voltados ao acolhimento, à formação de educadores e à promoção de direitos, a organização contribui diretamente para a construção de um futuro mais justo e seguro.

    Saiba mais sobre as iniciativas da Fundação Abrinq clicando aqui.

  • Violência contra crianças e adolescentes segue em níveis preocupantes no Brasil

    Violência contra crianças e adolescentes segue em níveis preocupantes no Brasil

    O Brasil ainda enfrenta um cenário alarmante de violência letal que atinge milhares de crianças e adolescentes todos os anos. De acordo com os dados mais recentes do Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2025, elaborados a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), mais de 45,7 mil mortes por homicídio foram notificadas no país em 2023. Destas, 5.277 vítimas tinham entre 0 e 19 anos de idade — ou seja, uma média de 14 crianças e adolescentes mortos por dia.

    Apesar de representar uma queda proporcional em relação aos anos anteriores, o número absoluto de jovens assassinados continua inaceitável. Em 2015, por exemplo, as vítimas de até 19 anos representavam 18,5% dos homicídios no Brasil, totalizando 10.956 mortes naquele ano.

    A análise etária mostra que a maior parte dessas vítimas são adolescentes de 15 a 19 anos, que concentram 90,3% dos homicídios. Já os adolescentes de 10 a 14 anos representam 5,3% dos casos, enquanto as crianças de 0 a 9 anos somam 4,4%. Esses números indicam que a infância e a adolescência brasileiras — especialmente em contextos de vulnerabilidade — ainda enfrentam altos níveis de risco e exposição à violência extrema.

    Violência no Brasil

    Além da tragédia da perda precoce de vidas, a presença constante da violência no cotidiano de crianças e adolescentes provoca impactos profundos e duradouros no seu desenvolvimento físico, emocional e social. A vivência ou testemunho de atos violentos pode desencadear traumas psicológicos, afetar o desempenho escolar, comprometer a saúde mental e inibir o desenvolvimento de habilidades importantes para a vida em sociedade.

    Como exemplo, é possível dizer que o medo e a insegurança gerados pela exposição à violência urbana contribuem para quadros de ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático em crianças e adolescentes. O ambiente hostil também reduz oportunidades de lazer, convivência comunitária e mobilidade — elementos fundamentais para o crescimento saudável e o fortalecimento de vínculos afetivos e sociais.

    Além disso, adolescentes que vivem em territórios com altos índices de violência têm menos acesso a políticas públicas de qualidade, como educação, saúde, esporte e cultura, o que amplia o ciclo de exclusão social. Sem perspectivas concretas para o futuro e com seus direitos violados, muitos acabam sendo alvos para perpetuar o ciclo da violência.

    Diante desse cenário, é necessário que a sociedade e o poder público atuem de forma articulada para prevenir a violência contra crianças e adolescentes e garantir sua proteção integral. Isso inclui o fortalecimento das políticas públicas de segurança, mas, sobretudo, o investimento em educação de qualidade, inclusão social, geração de oportunidades, apoio às famílias e ampliação da rede de proteção nos territórios mais vulneráveis.

    A atuação da Fundação Abrinq

    A Fundação Abrinq atua há mais de três décadas para garantir os direitos de crianças e adolescentes em todo o país. Por meio de projetos e programas nas áreas da Saúde, Educação e Proteção, a organização apoia iniciativas locais, fortalece a rede de proteção e promove o desenvolvimento integral de meninas e meninos que vivem em situação de vulnerabilidade social.

    Nenhuma criança deveria ter sua infância interrompida pela violência. Com o apoio de pessoas como você, é possível mudar realidades, proteger vidas e construir um futuro melhor para quem mais precisa.

    Clique aqui e faça uma doação.

  • Fundação Abrinq lança um novo programa para combater a violência e o trabalho infantil

    Fundação Abrinq lança um novo programa para combater a violência e o trabalho infantil

    O Brasil vem conquistando grandes avanços em relação à garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes nos últimos anos, no entanto, ainda assim milhares de crianças e adolescentes precisam enfrentar grandes obstáculos para conseguirem usufruir de seus direitos. 

    Um exemplo é o cenário do trabalho infantil, em 2002, a violação atingia mais de 5,5 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos. Com a crescente conscientização sobre os malefícios do trabalho precoce para o desenvolvimento deste público, a mobilização de diversos atores, como instituições privadas, poder público e sociedade e o desenvolvimento de ações de enfrentamento à violação, esse número caiu para 2.390.852 em 2016.

    Os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referentes à 2019 mostram que o Brasil continua avançando neste cenário: 1.768.476 crianças e adolescentes continuam expostos à violação. Tal queda representa uma diferença de 8 pontos percentuais na taxa de trabalho infantil entre os dois extremos — 2002 e 2019.

    Apesar do avanço, é importante ressaltar que tal indicador se trata de vidas, histórias e futuros. Ou seja, mais de 1,7 milhão de crianças e adolescentes continuam correndo os riscos da violação. 

    “Esses números demonstram um pouco da violência do trabalho infantil, é um pouco porque nós sabemos que essas notificações do Sistema Nacional de Informação de Agravos de Notificação são bem subnotificadas. Quase 44 mil crianças e adolescentes sofreram acidentes de trabalho, entre 5 e 15 anos, mais de 26 mil foram acidentes graves como traumatismos e amputações, amputações de dedos, de mãos, ficaram cegos, a maioria das notificações estão na faixa etária de 14 a 17 anos. Animais peçonhentos, mais de 14 mil, que são aranhas, escorpiões, muito presentes na agricultura, mais de 1.800 notificações por intoxicação exógena, por agrotóxicos, produtos químicos e plantas venenosas. Agora, 2.794 sofreram acidentes de trabalho em 2018 e 662 crianças e adolescentes perderam a mão, 162 tiveram distúrbios osteomusculares por esforço repetitivo. Isso aqui deve ser mais ou menos um terço da realidade, imagine quantos acidentes de trabalho existem e não são notificados”, comenta Elvira Mello Cosendey, coordenadora do Fórum de Erradicação e Combate ao Trabalho Infantil de Minas Gerais.   

    Outro indicador que ilustra a necessidade de atuar em prol da infância e adolescência é a violência. Em 2015, foram registradas, pelo Disque 100, 80.737 denúncias de violência contra as crianças e os adolescentes. Em 2019, o indicador aumentou para 86.837 denúncias, sendo as mais frequentes: a negligência, com 62.020 notificações, violência psicológica, com 36.304 notificações, e violência física, com 33.374 notificações. Embora esteja nítido um aumento no número de denúncias, tal crescente pode não representar um aumento no número de casos.  

    “Eu começo a pensar como fica a violência doméstica neste período pandêmico. Como a Ficar de Bem recebia denúncias no começo de sua história, era comum as pessoas perguntarem se nos meses de férias escolares diminuíam o número de denúncias e nos meses de férias escolares nós recebíamos muito mais denúncias de violência doméstica contra crianças e adolescentes, seja violência física, psicológica, sejam situações de negligência ou abuso sexual. O que a gente via é que nas férias escolares as crianças ficavam mais tempo dentro de casa e no convívio com os adultos, pais, mães e responsáveis, e, nesse tempo, os conflitos, as discussões eram muito maiores e aumentavam muito o número de casos de violência. Então imagina agora neste período pandêmico”, menciona Lígia Vezzaro Caravieri, coordenadora técnica da Organização da Sociedade Civil Ficar de Bem.

    “Muitos dos adultos estão dentro de casa e poderíamos pensar que se eles estão dentro de casa, as crianças e os adolescentes estão recebendo mais cuidados, mas não necessariamente, porque são adultos que também estão com uma série de preocupações, seja pelo desemprego, pela diminuição do salário, seja pelo desenvolvimento educacional dessas crianças e desses adolescentes, então esse cenário, na verdade, vira um grande barril de pólvora. É lógico que o cuidado familiar é essencial para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, mas se esses adultos dentro de casa estão estressados e preocupados, com situações muitas vezes de vulnerabilidade econômica e social, eles não vão conseguir oferecer esses cuidados de uma forma adequada”, completa Lígia. 

    Estes são apenas dois exemplos de inúmeros outros indicadores que retratam as dificuldades que milhões de crianças e adolescentes enfrentam diariamente para terem os seus direitos assegurados. O que ressalta a importância de toda a sociedade se mobilizar e atuar em prol da infância. 

    Combate à violência e ao trabalho infantil: realidade atual e desafios a serem enfrentados 

    Para fomentar o debate sobre o assunto, a Fundação Abrinq realizou hoje (15) um webinar para dialogar sobre a realidade atual da violência e do trabalho infantil, os principais desafios enfrentados e algumas maneiras de ajudar a combater tais violações. 

    Assista a conversa na íntegra: 

     

    Programa de Combate à Violência e ao Trabalho Infantil 

    Por compreender a necessidade e urgência de combater as violações de direitos que acometem a infância e adolescência, a Fundação Abrinq lançou o Programa de Combate à Violência e ao Trabalho Infantil, mais uma iniciativa para prevenir e enfrentar tais violações.

    O programa, que a princípio será realizado em Pouso Alegre (MG) e São José do Rio Pardo (SP), realizará diversas ações com o objetivo de mobilizar e qualificar os profissionais que atuam diretamente com as famílias em situação de vulnerabilidade e risco social para que, assim, elas sejam atendidas de forma integral e de modo a prevenir, intervir e erradicar os casos de violência e trabalho infantil.

    Entre as atividades estão inclusas: 

    •    Parceria com a Procuradoria Regional do Trabalho para ações sistemáticas de fiscalização das situações de trabalho infantil, bem como a garantia de investimento financeiro municipal em políticas públicas de combate à violação;
    •    Mobilização, em conjunto com as prefeituras, da Secretaria Municipal de Assistência Social para a implementação e qualificação da Vigilância Socioassistencial no município;
    •    Mobilização e articulação conjunta com os profissionais que atuam com o Sistema de Garantia de Direitos para implementar Comitês Municipais de Combate à Violência e ao Trabalho Infantil, responsáveis por traçar estratégias de prevenção e enfrentamento às respectivas violações de direitos de crianças e adolescentes; 

    Conheça mais sobre o programa aqui. 

  • Com apenas 5 anos, Renan se recupera do trauma que viveu em casa

    Com apenas 5 anos, Renan se recupera do trauma que viveu em casa

    Aos 4 anos de idade Renan* passou a frequentar a Associação Lar do Pequeno Assis em Campo Grande (MS), onde morava com sua mãe e suas irmãs. Ao chegar na instituição, a mesma percebeu que havia uma marcação do Conselho Tutelar em sua ficha, indicando que ele havia sofrido agressões físicas no passado.

    Por ser uma realidade frequente, a organização conseguiu contratar, com o apoio da Fundação Abrinq, um profissional e aplicar um projeto sobre violência para as crianças de 4 a 6 anos atendidas, a fim de ensiná-las, por meio da música, desenhos e brincadeiras, sobre o que é certo e errado.

    Renan participou de todas as atividades, mas nunca contou o que aconteceu em casa. A assistente social da associação, Jeniffer Silva, conta que ele era uma criança bastante introvertida, quase não brincava e, muitas vezes, era agressivo com os colegas. Até que certo dia, Renan, já com 5 anos, sofreu outra agressão. Com vergonha, tentava esconder seu rosto, machucado, das outras crianças e professores. Mas com o apoio do projeto sentiu-se à vontade para contar o que aconteceu ao ser questionado.

    “Ele chegou a ficar com o olhinho roxo e falou que a mãe tinha batido nele. Nós vimos a ação dele como um fortalecimento, porque ele falou que a mãe havia agredido. Ele teve coragem de falar”, conta Jeniffer.

    Ao tomar ciência, a organização entrou em contato com o Conselho Tutelar para que pudesse dar andamento no caso e, assim, seguir o fluxo de denúncia para a proteção da criança. Pela agressão ter acontecido outras vezes, Renan foi para um acolhimento institucional, evitando sofrer outras violações.  

    Renan tem mais 5 irmãs e espera a sexta, mas era o único que apanhava. As crianças sofreram muito com a separação e a distância fez com que sua mãe percebesse que as atitudes tomadas até então eram inadequadas.

    Para ajudar, a organização passou a trabalhar e dar assistência para a família de Renan. “Demos toda a assistência para essa mãe reconquistar a guarda do filho, porque em nenhum momento ela falou que não queria a guarda. Ela assumiu que estava bem nervosa e que a situação foi grave, mas ela queria o filho de volta”, conta Jeniffer.

    A profissional conta que por meio do projeto foi realizado um intenso trabalho para que a mãe de Renan pudesse ser fortalecida e ter condições de recuperar a guarda do filho. Com o processo em andamento, ela entrou em trabalho de parto e a organização passou a dar um suporte ainda maior para a família.

    “O sexto irmão estava na barriga e ela tinha que ir em vários lugares, então demos esse apoio de ligar, encaminhar, orientar para que ela tivesse calma e fomos acompanhando”, explica.

    O processo durou cerca de 2 meses e após ocorrer a audiência Renan retornou para a casa. “Quando ele retornou foi uma alegria para o projeto também. Ele foi acolhido novamente e hoje parece outra criança”, ressalta Jeniffer.

    Entretanto, para que Renan pudesse continuar em casa e, consequentemente, no projeto, sua mãe precisou mudar suas atitudes e seguir todas as recomendações feitas pelo juiz e pela própria organização.

    “A gente vê uma vitória, porque caso ele não tivesse se fortalecido no projeto, não teria coragem de contar e talvez passasse despercebido. A mãe também não teria passado por esse processo, porque precisou passar, para mudar”, relata. “Hoje não temos problema nenhum com eles e ela é uma mãe muito amorosa com os filhos”, completa Jeniffer.

    A família continua sendo acompanhada pela organização e pela instituição que abrigou Renan. Com o acontecido, ele também mudou, passou a brincar, conversar e conviver bem com os colegas. Renan teve uma nova chance ao lado de sua mãe e, juntos, puderam construir uma nova relação.  

    Você também pode mudar histórias como a de Renan. Clique aqui e faça a diferença! 

    * Foto e nome fictícios para preservar a identidade da criança.

  • De forma lúdica, projeto aborda a violência com crianças de 4 a 6 anos

    De forma lúdica, projeto aborda a violência com crianças de 4 a 6 anos

    Voltada para a convivência e fortalecimento de vínculos, a Associação Lar do Pequeno Assis, localizada em Campo Grande (MS) atende crianças e adolescentes até os 16 anos.

    Em seu dia a dia passou a perceber a necessidade de falar sobre violência com as crianças, como uma maneira de prevenir e combater a violação doméstica e até sexual, mas sem uma profissional para retratar o assunto, a associação só conseguia abordá-lo de maneira superficial, muitas vezes, em campanhas. 

    Para reverter o cenário, a instituição inscreveu o Projeto Alegria, que trabalha o tema com crianças de 4 a 6 anos, no edital da Fundação Abrinq. Após aprovado, recebeu apoio técnico e financeiro durante 2 anos. 

    “Nós fizemos esse projeto para trabalharmos a prevenção e identificação da violência, em especial a sexual, porque percebemos que algumas crianças teriam indícios”, explica Jeniffer Silva, assistente social da associação. 

    Com os aportes mensais, a associação pôde contratar uma psicóloga e uma professora de música para trabalharem de maneira lúdica o tema com as crianças. Também passou a receber orientações do que poderia mudar ou melhorar no projeto e organização como um todo. 

    Com o apoio das novas profissionais, foi criada uma metodologia lúdica que usou a música como principal método de trabalhar o assunto com as crianças, garantindo que ele pudesse ser compreendido por todas. Inicialmente, foi realizada uma ação para que elas entendessem quem são e aprendessem sobre o próprio corpo, posteriormente as crianças aprenderam sobre o outro e a necessidade de respeitar cada pessoa, construindo, assim, uma dinâmica pedagógica. 

    “Fomos acompanhados o tempo todo e ter esse apoio técnico de trabalho mudou bastante o nosso olhar sobre a criança e o adolescente, a forma de trabalhar, de criar autonomia para que a criança possa se fortalecer e falar sobre seus sentimentos. A nossa visão mudou bastante”, conta Jeniffer.

    Para que o projeto fosse eficaz, também foram realizadas atividades com os pais, como palestras e dinâmicas sobre educação positiva, bullying e momentos de brincadeira e descontração entre os pais e os filhos — proporcionando maior interação entre eles.

    Como resultado, a instituição conseguiu, por meio de muitas músicas, desenhos e brincadeiras, inserir a temática nas atividades e fazer com que as crianças entendessem o que pode ou não, o que é certo ou errado e falar abertamente sobre a violência em geral. 

    Quando havia suspeita de que alguma criança estava sofrendo qualquer tipo de violação, a organização encaminhava o caso para o Conselho Tutelar, fazendo com que a rede prosseguisse com o acompanhamento. Jeniffer relata que a associação chegou, inclusive, a presenciar um acolhimento por violência doméstica, mas que no final acabou tudo bem e o problema foi solucionado. 

    Confira outras melhorias na organização

    A execução do projeto não foi o único resultado da Associação Lar do Pequeno Assis. Com o apoio da Fundação Abrinq, a organização também conseguiu melhorar sua infraestrutura e alimentação ofertada para as crianças e os adolescentes beneficiados. 

    “Compramos cadeirinhas e mesinhas novas para a sala, tatame, brinquedos, coisas que não tínhamos. Pintamos a área externa e demos um ar mais lúdico e colorido para a instituição”, relata Jeniffer. A readequação da sala proporcionou a ampliação de 29 vagas na associação. 

    A assistente social também conta que com o recurso foi possível melhorar a alimentação das crianças e dos adolescentes inserindo itens que, muitas vezes, a organização não tinha como comprar: “Conseguimos melhorar principalmente a proteína como a carne e o frango, que são coisas caras de se comprar e essenciais para as crianças, pois muitas vezes elas só comem aqui”, completa.

    Apesar do convênio com a Fundação Abrinq ter acabado, Jeniffer relata que a associação permanecerá com as melhorias realizadas e, principalmente, com as profissionais contratadas. Agora, a organização almeja ampliar o Projeto Alegria, que beneficiou 61 crianças, para outras turmas e séries. Dessa forma, a prevenção e o combate à violência será disseminado para mais crianças e adolescentes. 

    Você também pode ajudar a melhorar a qualidade de vida e defender os direitos das crianças e dos adolescentes. Clique aqui e faça a diferença!
     

  • Fundação Abrinq debate as desigualdades no acesso ao saneamento básico e as taxas de violência que atingem crianças e adolescentes

    Fundação Abrinq debate as desigualdades no acesso ao saneamento básico e as taxas de violência que atingem crianças e adolescentes

    Em dezembro, a Fundação Abrinq lançou a publicação “A Criança e o Adolescente nos ODS — ODS 6, 11 e 16”. Com objetivo de promover debates sobre saneamento básico, cidades sustentáveis e violência. Temas que impactam diretamente crianças e adolescentes.

    A água tratada e o esgoto encanado fazem parte do acesso básico e da qualidade de vida e moradia, sendo essenciais para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. No entanto, 17,2%* da população brasileira vive sem acesso à rede de distribuição de água, e 32,9%* sem acesso à rede de esgoto.

    Essa vulnerabilidade também impacta na violência. Em 2015, foram registradas 153.510* denúncias de violências contra crianças e adolescentes, esse número pode ser relativo, levando-se em consideração que nem todos os casos são denunciados. Os registros mais frequentes são: violência psicológica, física e sexual.

    “Precisamos fazer com que os cidadãos comuns se interessem por esses temas e cobrem providências. Não podemos esperar que alguém faça por nós. É necessário termos um papel ativo, saber o que acontece onde vivemos e lutar para que essas realidades mudem”, explica Édson Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.

    “Mais do que uma mera agenda internacional, os ODS são uma grande oportunidade para a efetivação de políticas públicas visando a qualidade de vida e da cidadania das crianças e dos adolescentes no Brasil”, acrescenta Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq.

    A Fundação Abrinq defende um ambiente político e institucional adequado à implementação de políticas públicas e programas com foco na promoção e efetivação dos direitos da infância e adolescência.

    Clique aqui para acessar a publicação.

    * Fonte: IBGE — Sinopses estatísticas do Censo Demográfico.

    * Fonte: Disque Direitos Humanos (Disque 100) — Módulo Criança e Adolescente.