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  • Fundação Abrinq alcança 57.127 crianças com a Semana do Brincar em escolas de Osasco, Embu-Guaçu e Teresina

    Fundação Abrinq alcança 57.127 crianças com a Semana do Brincar em escolas de Osasco, Embu-Guaçu e Teresina

    Durante todo o mês de outubro, período em que se comemora o Dia das Crianças, a Fundação Abrinq levou a Semana do Brincar a 335 escolas de três municípios, com uma programação de contação de histórias e brincadeiras que alcançou 57.127 crianças. As ações aconteceram em 130 escolas de Osasco – SP, 32 de Embu-Guaçu – SP e 173 de Teresina – PI, e a Fundação orientou que cada rede fosse livre para organizar as atividades da forma que fizesse mais sentido para a faixa etária de seus alunos, o que resultou em uma programação diversa e muito próxima da realidade de cada escola.

    O Projeto Brincar propôs a contação de histórias como ponto de partida comum para ser trabalhado ao longo do mês, e a partir dela as equipes escolares criaram formatos próprios, entre eles chás literários, apresentações de teatro, contações com personagens e brincadeiras baseadas nas histórias lidas. Com isso, as crianças menores e as mais velhas participaram de propostas pensadas para a sua idade, e o livro passou a ser tratado como um convite para o jogo, a imaginação e o encontro com os colegas, e não como uma atividade isolada da rotina escolar.

    Professores de 31 creches aprendem a contar histórias e a criar brinquedos

    Em Osasco – SP, a Fundação Abrinq levou o Projeto Brincar também às creches da rede conveniada, por meio do Programa Creche para Todas as Crianças, em uma formação que reuniu coordenadores e professores de 31 unidades no Centro de Formação do município. A manhã foi dedicada à contação de histórias como prática pedagógica, com discussões sobre a contribuição da narrativa para o desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da criatividade, da memória e da interação social, e com a apresentação de diferentes gêneros, como contos tradicionais e populares, fábulas, lendas e histórias cantadas. Um dos blocos foi dedicado à valorização dos povos originários do Brasil, com orientações sobre o respeito à diversidade cultural e os cuidados na escolha de histórias e materiais.

    EMEIEF Saad Bechara

    À tarde, os participantes seguiram para oficinas práticas em que treinaram a escuta, a expressão oral e a criação de narrativas adequadas a cada faixa etária e, em seguida, confeccionaram, com materiais reutilizáveis, de baixo custo, simples e acessíveis, bonecas de graveto, pipas de mão, personagens com tampinhas, cenários com cartelas de ovos e figuras com garrafas PET, usando os brinquedos que criaram para contar histórias uns aos outros. O dia terminou com a troca de experiências sobre como levar essas propostas para a realidade das creches, seguida do sorteio de livros e brinquedos e da distribuição de lembranças aos participantes.

    A formação teve continuidade na semana seguinte, quando a equipe da Fundação Abrinq visitou algumas unidades para acompanhar de perto como os profissionais colocaram em prática, com as crianças, o que viveram durante a capacitação. Agora, a Fundação recebe os relatórios (não falaria de relatórios) de atividades das creches, que registram como cada unidade levou a contação de histórias e os brinquedos confeccionados para dentro da sala de aula e vão orientar os próximos passos do trabalho.

    Semana do brincar: o que o brincar oferece às crianças

    O Projeto Brincar é uma iniciativa da Fundação Abrinq que atua para que o brincar faça parte da rotina pedagógica da Educação Infantil, apoiando escolas e creches, orientando professores e coordenadores com um novo olhar sobre o brincar, além de técnicas e possibilidades para usá-lo na prática com as crianças. A Fundação Abrinq trabalha pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes, e o brincar é um desses direitos, e o brincar é um desses direitos, que só se realiza quando existem tempo, espaço e profissionais preparados para acompanhá-lo.

    Crianças na Semana do Brincar

    É brincando que a criança explora o mundo, levanta hipóteses, aprende a lidar com regras e frustrações, convive com outras crianças, expressa o que sente e desenvolve a linguagem, a coordenação motora, a atenção, a memória e o raciocínio. Para o professor, a brincadeira funciona como caminho para ensinar conteúdos de todas as áreas, já que uma história contada com personagens apresenta vocabulário e noções de tempo e sequência, um jogo com tampinhas introduz quantidades e classificações, e uma brincadeira de roda trabalha ritmo, cooperação e respeito ao outro, de modo que a criança aprende com envolvimento e prazer, e o educador ganha uma forma de acompanhar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de cada turma.

    Os 57.127 sorrisos desta Semana da Criança existem porque pessoas e empresas decidiram apoiar a Fundação Abrinq, e há muitas outras crianças esperando a sua vez. Em cada escola que ainda não recebe o Projeto Brincar, existe uma turma que poderia ouvir uma história contada com carinho, montar o seu primeiro brinquedo com as próprias mãos e descobrir que aprender também pode ser uma alegria. Com a sua doação, a Fundação Abrinq mantém as formações e o acompanhamento de professores, organiza atividades nas escolas e leva o brincar para mais crianças, em mais cidades. Faça parte dessa rede, conheça o Projeto Brincar e considere ser tonar um doador para que mais crianças tenham a chance de brincar, se desenvolver e aprender com o apoio de quem acredita nelas. Para uma criança, o brincar pode ser o começo de tudo, porque é por meio dele que ela descobre, cria, aprende e se desenvolve, e você pode ajudar a Fundação Abrinq a levá-lo até ela.

  • Fundação Abrinq reúne coletivos para o 4º Encontro Nacional do Projeto Coletivos Periféricos

    Fundação Abrinq reúne coletivos para o 4º Encontro Nacional do Projeto Coletivos Periféricos

    Nos dias 15 e 16 de outubro, coletivos de diferentes regiões do país participaram, em Curitiba – PR e Araucária – PR, do 4º Encontro Nacional do Projeto Coletivos Periféricos, da Fundação Abrinq, que marcou o encerramento do Ciclo 4 do projeto. Foram dois dias de formação, troca de experiências e vivência prática.

    Formação sobre o ECA Digital e o Sistema de Garantia de Direitos

    O primeiro dia, em Curitiba, teve como tema central o ECA Digital e a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. A programação também apresentou o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) de forma geral, com destaque para a mudança de paradigma trazida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990. A lei colocou fim à lógica da “menorização”, que tratava crianças e adolescentes como objetos de intervenção, e os reconheceu como sujeitos de direitos. Mesmo mais de três décadas depois, essa perspectiva anterior continua influenciando muitas políticas públicas, e entender esse histórico ajuda a identificar o que ainda precisa avançar.

    Sobre o SGDCA, a conversa foi conduzida por Elenice Mara Matos Novak, professora e coordenadora do Projeto PROTECA, e por Patricia Carstens Castellano, integrante do mesmo projeto. A palestra sobre o ECA Digital ficou a cargo da Profa. Dra. Wanda Helena Mendes Muniz Falcão.

    A atualização é importante porque os coletivos estão em contato direto e constante com crianças e adolescentes. À medida que tecnologias e legislações avançam, eles precisam saber o que mudou e como agir nas mais diversas situações. Embora, em regra, não integrem formalmente o SGDCA, todos compartilham o dever de proteger crianças e adolescentes.

    Vivência na Casa Eliseu Voronkoff

    No segundo dia, as atividades aconteceram na Casa Eliseu Voronkoff, em Araucária. Após as boas-vindas, o coletivo Araucária Cultural apresentou sua metodologia e suas práticas pedagógicas, construídas a partir das rimas e do hip-hop. Rafael, conhecido como Mangaba, integrante do coletivo, conduziu uma oficina prática de rimas com os participantes, com um passo a passo que foi do início do aprendizado até uma eventual batalha de rima e apresentação.

    evento coletivos

    Na sede do coletivo, as crianças do Araucária Cultural se apresentaram e mostraram o que aprenderam ao longo das oficinas. O encontro também foi marcado pelo lançamento da publicação Projeto Coletivos Periféricos: Transformando a Infância e a Adolescência nas Periferias Ciclo 4.

    Em uma dinâmica proposta pela Fundação Abrinq, os coletivos se reuniram em grupos para debater os temas que trabalharam ao longo da parceria e os impactos que percebem em seus territórios, o fortalecimento da rede, as diferentes formas de apoio, as formações e os encontros.

    Para Eliane Germano, do Coletivo Anjos da Lata, o encontro deixou aprendizados importantes. “Nossa participação foi algo incrível, surpreendente. Vislumbramos as possibilidades que nós temos. O que precisamos melhorar muito enquanto rede de proteção. Hoje marca a conclusão de um ciclo, mas não é o fim”, afirmou. Ela destacou ainda que o apoio da Fundação Abrinq foi muito engrandecedor e que as trocas com outros coletivos enriqueceram o conhecimento de todos e o trabalho que levam a crianças e adolescentes.
     

  • Fundação Abrinq doa 200 ursos de pelúcia a crianças da Rede Nossas Crianças no período do Dia das Crianças

    Fundação Abrinq doa 200 ursos de pelúcia a crianças da Rede Nossas Crianças no período do Dia das Crianças

    No período do Dia das Crianças, a Fundação Abrinq doou 200 ursos de pelúcia a crianças de 3 a 8 anos atendidas por duas organizações da Rede Nossas Crianças, uma na Zona Norte da capital paulista e outra em Guarulhos. Os ursos, que medem entre 20 e 25 centímetros de altura, foram destinados pela equipe do Programa Nossas Crianças a instituições localizadas em regiões de alta vulnerabilidade social, onde o acesso a presentes e a momentos de celebração costuma ser limitado.

    A seleção das organizações levou em conta a situação das crianças atendidas. Além da localização em territórios de maior vulnerabilidade, a equipe do Programa soube que os grupos não receberiam presentes na data, e a chegada dos ursos mudou esse cenário. Cada criança recebeu um urso de pelúcia acompanhado de uma mensagem escrita à mão por um voluntário, o que fez da doação um presente individual, pensado para quem o recebe.
     

    Doação de Ursos de Pelúcia

    Os ursos chegaram à Fundação Abrinq por meio de uma ação de voluntariado da Amazon, realizada com a Goodera, plataforma global de gestão de voluntariado corporativo. A Amazon financiou a compra dos kits e mobilizou seus funcionários, que se reuniram na sede da empresa para rechear os ursos com enchimento hipoalergênico, escrever as mensagens e embalar cada presente. A Goodera adquiriu os kits de fornecedores corporativos selecionados, organizou a atividade e fez a ponte com a Fundação para que a entrega chegasse à nossa sede. As pelúcias são feitas de material macio, indicadas para crianças a partir de 3 anos, e seguem certificações internacionais de segurança que descartam riscos como olhos e botões soltos.

    Doação de ursos de pelúcia beneficia crianças em São Paulo e Guarulhos

    Na Zona Norte de São Paulo, o Centro Comunitário Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Peri, recebeu 100 ursos, entregues a crianças de 3 a 6 anos. Em Guarulhos, a Associação Beneficente de Apoio ao Necessitado (ABAN), no Jardim Fortaleza, recebeu outros 100, destinados a crianças de 6 a 8 anos. A divisão por faixa etária acompanha o público que cada organização atende e garantiu que todas as crianças dos grupos fossem contempladas.

    Na entrega, a reação das crianças foi imediata, segundo Maria Jucicleide, da Coordenação Geral do Centro Comunitário Nossa Senhora Aparecida, “todas as crianças demonstraram muita surpresa e satisfação ao verem que ganhariam os ursos, prontamente elas agradeciam, sorriam e já queriam mostrar para os responsáveis que aguardavam elas na saída”. Os responsáveis também agradeceram pela lembrança, e ela resume o que a doação significou para a unidade: “Entendemos que a doação foi de extrema importância para a unidade”.

    A doação faz parte do trabalho que a Fundação Abrinq desenvolve com a Rede Nossas Crianças, formada por organizações da sociedade civil que atendem crianças e adolescentes em diferentes regiões do país. O Programa Nossas Crianças acompanha essas instituições e as conecta a empresas que desejam contribuir com recursos, produtos ou trabalho voluntário, e a ação com a Amazon e a Goodera mostra como essa articulação chega, na prática, às crianças atendidas.

    As duas organizações fazem parte da Rede Nossas Crianças, que reúne entidades da sociedade civil que atendem crianças e adolescentes em diferentes regiões do país e já passaram pelo atendimento do Programa Nossas Crianças. A parceria entre a Amazon e a Goodera levou, a 200 dessas crianças, presentes fruto de um trabalho voluntário, em uma data em que parte delas ficaria sem ser lembrada.

  • Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza: da alimentação à escola, os efeitos da pobreza na infância

    Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza: da alimentação à escola, os efeitos da pobreza na infância

    Em 17 de outubro de 1987, 100 mil pessoas se reuniram na praça do Trocadéro, em Paris, na França, para homenagear as vítimas da fome, da violência e da ignorância e protestar contra a extrema pobreza. O chamado partiu do padre Joseph Wresinski, que nasceu em uma família em extrema pobreza e dedicou a vida a trabalhar ao lado de quem vivia nessa condição. Em 1992, a ONU transformou a data no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

    Quase quatro décadas depois, o Brasil chega a 17 de outubro com uma pergunta que cabe em qualquer sala de aula: quantas das crianças no território brasileiro vivem em casas onde a renda não chega a meio salário mínimo por pessoa?

    Quantas crianças vivem com até meio salário mínimo por pessoa?

    São 16.509.299 crianças e adolescentes de até 14 anos, ou 39,8% dessa população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, disponíveis no Observatório da Criança e do Adolescente, da Fundação Abrinq. Quase 4 em cada 10.

    Dentro desse grupo, 6.008.023 (14,5%) vivem com até um quarto de salário mínimo por pessoa. Os outros 10,5 milhões estão na faixa entre um quarto e meio salário mínimo.

    A conta é simples: soma-se tudo o que a família recebe e divide-se pelo número de moradores. Numa casa com quatro pessoas, a renda total é dividida por quatro.

    O que a pobreza muda na vida de uma criança?

    No prato

    Ainda de acordo com o IBGE, em 2024, 3,3% das crianças de 0 a 4 anos e 3,8% das de 5 a 17 anos viviam em domicílios com insegurança alimentar grave. Entre pessoas com 65 anos ou mais, o índice era de 2,3%. Nessa condição, a comida diminui em quantidade e qualidade, inclusive para quem tem menos de 18 anos. 

    A renda pesa nessa conta. No mesmo ano, dois em cada três lares (66,1%) com renda per capita de até um salário mínimo estavam em algum grau de insegurança alimentar. O cenário melhorou em relação ao ano anterior, com a proporção de lares em insegurança alimentar grave caindo de 4,1% para 3,2% entre 2023 e 2024. Ainda assim, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social estima que 1,8 milhão de crianças e adolescentes seguiam em domicílios com insegurança alimentar grave em 2024.

    Na primeira infância

    O Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade Harvard chama de estresse tóxico a ativação intensa e prolongada do sistema de resposta ao estresse do corpo, sem a proteção de adultos de apoio. A pobreza extrema, a negligência, o abuso e a depressão materna grave estão entre as causas listadas pelo centro. Quando isso acontece nos primeiros anos, a arquitetura do cérebro em formação pode ser enfraquecida, com consequências de longo prazo para a aprendizagem, o comportamento e a saúde física e mental. 

    Nem toda criança que vive na pobreza passa por isso. A pesquisa mostra que a presença de adultos que acolhem e protegem funciona como uma “barreira”, e é por essa porta que entram a família apoiada, a creche, o posto de saúde e as organizações que atendem crianças no território.

    Quem pode mudar esse cenário?

    Quase tudo de que uma criança precisa no dia a dia vem de serviços locais: creche, escola, posto de saúde, assistência social. Em grande parte, eles ficam sob responsabilidade das prefeituras e dependem do que está no orçamento da cidade.

    É nesse ponto que a Fundação Abrinq atua. Por meio do Programa Prefeitas e Prefeitos Amigos da Criança, a organização acompanha os municípios no compromisso de colocar a infância no orçamento e nas decisões. Por isso, no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, vale levar uma pergunta ao seu prefeito, ao seu vereador e a quem pede o seu voto: quanto do orçamento da cidade vai para crianças e adolescentes? 

    E vale também apoiar quem faz esse trabalho todos os dias. Considere fazer uma doação e ajude a transformar vidas de quem mais precisa. Clique aqui.

  • Dia do Professor: valorizar quem ensina também é garantir os direitos de crianças e adolescentes

    Dia do Professor: valorizar quem ensina também é garantir os direitos de crianças e adolescentes

    Quando uma criança aprende a ler, resolve um problema de matemática, faz um amigo na turma ou descobre que pode ir mais longe do que imaginava, o mérito costuma ser atribuído ao próprio esforço ou ao apoio da família, mas por trás de cada uma dessas conquistas existe um professor que planejou a aula, adaptou a atividade para quem tinha mais dificuldade, percebeu que um aluno estava calado demais e encontrou o momento de conversar. No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente destaca o trabalho desses profissionais e lembra que reconhecê-los envolve condições de trabalho, oportunidades de formação e apoio das redes de ensino, porque a qualidade do que a escola oferece aos estudantes depende diretamente dessas condições.

    A data tem origem na lei de 1827, que criou as escolas de primeiras letras em todo o território nacional, e passou a ser comemorada oficialmente em 1963. Desde então, o trabalho docente ganhou novas atribuições, e hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura o acesso e a permanência dos estudantes na escola e determina que os dirigentes de estabelecimentos de ensino comuniquem ao Conselho Tutelar casos de maus-tratos, faltas injustificadas reiteradas, evasão escolar e níveis elevados de repetência, o que torna professores e equipes pedagógicas parte da rede que protege a infância e a adolescência.

    Na prática, esse conjunto de responsabilidades chega a profissionais que, em muitas redes públicas, trabalham com turmas numerosas, acesso limitado a materiais e poucas oportunidades de formação, e que ainda lidam em sala de aula com os efeitos da pobreza, da insegurança alimentar e da violência sobre a frequência e o desempenho dos alunos. Valorizar quem ensina, nesse cenário, significa garantir remuneração adequada e tempo de planejamento, ambos previstos na Lei do Piso Salarial desde 2008, assegurar formação continuada ligada à realidade das escolas, disponibilizar livros e materiais para o trabalho com as turmas e oferecer orientações mais eficazes sobre como agir diante de uma situação de risco, com respaldo da gestão e da rede de proteção.

    Para Cássia Moraes Targa Longo, líder da área de Educação da Fundação Abrinq, garantir o direito à educação de qualidade exige valorizar os professores, investir em formação continuada e aprimorar as práticas pedagógicas.

    “Acredito que garantir o direito à educação de qualidade passa, necessariamente, pela valorização docente, pelo investimento na formação continuada e pelo fortalecimento das práticas pedagógicas. Nos projetos de educação, reafirmamos esse compromisso reconhecendo os professores como protagonistas na promoção da aprendizagem, da equidade e do desenvolvimento integral. Valorizar o professor é reconhecer que a transformação da educação começa com quem, todos os dias, cria oportunidades e toma decisões para que cada estudante aprenda, se desenvolva e construa seu futuro”, afirma.

    Formação e materiais para quem alfabetiza

    É a partir dessa compreensão que a Fundação Abrinq desenvolve, desde 2023, o Projeto Alfabetiza, em parceria com secretarias municipais de educação, voltado aos anos iniciais do Ensino Fundamental. A iniciativa reúne professores, gestores e equipes pedagógicas das redes parceiras em encontros de formação, reflexão e troca de experiências sobre o ensino e a aprendizagem da leitura e da escrita, e oferece materiais e ferramentas de apoio ao trabalho desenvolvido nas escolas, de modo que os educadores participem como protagonistas do processo e não apenas como executores de uma metodologia definida por terceiros.

    Em 2026, o projeto está presente em 63 escolas públicas, sendo 20 em Diadema-SP, 31 em Guarulhos-SP e 12 em Pedro Leopoldo-MG, município que passou a integrar a iniciativa neste ano, e as ações alcançam mais de 10 mil crianças no ciclo de alfabetização. Em Diadema-SP e Guarulhos-SP foram mantidos os encontros de formação continuada, e em Guarulhos-SP as discussões incluem a leitura como prática social e a formação de leitores, tema que os professores levam para as atividades de sala de aula e para o trabalho com as famílias.

    Neste ano, a Fundação também doou mais de 3.600 materiais pedagógicos às escolas participantes, entre eles mais de 1.200 livros de literatura infantil e infantojuvenil, mais de 2.300 gibis e 180 jogos pedagógicos, que passam a integrar os acervos das unidades e ficam à disposição de professores e estudantes durante o ciclo de alfabetização. O acompanhamento do trabalho nas escolas permite apoiar os profissionais no planejamento das ações e ajustar as práticas às necessidades de cada turma.

    Uma rede para sustentar o trabalho da escola

    A atuação da Fundação Abrinq na educação, que defende acesso e qualidade em todas as etapas da educação básica, inclui também o Programa Prefeitas e Prefeitos Amigos da Criança, criado em 1996 para orientar gestores municipais na elaboração de políticas públicas para a infância e a adolescência, e o Programa Creche para Todas as Crianças, que trabalha pela ampliação do acesso à educação infantil. Em todas essas frentes, a formação de profissionais ocupa lugar central, já que são os educadores que levam para a sala de aula o que está previsto em leis, planos e programas.

    A proteção de crianças e adolescentes, por sua vez, não deve recair sobre os professores de forma isolada. Identificar uma situação de risco exige orientação, acolhimento e encaminhamento aos serviços responsáveis, com a participação da gestão escolar, o diálogo com as famílias e a articulação com a rede de proteção, e é a atuação conjunta do poder público, das escolas, das famílias e das organizações da sociedade civil que cria as condições para que meninas e meninos aprendam, convivam e se desenvolvam com segurança.

    Neste 15 de outubro, a Fundação Abrinq convida a sociedade a reconhecer o trabalho de quem acompanha crianças e adolescentes todos os dias nas escolas e lembra que as formações para professores e a distribuição de materiais pedagógicos são possíveis graças a empresas e pessoas que acreditam na educação e contribuem para que essas iniciativas cheguem a mais profissionais e escolas. Se quiser fazer parte dessa rede pode se tornar doador da Fundação Abrinq e contribuir para que mais escolas e profissionais recebam apoio.

  • Dia das Crianças sem telas: o que fazer com crianças além do celular e do videogame?

    Dia das Crianças sem telas: o que fazer com crianças além do celular e do videogame?

    Celular, televisão, videogame, computador, as telas fazem parte da rotina de crianças e adolescentes e ocupam um espaço cada vez maior na forma como eles estudam, se divertem, conversam e descobrem o mundo. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 92% das pessoas de 9 a 17 anos no país usam a internet, o equivalente a 24,5 milhões de crianças e adolescentes. Para 96% deles, o celular é o principal meio de acesso, e 74% afirmam usar a internet várias vezes ao dia.

    Diante desse cenário, falar sobre um Dia das Crianças sem telas não significa tratar a tecnologia como inimiga ou imaginar uma infância desconectada da realidade. A questão é garantir que existam outras possibilidades de ocupar o tempo, descobrir interesses, conviver, criar e brincar. Museus, bibliotecas, livros, parques, espaços culturais e brincadeiras podem abrir caminhos para experiências que não dependem de uma tela.

    A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), orienta que o uso de dispositivos digitais seja adequado à idade e à etapa de desenvolvimento da criança e do adolescente, considerando também a importância da convivência familiar, da prática de atividades físicas, do contato com a natureza e de momentos de descanso e interação.

    Quando essas oportunidades existem, a criança pode escolher entre diferentes formas de estar no mundo e o acesso a elas também está relacionado ao direito à cultura, ao lazer e ao brincar, previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

    E-book reúne brincadeiras para fazer junto

    Nem toda alternativa às telas precisa envolver uma programação cultural ou uma saída de casa. Brincar continua sendo uma das formas mais importantes de crianças explorarem o mundo, desenvolverem a criatividade, movimentarem o corpo e construírem relações.

    Brincadeiras simples também podem transformar uma tarde, inventar uma história, montar uma cabana, desenhar, brincar de caça ao tesouro, jogar bola, criar um jogo com materiais disponíveis em casa ou simplesmente sair para observar o bairro são possibilidades que não dependem de equipamentos sofisticados. O que elas exigem é tempo, presença e espaço para a imaginação.

    Para ajudar famílias e educadores a encontrar novas ideias para brincar com as crianças, a Fundação Abrinq disponibiliza gratuitamente o e-book “Brincar Junto! Guia de brincadeiras para crianças e adultos”. A publicação reúne atividades que podem ser realizadas por crianças e adultos, com propostas que estimulam a criatividade, o movimento e a interação.

    Entre as opções estão brincadeiras como Prancha de Pirata, Bola no Labirinto, Foguete Turbo e Teia Gigante, que podem ser adaptadas de acordo com o espaço, os materiais disponíveis e a idade das crianças. Baixe gratuitamente o e-book “Brincar Junto! Guia de brincadeiras para crianças e adultos” e escolha uma brincadeira para experimentar em família.

    Crianças lendo

    O que fazer no Dia das Crianças longe das telas?

    Para muitas famílias, diminuir o tempo diante dos dispositivos pode parecer difícil justamente porque o celular e o videogame estão sempre disponíveis. Por isso, criar alternativas não precisa significar organizar uma grande programação e pequenas mudanças na rotina podem abrir espaço para outras experiências.

    Visitar uma biblioteca: escolher um livro juntos, conhecer o espaço e deixar que a criança escolha o que gostaria de ler pode transformar a relação com a leitura.

    Conhecer um espaço cultural: museus, centros culturais, exposições e equipamentos públicos podem oferecer programações gratuitas ou acessíveis para diferentes idades.

    Explorar a cidade: um passeio por um parque, uma praça, um mercado, uma feira ou um lugar histórico pode virar uma oportunidade para observar e conhecer melhor o lugar onde se vive.

    Resgatar uma brincadeira: amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, bola, desenho e jogos de tabuleiro continuam sendo boas opções para reunir crianças e adultos.

    Criar alguma coisa juntos: cozinhar, desenhar, construir um brinquedo, inventar uma história ou montar uma apresentação em família pode ocupar uma tarde inteira e ainda render novas lembranças.

    Deixar espaço para o ócio: nem todo momento precisa ser planejado e ter tempo livre também permite que a criança invente o que fazer, experimente interesses e desenvolva a própria imaginação.

    Criança brincando no parque

    Uma infância com mais possibilidades

    As telas fazem parte da vida contemporânea e continuarão fazendo parte da infância e da adolescência. O desafio está em garantir que elas não sejam a única opção disponível para aprender, se divertir, descansar e se relacionar.

    O acesso à cultura, à leitura, ao lazer e ao brincar amplia o repertório de crianças e adolescentes e cria oportunidades para que conheçam novos lugares, histórias, pessoas e formas de expressão. Para que isso aconteça, porém, é preciso que essas experiências estejam ao alcance deles.

    É nesse caminho ao aproximar crianças e adolescentes de espaços culturais, livros, bibliotecas, brincadeiras e outras formas de convivência, os projetos ajudam a criar uma infância com diferentes possibilidades de descoberta.

    Neste Dia das Crianças, trocar algumas horas de tela por um passeio, um livro, uma brincadeira ou uma descoberta pela cidade pode ser um convite simples para experimentar outras formas de ocupar o tempo. Para muitas crianças, ter acesso a essas experiências pode significar também descobrir algo que ainda não conheciam sobre o mundo e sobre si mesmos.

  • Visitas técnicas aproximam Fundação Abrinq de organizações de diversas regiões do Brasil

    Visitas técnicas aproximam Fundação Abrinq de organizações de diversas regiões do Brasil

    Acompanhar de perto quem faz o trabalho no território é parte do compromisso da Fundação Abrinq com a garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Por meio do Programa Nossas Crianças, com o apoio da Fundação Rainer Blickle, a Fundação Abrinq assessora técnica e financeiramente organizações da sociedade civil (OSCs) que desenvolvem projetos voltados a esse público. Uma das formas de acompanhar essa parceria é por meio das visitas técnicas presenciais.

    Nesses encontros, a equipe da Fundação Abrinq conhece a estrutura das organizações, acompanha as atividades, conversa com educadores, famílias, crianças e adolescentes e procura compreender a realidade dos territórios onde os projetos acontecem. As visitas também permitem conferir, na prática, o que foi apresentado no Marco Zero, etapa inicial da parceria, e abrir espaço para trocas sobre planejamento, monitoramento e articulação com a rede de proteção.

    Em julho e setembro, a Fundação Abrinq visitou 16 organizações conveniadas em diferentes estados. Saiba um pouco mais sobre como foi cada visita.

    Julho

    Instituto Claret Solidariedade e Desenvolvimento Humano (ICSDH), São Paulo – SP

    Claret

    O Instituto Claret desenvolve o Serviço de Proteção Social às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (SPVV), com atuação nos territórios de Brasilândia, Pirituba e Perus. Os serviços atendem crianças e adolescentes que vivenciaram ou testemunharam situações de violência e oferecem acolhimento, acompanhamento psicossocial e ações de proteção e desenvolvimento integral. São três unidades, com equipes técnica, pedagógica e de gestão que trabalham de forma articulada e mantêm diálogo com a rede de proteção, fazendo encaminhamentos e acompanhando os casos.

    O projeto Brincar para Crescer, apoiado pela Fundação Abrinq, tem como objetivo garantir o direito ao brincar em contextos de vulnerabilidade social, usando o brincar como instrumento de proteção e de fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. Entre as ações estão oficinas culturais e interdisciplinares, jogos simbólicos, resgate de brincadeiras tradicionais, atividades ao ar livre, oficinas com famílias, formação de multiplicadores e ações de sensibilização da comunidade sobre a importância do brincar e a prevenção das violências.

    A equipe da Fundação Abrinq visitou as três unidades do SPVV, conheceu os espaços de atendimento e de brincar e entendeu como os fluxos são organizados. Um dos destaques foi a metodologia em cinco etapas, que orienta o acompanhamento de crianças, adolescentes e famílias desde o primeiro encontro e a anamnese até os atendimentos, o acompanhamento e a devolutiva. Todas as equipes conhecem e compartilham a metodologia, o que organiza o atendimento e ajuda a prevenir a revitimização.

    A articulação com a rede de proteção e com os territórios também esteve entre os pontos observados. Os SPVVs fazem encaminhamentos, acompanham os desdobramentos dos casos e realizam visitas domiciliares. As unidades de Brasilândia e Perus mostraram maior proximidade com os atores locais. Os materiais pedagógicos, entre jogos, brinquedos e livros, também foram apresentados à equipe da Fundação Abrinq, incluindo recursos específicos para abordar a violência por meio do brincar.

    Instituto Cultural e Esportivo Meu Futuro, Guarulhos – SP

    meu futuro

    Mantido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, o Instituto atua desde 2002 no Jardim Primavera, na zona norte de Guarulhos, com ações socioeducativas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Por meio do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, oferece, no contraturno escolar, acompanhamento pedagógico, oficinas de artes e cultura, atividades físicas e esportivas e capacitação profissional.

    O projeto Construindo o Futuro atende 80 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, com atividades lúdicas, pedagógicas, esportivas, culturais e de inclusão social. O objetivo é contribuir para a permanência e a melhora do desempenho escolar por meio do desenvolvimento integral dos participantes.

    Na visita, a equipe da Fundação Abrinq acompanhou as atividades, procurou entender a realidade do território e o impacto do projeto e avaliou se a infraestrutura e os recursos utilizados no atendimento são adequados ao que a iniciativa propõe. Também houve um momento de escuta com a equipe executora e com os atendidos sobre resultados, desafios e potencialidades do trabalho. A conversa ajudou a identificar oportunidades de aprimoramento da parceria.

    Educandário Deus e a Natureza, Indaiatuba – SP

    Educandário

    O Educandário atua em Indaiatuba com ações de promoção do desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e famílias. Mantém articulação com escolas e serviços da rede de proteção e de atenção psicossocial do território e desenvolve ações de prevenção, acompanhamento e promoção da saúde mental. A estrutura é ampla, distribuída em quatro andares, com salas de atividades, refeitório, cozinha, auditório, espaços para oficinas e recursos de acessibilidade. O local também é utilizado em encontros e ações conjuntas da rede.

    O projeto Florescer promove a saúde mental de crianças e adolescentes por meio do desenvolvimento socioemocional e relacional, com foco nos vínculos familiares e comunitários e nas redes de apoio. As ações incluem atividades em grupo, vivências, atividades expressivas e criativas, rodas de conversa, espaços de autoconhecimento, construção de projetos de vida, encontros com famílias, atendimentos individuais e mediação de conflitos.

    Durante a agenda, a equipe da Fundação Abrinq acompanhou atividades do projeto e conheceu o fluxo de entrada e acompanhamento dos participantes. Eles podem chegar por encaminhamento da rede, dos serviços, de outros projetos da organização ou por indicação de outros atendidos e passam por uma entrevista social que orienta a inserção nas atividades.

    A organização apresentou um ecomapa dos serviços do território e um formulário de avaliação de risco criado para apoiar as escolas nos encaminhamentos à rede. A qualidade técnica da equipe também apareceu nos relatos de mães e responsáveis, que contaram sobre mudanças e evolução dos atendidos.

    Foi possível observar ainda os efeitos do apoio da Fundação Abrinq no dia a dia do projeto. Uma sala que antes tinha basicamente paredes brancas e mesas foi reestruturada com recursos do convênio e hoje reúne materiais e elementos que qualificam o ambiente e facilitam as atividades.

    Ação Educacional Claretiana, Rio Claro – SP

    Claretiana

    O Centro Social Esportivo Claretiano Terra Nova é uma instituição filantrópica mantida pela Ação Educacional Claretiana. Desde 2008, oferece atendimento socioeducativo e esportivo a crianças e adolescentes do território de Terra Nova, região periférica de Rio Claro, e acolhe também as famílias em um espaço de convivência, aprendizado e vínculos comunitários.

    O projeto Brincar é Direito: Fortalecendo Infâncias e Comunidades atende 200 crianças com atividades lúdicas, culturais e esportivas. As oficinas de futebol e circo desenvolvem habilidades socioemocionais, enquanto os encontros de convivência familiar aproximam as famílias do trabalho da organização.

    A equipe da Fundação Abrinq acompanhou a execução das oficinas, avaliou a infraestrutura e os recursos disponíveis e observou as estratégias utilizadas para envolver as famílias. Educadores, crianças, adolescentes e familiares compartilharam percepções sobre resultados, desafios e potencialidades.

    Em reunião com a equipe técnica e os educadores, foram discutidas ideias e sugestões para o planejamento das oficinas de circo e futebol. A visita também mostrou a importância do apoio para as crianças atendidas, principalmente na oferta de alimentação de qualidade e de materiais pedagógicos utilizados nas atividades.

    “Receber a visita da Fundação Abrinq foi uma experiência enriquecedora e gratificante. Foi uma oportunidade ímpar de apresentar de perto a rotina do nosso Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, permitindo que a equipe vivenciasse a realidade do nosso território e conhecesse mais de perto a importância do trabalho realizado com as crianças e os adolescentes atendidos. Agradecemos imensamente a atenção, a sensibilidade e o olhar humanizado da Fundação Abrinq junto às instituições parceiras, especialmente aos representantes que estiveram conosco.”

    Patricia Radirge, coordenadora da Ação Educacional Claretiana

    Setembro

    Associação Projeto Educa Basquete, Serra – ES

    peb

    A Associação atua em Serra, no Espírito Santo, com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Utiliza o esporte, atividades socioeducativas e ações de desenvolvimento integral para promover cidadania, autonomia e proteção. O atendimento acontece em dois polos, Boa Vista e Bicanga, e conta com espaços da comunidade e parcerias que ampliam as possibilidades de atuação.

    O projeto Educa Basquete oferece oficinas de basquete, jiu-jitsu, informática e cidadania, além de ações de desenvolvimento socioemocional, prevenção de violências, inclusão digital, acesso à cultura e ao lazer, orientação às famílias e encaminhamentos à rede de proteção.

    Na visita, a equipe da Fundação Abrinq acompanhou as oficinas de cidadania, basquete, informática e jiu-jitsu e o lanche dos participantes. A combinação de práticas esportivas, cidadania e inclusão digital foi possível a partir da parceria.

    Também foi possível observar como a organização utiliza o recurso mensal para a compra de materiais pedagógicos e esportivos. Nos dois polos, há jogos, brinquedos sobre prevenção da violência e materiais para as atividades de basquete, armazenados de forma organizada.

    A equipe da organização reúne profissionais das áreas social, psicológica, administrativa, esportiva e educacional. Nas trocas com a equipe executora, a Fundação Abrinq destacou a importância de reuniões periódicas de planejamento e monitoramento e de estudos de caso para discutir conjuntamente as situações que demandam maior atenção.

    A agenda incluiu ainda uma visita domiciliar, que permitiu conhecer o território onde vivem os participantes e observar a relação da organização com as famílias. Os espaços cedidos por parceiros e pela comunidade também demonstraram a articulação da iniciativa com diferentes atores locais.

    “A visita e o acompanhamento da Fundação Abrinq foram muito construtivos para nossa instituição. Ao longo dos dois dias, tivemos a oportunidade de apresentar os serviços oferecidos às crianças e aos adolescentes do território de Bicanga. Também visitamos uma das famílias atendidas, o que permitiu conhecer de perto a realidade de vulnerabilidade vivenciada por parte do nosso público e compreender melhor as intervenções realizadas junto às famílias. Agradecemos pela visita, pela troca de experiências e pela parceria. Esperamos recebê-los novamente em nossa instituição em breve!”

    Claudio Monteiro, presidente da Associação Projeto Educa Basquete

    Associação de Pais, Mães e Amigos do Autista de Chapecó e Região, Chapecó – SC

    AMA chapeco

    A AMA Chapecó atende crianças e adolescentes autistas e seus familiares, com atividades de educação complementar, desenvolvimento de habilidades, autonomia e inclusão social. A estrutura é ampla e diversificada, com salas para diferentes atividades, espaço de estimulação precoce, sala de costura, horta, parquinho, sala de sublimação e ambientes destinados aos adolescentes. A organização também realiza ações em parceria com a rede do território, como a cinoterapia, realizada com a Guarda Municipal de Chapecó.

    O Projeto Fortalecer promove o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes autistas, cuidadores e familiares, com oficinas de artesanato, musicalização, rodas de conversa e atividades para mães e responsáveis, como as oficinas de costura. A iniciativa também prevê articulação com as políticas públicas de saúde, educação e assistência social, visitas institucionais e encaminhamentos à rede de proteção.

    Durante a visita, foram acompanhadas atividades de sublimação, horta, culinária, estimulação precoce e a oficina de costura para mães e responsáveis. Os espaços são organizados de acordo com os públicos atendidos, com destaque para a área de estimulação precoce.

    Na oficina de culinária, os participantes prepararam rosquinhas que depois foram consumidas como lanche, em uma atividade que combinou aprendizagem e novas experiências alimentares.

    Os materiais pedagógicos adquiridos com a parceria da Fundação Abrinq estão guardados em espaço específico e são utilizados nas atividades. A agenda também permitiu uma troca de conhecimentos sobre a articulação com a rede de proteção e assistência social do território, sobretudo por meio de estudos de caso realizados com o CRAS.

    Associação ONG Casa de Jairo, Blumenau – SC

    oficina de reforço

    A Associação Casa de Jairo desenvolve ações de educação complementar para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, com foco no desenvolvimento integral, nos vínculos e na construção de perspectivas de futuro. O espaço conta com quadra esportiva, salas de atividades, biblioteca, brinquedoteca e sala de informática. A organização também oferece alimentação e acompanhamento educacional.

    O projeto trabalha habilidades socioemocionais e competências para a vida, com ações voltadas à autoestima, autonomia, capacidade de lidar com emoções e construção de projetos de vida. Entre as atividades estão grupos de conversa, oficinas de profissões, comunicação, resolução de problemas, expressão artística e dinâmicas de integração.

    A equipe da Fundação Abrinq acompanhou atividades de reforço escolar, música, informática e futebol e conheceu os diferentes espaços da instituição. Também chamou atenção a oferta de café da manhã, almoço e café da tarde durante a permanência dos atendidos, com apoio de nutricionistas ligadas a instituições de ensino parceiras.

    Os representantes conheceram ainda o acompanhamento educacional realizado pela equipe. Nesse momento, foram dadas orientações sobre o uso dos instrumentos que identificam as necessidades dos adolescentes e os direcionam ao reforço escolar. A conversa também destacou a importância da articulação com o CRAS, que realiza estudos de caso e troca informações com a equipe sobre as famílias e os atendidos.

    “Foi uma grande satisfação receber a Fundação Abrinq. A visita foi muito importante para nós, pois, além da troca de experiências, os apontamentos realizados contribuíram para identificarmos aspectos que poderiam ser aprimorados em nosso trabalho. As reflexões e orientações proporcionadas por ela já geraram mudanças significativas e certamente contribuirão para fortalecermos ainda mais nossas ações em benefício das crianças e adolescentes atendidos.”

    Luis Henrique, psicólogo da Associação Casa de Jairo

    Grupo Comunitário Semente da Esperança, São Luís – MA

    semente

    O Grupo Comunitário Semente da Esperança está na comunidade do Coroadinho, em São Luís, e atende crianças, adolescentes e famílias do território. Mantém uma creche e uma biblioteca comunitária, que funciona em espaço independente e está aberta à comunidade.

    A atuação é marcada pela proximidade com as famílias e pelo vínculo com o território. A equipe acompanha casos e articula com a rede de proteção para prevenir e enfrentar situações de violência.

    O projeto promove a cultura de paz e a prevenção da violência doméstica e sexual entre crianças e adolescentes de 6 a 18 anos. As atividades incluem oficinas sobre convivência, empatia e respeito, jogos cooperativos, cinema educativo com debates, apresentações de teatro, música, poesia e dança e o Círculo da Paz, espaço permanente de diálogo.

    Também são realizadas rodas de conversa, campanhas e mutirões com famílias e comunidade e ações de capacitação da rede de proteção.

    Na visita, a equipe da Fundação Abrinq acompanhou atividades que aconteciam simultaneamente na biblioteca e na creche. A leitura é uma das principais ferramentas utilizadas pela organização para tratar da prevenção da violência, com leituras e rodas de conversa sobre violência sexual, doméstica e institucional e sobre cultura e identidade, com valorização da cultura afro-brasileira.

    Com a parceria da Fundação Abrinq, a organização ampliou seu repertório de livros e outros recursos sobre esses temas, utilizados na biblioteca e na creche.

    A agenda também incluiu uma visita domiciliar e permitiu observar a inserção da organização no território. As visitas às famílias fazem parte do projeto, enquanto a articulação com a rede de proteção envolve os profissionais responsáveis pelo acompanhamento e pelos encaminhamentos. A família visitada reconheceu a organização como uma referência próxima e destacou seu apoio na articulação com a rede socioassistencial.

    “Receber a Fundação Abrinq em nossa instituição foi muito importante para nós. A visita trouxe uma sensação de proximidade com a parceria e também foi uma oportunidade para que a Fundação pudesse vivenciar de perto o nosso trabalho. Toda a nossa equipe agradece pela parceria. Já estamos ansiosos pela próxima visita, em 2027. Fica o nosso sentimento de gratidão e um abraço carinhoso para toda a equipe da Fundação Abrinq!”

    Wandeth Cunha, coordenadora do Grupo Comunitário Semente da Esperança.

    Associação Comunitária Estiva Buris de Abrantes, Camaçari – BA

    Abrantes

    A Associação atua na garantia de direitos de crianças e adolescentes por meio da creche e da educação complementar. A estrutura é ampla, conservada e acolhedora, com salas de atendimento e atividades pedagógicas, espaços para brincar, ambientes para refeições e atendimento às famílias, cozinha equipada e espaços voltados à geração de renda para a comunidade.

    A equipe reúne profissionais das áreas pedagógica, social e psicológica, que acompanham as crianças de forma integrada e fazem encaminhamentos para a rede de proteção.

    O projeto Infâncias Brincantes: Futuro Brilhante assegura o direito ao brincar para crianças e adolescentes de 2 a 12 anos, com oficinas lúdicas e cooperativas, atividades sensoriais, rodas de música, contação de histórias, jogos de encaixe, psicomotricidade, oficinas artísticas e teatro. Também prevê a participação das famílias, o estímulo à brincadeira em casa, o resgate de brincadeiras tradicionais e culturais e a produção de uma cartilha ou livro comunitário de brincadeiras.

    A visita coincidiu com a inauguração da brinquedoteca, montada com materiais comprados com recursos da parceria. O novo espaço ampliou as possibilidades de atividades ligadas ao brincar. Os materiais pedagógicos são variados, estão em boas condições e foram considerados pertinentes às necessidades do público atendido.

    A equipe da Fundação Abrinq também acompanhou a atuação da organização com as famílias e o território e realizou três visitas domiciliares. As famílias relataram percepções positivas sobre o trabalho e destacaram as contribuições do brincar para o desenvolvimento das crianças. A integração entre as áreas técnica e pedagógica e a articulação com a rede de proteção também fizeram parte das observações da agenda.

    “Recebemos recentemente a visita da representante da Fundação Abrinq para acompanhar o andamento das ações do projeto Infâncias Brincantes: Futuro Brilhante. Durante a visita, apresentamos os avanços do projeto na comunidade de Vila de Abrantes, realizamos visitas às famílias atendidas e inauguramos nossa brinquedoteca. Na ACEBA, acreditamos que uma infância com mais brincadeiras é também uma infância com mais possibilidades de aprendizagem, convivência e desenvolvimento”

    Eliete Faustina, gestora da Associação Comunitária Estiva Buris de Abrantes

    Centro de Educação para o Trabalho Virgilio Resi, Belo Horizonte – MG

    projeto

    A organização tem sede na zona norte de Belo Horizonte, região marcada por altos índices de vulnerabilidade social. Atua na inclusão social, educativa e produtiva de adolescentes, jovens e adultos, com oficinas de educação profissional, cultura, direitos humanos e tecnologias digitais, guiadas pelo protagonismo juvenil e pelo vínculo com a comunidade.

    O projeto Pré-Aprendizagem, Caminhos para o Futuro, prepara adolescentes de 14 a 15 anos em situação de vulnerabilidade social para entrar no programa de aprendizagem e trabalho protegido. A proposta reúne atividades de desenvolvimento socioemocional, oficinas de tecnologias digitais e rodas de conversa sobre os direitos da criança e do adolescente.

    Os participantes serão encaminhados posteriormente para o programa de aprendizagem da organização, que utiliza a metodologia Educar Trabalhando. Nela, o curso é realizado por meio da simulação de atividades práticas da área em que os jovens estão empregados, em um sistema desenvolvido por um ex-aluno.

    Na visita, a equipe da Fundação Abrinq procurou entender a realidade do território, uma confluência de bairros da periferia de Belo Horizonte com desafios ligados à evasão escolar no ensino médio. Também acompanhou as atividades e conheceu a equipe executora.

    A experiência permitiu observar o curso de pré-aprendizagem como uma porta de entrada para o primeiro emprego e parte do trabalho em rede com escolas parceiras para a redução da evasão. A agenda também mostrou a atuação da organização no enfrentamento ao trabalho infantil por meio da aprendizagem profissional e da inserção dos adolescentes no mundo do trabalho.

    “A visita das técnicas da Fundação Abrinq foi um momento muito importante para o nosso projeto. A presença da equipe possibilitou conhecer mais de perto os adolescentes, suas famílias, a escola parceira e o trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo do projeto. Mais do que acompanhar as atividades, a visita criou oportunidades de escuta e troca, permitindo que os próprios jovens, familiares e profissionais da escola compartilhassem as mudanças percebidas nesse percurso. Foram relatos que evidenciaram avanços na autoestima, na convivência, na autonomia, na participação e na forma como os adolescentes passaram a olhar para suas possibilidades de futuro. Para nós, foi também um momento de reafirmar o valor da parceria com a Fundação Abrinq e a importância de um acompanhamento próximo, que considere não apenas os resultados das atividades, mas também as transformações que vão acontecendo na vida dos adolescentes e nas relações que eles constroem com a família, a escola e a comunidade.”

    Elenice Matos, diretora do Centro de Educação para o Trabalho Virgilio Resi

    Instituto Acolher Macapá, Macapá – AP

    Macapá

    Fundado em 2012, inicialmente com o nome Projeto Arca Sustentável, e formalizado como Instituto Acolher Macapá em 2022, o Instituto atua com crianças e adolescentes que moram em áreas de ressaca de Macapá, com atividades educacionais, culturais, artísticas e esportivas.

    A organização tem presença na comunidade e participa do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), além de manter articulação com outros órgãos. Também faz a ponte entre a comunidade e o poder público, ajudando a identificar demandas e articular respostas às necessidades do território.

    O projeto Campeões de Palafitas contribui para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e sexual contra crianças e adolescentes, com atividades pedagógicas, acompanhamento psicossocial e ações com famílias e atores do território.

    As atividades acontecem de segunda a sexta-feira, pela manhã e à tarde, para crianças de 5 a 11 anos e adolescentes de 12 a 17 anos. A programação inclui oficinas de dança, informática e violão, grupos socioeducativos, rodas de conversa, palestras, eventos culturais e atividades recreativas.

    A equipe da Fundação Abrinq conheceu o contexto de vulnerabilidade de quem vive em casas de palafitas e a forma como a organização se insere no território e se articula com a comunidade e a rede de proteção.

    Outro ponto observado foi o vínculo entre crianças, adolescentes e educadores, percebido na relação dos participantes com o espaço e na forma como demonstram carinho e pertencimento à organização.

    “Foram três dias intenso e muito especiais. Dentro da visita técnica foi muito importante o olhar de gestão, a forma como a equipe da Fundação Abrinq nos fez o projeto do ponto de vista de gestão e tentar sistematizar os processos. Também fizeram a gente observar a organização como um todo. Foi um tempo muito bom para nossa equipe ser fortalecida com as trocas que tivemos. Foi muito legal. A visita termina fazendo com que a gente veja coisas que a gente não vê. É muito importante”.

    Luiz José dos Santos Neto, presidente do Instituto Acolher Macapá

    Fundação Fé e Alegria do Brasil, Boa Vista – RR

    A Fundação Fé e Alegria é uma organização de promoção social e educação popular da Companhia de Jesus, com ações em educação, formação profissional, esporte, arte, cultura e assistência social.

    Em Boa Vista, mantém o Centro Social São Francisco Xavier, que atende 130 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos no contraturno escolar, além das famílias. A maior parte do público é formada por crianças refugiadas e migrantes venezuelanas em situação de extrema vulnerabilidade, além de crianças brasileiras.

    O projeto Cuidar é Acolher: Saúde Mental e Fortalecimento de Vínculos em Boa Vista busca promover o desenvolvimento emocional, social e comunitário das crianças e adolescentes. Por meio do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, oferece oficinas de informática, ecologia integral, criatividade, música, arte e lazer, além de exposições, passeios e atividades de integração.

    O projeto também inclui ações com as famílias e articulação com as redes de assistência social, saúde e educação.

    Na visita, a equipe da Fundação Abrinq conheceu o contexto de vulnerabilidade vivido por crianças e adolescentes migrantes e refugiados e acompanhou as estratégias utilizadas pela organização para responder às necessidades desse público. Também observou os processos de acompanhamento dos participantes, a relação entre equipe, crianças, adolescentes e famílias e a articulação com as redes de assistência social, saúde e educação.

    Centro Despertar da Criança e do Adolescente, Guajará-Mirim – RO

    despertar

    O Centro Despertar atende crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade com ações de educação, assistência social, cultura, esporte e formação profissional. São cerca de 480 crianças, adolescentes, jovens e adultos atendidos por ano, com reforço escolar, artesanato, música e futebol no contraturno e cursos semiprofissionalizantes de mecânica, panificação e corte e costura.

    O trabalho é desenvolvido em parceria com escolas, famílias e outras instituições.

    O projeto Sementes do Amanhã amplia as oportunidades de desenvolvimento do público atendido e trabalha trajetória escolar, autoestima, protagonismo e autonomia. Combina reforço escolar, atividades culturais e esportivas e oficinas de formação, com destaque para o artesanato como forma de desenvolver habilidades, valorizar os saberes locais e estimular o empreendedorismo e a geração de renda.

    As ações acontecem todos os dias, com duas turmas, pela manhã e à tarde.

    A visita permitiu observar como as diferentes atividades se integram à proposta do Centro. As oficinas de artesanato têm papel importante na valorização dos conhecimentos e elementos culturais do território, além de estimular criatividade e protagonismo.

    Também foi possível acompanhar a integração entre reforço escolar, esporte, música, artesanato e formação profissional, oferecendo experiências de aprendizagem e convivência de acordo com as faixas etárias e necessidades dos participantes.

    Centro de Assistência Social Divina Misericórdia (CASDM), Curitiba – PR

    Divina brincadeira

    O CASDM foi fundado em 1983, na região sul de Curitiba, para atender a população das oito vilas que formavam a Cidade Industrial de Curitiba. Na época, a região enfrentava a falta de água encanada, saneamento básico, energia, creches, escolas e postos de saúde.

    A organização nasceu como espaço de convivência e cidadania e também de articulação e formação de lideranças comunitárias. Desde 2007, atende crianças e adolescentes por meio do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e hoje conta com quatro unidades.

    O projeto Divina Brincadeira atende 170 crianças e adolescentes de 6 a 17 anos e une inclusão social e ludicidade como ferramentas de aprendizagem, com oficinas de jogos, brincadeiras e leitura que estimulam o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social.

    Na visita, a equipe da Fundação Abrinq conheceu a história da organização e sua relação com a comunidade, especialmente a luta pelo acesso a direitos básicos no território. Também acompanhou o trabalho intergeracional e conheceu a metodologia utilizada, apresentada pela organização como uma experiência pouco comum no Brasil.

    A agenda permitiu ainda observar o repertório da equipe técnica e pedagógica, a formação dos profissionais e o grupo de estudos criado para aprimorar as ações da organização, atualmente dedicado ao atendimento de crianças neurodivergentes.

    “A visita técnica que recebemos em nossa instituição foi uma oportunidade de estreitar os laços com a Fundação Abrinq, compartilhando um pouco do nosso cotidiano, de nossa missão, de nossos valores e sonhos. Ao longo desses dias, a representante da Fundação Abrinq demonstrou sincero interesse em conhecer as potencialidades do trabalho desenvolvido, encorajar a equipe e sugerir caminhos que ainda não havíamos vislumbrado. Foram dias de aprofundamento do olhar técnico sobre o projeto, mas também de afeto e trocas calorosas com as crianças beneficiadas pela parceria. Ao final, ficou a sensação acolhedora de que não estamos sozinhos em nossa caminhada de transformação social.”

    Danilo Pena, assessor de Desenvolvimento Institucional do Centro de Assistência Social Divina Misericórdia

    Instituto Conforme, Joinville – SC

    conforme

    O Instituto Conforme foi fundado pela Comunidade Siloé e tem a missão de prestar assistência social à comunidade do bairro Morro do Meio, região periférica de Joinville.

    Entre as atividades estão serviços de assistência social, atendimento psicológico gratuito, oficinas de artesanato e costura e atendimento psicopedagógico de crianças neurodivergentes.

    O Programa Caminho Inclusivo oferece, no contraturno escolar, atendimento psicopedagógico para crianças autistas nível 1 e com TDAH de 6 a 10 anos. Acolhe também as famílias, apoiando o processo de diagnóstico, encaminhando responsáveis para atendimento psicológico e oferecendo orientações de acordo com as necessidades identificadas pela equipe técnica.

    A visita permitiu à equipe da Fundação Abrinq conhecer as especificidades do território e a realidade das famílias atendidas, incluindo situações de abandono paterno e as demandas enfrentadas por mães solo de crianças neurodivergentes.

    A equipe acompanhou as atividades do projeto, com destaque para o atendimento psicopedagógico realizado por meio da ludicidade. Também foi possível observar a relação do Instituto com as famílias e a comunidade, presente em iniciativas como o bazar beneficente, a entrega de alimentos e o acolhimento psicológico gratuito.

    “Receber a representante da Fundação Abrinq no Instituto Conforme foi muito especial para nós. Foi uma visita muito tranquila, acolhedora e, principalmente, uma oportunidade de mostrar de perto a realidade do nosso território, conhecer as famílias e compartilhar um pouco do trabalho que realizamos diariamente por meio do Programa Caminho Inclusivo. Durante a visita, a representante acompanhou as oficinas, observou as atividades, interagiu com as crianças e vivenciou um pouco da nossa rotina. Essa presença nos trouxe ainda mais segurança e mostrou a importância dessa troca entre a Fundação Abrinq e a instituição. Poder conversar, ouvir, compartilhar experiências e também receber esse olhar externo contribuiu para identificarmos possibilidades de melhorias e fortalecermos cada vez mais o nosso atendimento. Para nós, essa parceria vai muito além do apoio: é uma construção conjunta em benefício das crianças e das famílias que atendemos.”

    Aline Stammerjohann, psicopedagoga do Instituto Conforme

    Associação Mão Amiga, Caxias do Sul – RS

    mão amiga

    A Associação Mão Amiga nasceu para apoiar crianças e famílias em situação de extrema vulnerabilidade social, sobretudo diante da falta de acesso à educação infantil pública em Caxias do Sul.

    Por iniciativa do Frei Jaime Bettega, criou o projeto Fortalecendo Famílias, que já beneficiou mais de 7 mil crianças ao contribuir para o acesso ao ensino infantil. Em 17 anos de existência, a organização ampliou sua atuação no município e hoje é responsável por 23 serviços de assistência social, de básica, média e alta complexidade.

    O projeto Infância Amiga utiliza a ludicidade para enfrentar a violência doméstica e sexual. Por meio de oficinas socioeducativas, estímulo ao protagonismo juvenil e participação comunitária, busca desenvolver autoconhecimento, autoestima, vínculo e confiança, aspectos trabalhados na prevenção da violência no território.

    Na visita, a equipe da Fundação Abrinq conheceu os profissionais responsáveis pela execução do projeto e observou o trabalho das psicólogas contratadas especificamente para as atividades.

    A agenda também permitiu compreender a abrangência da organização e sua atuação em diferentes serviços de assistência social. Entre os desafios identificados estão as necessidades materiais da unidade visitada, como a reforma do prédio onde o projeto acontece, além de possibilidades de melhorias e apoios futuros.

    “A visita foi excelente, tanto para alinharmos alguns fluxos quanto para apresentarmos nosso trabalho e a forma como desenvolvemos nossas atividades. Foi uma imersão presencial significativa, marcada por trocas efetivas e pelo compartilhamento de reflexões, projetos e da nossa missão. Agradecemos imensamente por essa oportunidade de estarmos juntos na luta por uma mesma causa. Agradecemos também à Fundação Abrinq pelo apoio técnico e financeiro, que tanto contribui para a manutenção e a qualificação das nossas atividades.”

    Adriano Malikoski, coordenador da Associação Mão Amiga

  • Jogos sobre mudanças climáticas e biodiversidade ganham espaço nas ações da Fundação Abrinq

    Jogos sobre mudanças climáticas e biodiversidade ganham espaço nas ações da Fundação Abrinq

    Jogos voltados a temas como mudanças climáticas, biodiversidade, florestas e preservação ambiental passaram a fazer parte das atividades de educação para o clima da Fundação Abrinq. Os materiais foram doados pelas fabricantes Asmodee e NIG, e já estão sendo usados nas oficinas realizadas pela Fundação Abrinq, além de serem entregues a escolas e organizações que participam das formações.

    A iniciativa integra o Programa Emergência Humanitária e se soma a outras ferramentas já utilizadas nas oficinas, como o Mural do Clima, voltado a educadores, e o Clima em Jogo, que atende educadores e estudantes. Com os novos jogos, a proposta é aproximar o debate sobre o clima da realidade de crianças e adolescentes, usando a dinâmica do jogo para falar de assuntos que fazem parte do presente deles.

    Confira abaixo os jogos doados

    A Asmodee doou 30 unidades de cada um dos seguintes títulos:

    • Earth
    • Daybreak
    • Forest Shuffle
    • 50 Árvores
    • 50 Animais Marinhos

    A NIG contribuiu com 18 unidades do jogo Cidade Limpa.

    As primeiras entregas

    A primeira escola a receber o material foi a Escola Estadual Professora Antonieta Di Lascio Ozeki, em Cotia – SP. A Fundação Abrinq realizou formações com 30 professores do Ensino Fundamental Anos Finais e do Ensino Médio e atividades com 301 estudantes do 6º ao 9º ano. Com os educadores, o destaque foi o Mural do Clima, que propõe organizar cartas sobre temas como efeito estufa, industrialização e derretimento de geleiras em uma sequência de causa e consequência. Com os estudantes, os jogos foram a porta de entrada para conversar sobre reciclagem, aquecimento global, preservação ambiental e biodiversidade. A escola ficou com 5 unidades do Clima em Jogo, desenvolvido pela Fundação Abrinq, e 6 do Cidade Limpa, doadas pela empresa NIG, para continuar usando o material ao longo do ano letivo.

    Na Escola Municipal de Educação Infantil Patrícia Galvão, a oficina com educadores aconteceu nos dias 23 e 24 de setembro, com o Mural do Clima. A escola recebeu duas unidades do Cidade Limpa, uma do 50 Árvores e uma do 50 Animais Marinhos.

    “Os momentos promovidos pelos formadores da Fundação Abrinq foram incrivelmente leves e divertidos, apesar de um tema tão tenso como as mudanças climáticas. Os jogos doados para nossa escola têm circulado entre as turmas, com cada educadora utilizando e adaptando para a realidade de cada turma”, relata Caio Ferraro, vice-diretor da escola.

    No dia 25 de setembro, foi a vez dos educadores do Centro para Crianças e Adolescentes (CCA) Paulo VI, em uma oficina que combinou o Mural do Clima e a apresentação dos jogos. O centro recebeu uma unidade de cada um dos seguintes títulos: Cidade Limpa, Forest Shuffle, 50 Árvores, 50 Animais Marinhos, Daybreak e Earth.

    O Coletivo RPG & Cultura, parceiro da Fundação no desenvolvimento do Clima em Jogo, também foi contemplado, com uma unidade do Cidade Limpa e duas unidades de cada um dos demais jogos: Forest Shuffle, 50 Árvores, 50 Animais Marinhos, Daybreak e Earth.

    Agradecimento às empresas

    A Fundação Abrinq agradece às empresas Asmodee e NIG pela generosidade e pela confiança no trabalho da organização. Ao levar os jogos para escolas, centros de convivência e coletivos, as duas empresas ajudam a criar espaços em que crianças, adolescentes e educadores podem aprender, conversar e se envolver com o cuidado com o planeta.

  • ECA Ambiental: entenda os detalhes da Lei nº 15.512

    ECA Ambiental: entenda os detalhes da Lei nº 15.512

    A Lei nº 15.512, conhecida como ECA Ambiental, foi sancionada em 22 de setembro de 2026 e passa a incluir a natureza entre os direitos que a família, a comunidade, a sociedade e o poder público devem assegurar com absoluta prioridade a crianças e adolescentes. Isso abrange o acesso a praças, parques e áreas verdes próximas de casa e da escola e a preferência de proteção em desastres e emergências climáticas.

    Aprovado pelo Senado Federal e sancionado sem vetos, o texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Política Nacional do Meio Ambiente e a Política Nacional sobre Mudança do Clima, além de determinar que União, estados, Distrito Federal e municípios atuem de forma colaborativa e intersetorial para que o planejamento urbano, a educação e a proteção ambiental considerem crianças e adolescentes como prioridade absoluta.

    O que é o ECA Ambiental?

    O ECA Ambiental é o nome pelo qual ficou conhecida a Lei nº 15.512/2026, que inclui expressamente a natureza entre os direitos que devem ser assegurados a crianças e adolescente. A norma dialoga com a Resolução CONANDA nº 273/2025, que estabelece parâmetros para a atuação do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) diante das mudanças climáticas, e com o Protocolo Nacional para a Proteção Integral de Crianças e Adolescentes em Situação de Riscos e Desastres, lançado durante a COP30.

    A lei define que o direito à natureza abrange o acesso a ambientes saudáveis, o brincar livre em áreas verdes e azuis, os vínculos socioafetivos com o meio ambiente e a educação baseada na natureza, e fixa prioridade de acesso e de acessibilidade a esses espaços para crianças na primeira infância, para crianças e adolescentes com deficiência e para aqueles em situação de risco ou vulnerabilidade socioeconômica. A garantia da prioridade absoluta também exige que gestores públicos e entes privados considerem o melhor interesse de crianças e adolescentes em decisões sobre políticas socioambientais e urbanas, incluindo a preferência no recebimento de proteção em desastres e o amparo prioritário a crianças e adolescentes defensores socioambientais e a suas famílias, especialmente os pertencentes a povos e comunidades tradicionais.

    Como o Eca Ambiental muda o planejamento das cidades e das escolas?

    No desenvolvimento e na mobilidade urbana, o planejamento das cidades deve incentivar rotas seguras e caminhos lúdicos para circulação a pé ou de bicicleta, além de praças e pátios naturalizados com equipamentos para brincar, com prioridade para a escala do bairro e para o entorno escolar, e também estruturar sistemas de alerta e rotas de fuga acessíveis e de fácil compreensão para crianças e adolescentes em eventos climáticos extremos. Na educação, as redes de ensino são estimuladas a integrar a educação ambiental e climática às estratégias pedagógicas e à infraestrutura escolar, com valorização da vegetação nativa nos pátios, criação de áreas de sombra, hortas, manejo integrado de águas e garantia de acessibilidade para pessoas com deficiência.

    Nos casos de deslocamentos populacionais provocados por mudanças no clima, a lei assegura o direito de crianças e adolescentes permanecerem com suas famílias ou responsáveis legais, o que previne a separação e garante proteção contra exploração, abusos e discriminação.

    Como o Eca Ambiental será implementado e como as denúncias serão tratadas?

    A lei prevê que a Política Nacional Integrada do Direito da Criança e do Adolescente à Natureza seja formulada e implementada a partir da criação de um espaço intersetorial, a ser definido em regulamento, com atribuição de formular ações e propostas e de acompanhar seu andamento, e estabelece que a implementação passe por avaliações periódicas, feitas em articulação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, com resultados publicados em linguagem simples e acessível. 

    Entre as ações previstas para garantir o direito à natureza, o texto inclui a criação de protocolo e de fluxos de atendimento prioritário em desastres, emergências climáticas e violações desse direito, o aprimoramento da coleta e da sistematização de dados sobre crianças e adolescentes em casos de ameaça ou violação ao direito à natureza e a formação inicial e continuada, sobre o tema, de profissionais que atuam, em órgãos públicos ou na sociedade, na promoção, na defesa e no controle dos direitos humanos de crianças e adolescentes. 

    O tratamento das denúncias de violação desse direito deverá compor um fluxo de encaminhamento à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, por meio do Disque 100, aos conselhos tutelares, ao Ministério Público e às autoridades policiais, preferencialmente delegacias especializadas na proteção dos direitos de crianças e adolescentes.

    Qual é a atuação da Fundação Abrinq em relação às mudanças climáticas?

    A atuação da Fundação Abrinq em relação às mudanças climáticas caminha em duas frentes complementares, por meio do Programa Emergência Humanitária: a resposta e a prevenção. Na resposta a emergências humanitárias, o trabalho da organização tem se concentrado em situações relacionadas a questões ambientais. O que antes era chamado de “desastres naturais” hoje é reconhecido, em boa parte, como consequência da ação humana sobre o meio ambiente, e é diante desses eventos, como enchentes, que a organização atua junto a crianças, adolescentes e famílias atingidas, prestando apoio emergencial diante da crise.

    Considere fazer uma doação e ajude a Fundação Abrinq a beneficiar cada vez mais crianças e adolescentes. Clique aqui.
     

  • Eleições 2026: violência contra crianças e adolescentes: o cenário que o próximo governo encontrará

    Eleições 2026: violência contra crianças e adolescentes: o cenário que o próximo governo encontrará

    A Fundação Abrinq, por meio do Observatório da Criança e do Adolescente, levantou os indicadores de violência contra crianças e adolescentes referentes a 2025 e identificou um cenário em que violência sexual, violência física, negligência e homicídios convivem em volumes preocupantes, cenário que a próxima gestão federal encontrará já no início do mandato.

    Qual é o retrato da violência contra crianças e adolescentes no Brasil?

    Os dados sistematizados pela Fundação Abrinq, a partir de bases do Ministério da Saúde e do IBGE e referentes à população de até 19 anos, mostram a violência física como a categoria de maior volume, com 78.686 notificações em 2025, seguida pela negligência e pelo abandono, que somam 57.549 ocorrências segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais, e pelos homicídios, que tiraram a vida de 4.216 crianças e adolescentes no mesmo período, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Por serem categorias distintas, coletadas por sistemas e instituições diferentes, os totais não podem ser somados entre si, já que a mesma criança pode figurar em mais de um registro, e a leitura mais adequada consiste em observar cada indicador como uma janela para um tipo específico de violação de direitos, com causas, agressores, locais de ocorrência e respostas institucionais próprios.

    O que os dados revelam sobre a violência sexual?

    O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) registrou 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025, o que corresponde a uma média de cerca de 164 casos por dia. Além disso, o país também registrou 41.766 notificações de estupro.

    O atendimento a essas vítimas envolve diferentes setores da rede de proteção, entre eles saúde, assistência social, educação, Conselho Tutelar, segurança pública e sistema de Justiça. A articulação entre essas áreas influencia o acolhimento, a proteção, a produção de provas e o acompanhamento das vítimas.

    Por que os números de notificação não contam toda a história?

    As notificações dependem de que uma criança ou um adolescente chegue a um serviço de saúde, de que um profissional identifique os sinais e de que o registro seja formalizado, e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos sejam comunicados ao Conselho Tutelar, o que faz do sistema de saúde, das escolas e da rede de proteção os principais pontos de detecção. No entanto, muitos casos acabam não chegando até o sistema. Isso significa que os indicadores refletem, ao mesmo tempo, a ocorrência da violência e a capacidade da rede de enxergá-la, e uma variação de um ano para o outro pode resultar tanto de mudanças na incidência quanto de ampliação da capacitação dos profissionais, da divulgação de canais de denúncia ou da melhoria dos fluxos de registro.

    A Fundação Abrinq recomenda que a interpretação dos números considere sempre o contexto local, a estrutura disponível de atendimento e a regularidade da notificação em cada território.

    Como a legislação brasileira organiza a proteção contra a violência?

    A Constituição Federal, em seu artigo 227, atribui à família, à sociedade e ao Estado o dever de assegurar às crianças e aos adolescentes, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à dignidade e à convivência familiar, e determina que a lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual. A partir desse princípio, o ECA, de 1990, estruturou o sistema de proteção, e leis posteriores detalharam formas específicas de enfrentamento, entre elas a Lei nº 13.010/2014, conhecida como Lei Menino Bernardo, que assegura o direito de ser educado sem castigos físicos ou tratamento cruel ou degradante, a Lei nº 13.431/2017, que estabeleceu o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e criou a escuta especializada e o depoimento especial, e a Lei nº 14.344/2022, a Lei Henry Borel, que instituiu mecanismos de prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente.

    O dia 18 de maio, instituído pela Lei nº 9.970/2000 como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, completa esse conjunto de referências ao mobilizar anualmente órgãos públicos e organizações da sociedade civil em torno do tema, assim como o Disque 100, que funciona como um dos canais de denúncia acessíveis à população. 

    Como a violência física e a negligência entram no debate?

    Por estarem frequentemente associadas ao ambiente doméstico e familiar, a violência física e a negligência atravessam áreas distintas da administração pública, entre elas assistência social, saúde, educação e segurança, e essa característica faz com que o enfrentamento dependa de políticas que dialoguem entre si e alcancem as famílias antes que as situações de risco se agravem. A negligência pode estar associada a diferentes fatores, incluindo situações de vulnerabilidade social, falta de acesso a serviços públicos, sobrecarga familiar e ausência de redes de apoio. Por isso, a análise desses casos exige atenção às condições concretas em que vivem as crianças, os adolescentes e suas famílias.

    Quais desafios a próxima gestão terá diante desse cenário?

    Os dados demonstram algumas possíveis frentes de atenção para o próximo governo:

    Qualidade e integração dos registros: a capacidade de identificação e de registro influencia diretamente o que os sistemas conseguem enxergar, e o cruzamento de bases da saúde, da assistência social, da segurança pública e da Justiça segue como campo de trabalho contínuo, já que uma mesma criança pode passar por vários serviços sem que as informações se comuniquem, dificultando o acompanhamento individual dos casos e a avaliação das políticas.

    Fortalecimento da rede de proteção nos municípios: conselhos tutelares, serviços de assistência social, unidades de saúde, escolas e órgãos de segurança pública exercem diferentes funções na identificação, no encaminhamento e no acompanhamento dos casos., e a distribuição desigual de estrutura, de equipes e de formação continuada pelo território determina a rapidez e a qualidade do atendimento, com reflexos diretos na proteção da vítima e na produção de provas.

    Escuta protegida e responsabilização: a legislação prevê escuta especializada e depoimento especial para evitar a revitimização, e sua implementação integral e efetiva depende de profissionais capacitados, de espaços adequados e de articulação entre os órgãos envolvidos, condições que variam bastante entre regiões e influenciam a duração e o desfecho dos processos.

    Atendimento integral às vítimas: o acolhimento de crianças e adolescentes que sofreram violência, sobretudo sexual, envolve cuidados de saúde física e mental, apoio às famílias e acompanhamento prolongado, e a disponibilidade desses serviços na rede pública condiciona a recuperação e a prevenção de novas violações.

    Prevenção nas escolas e nas famílias: a presença de diferentes formas de violência em ambientes de convivência próxima recoloca a prevenção, a educação e o apoio às famílias como temas transversais às políticas sociais, e as escolas ocupam posição privilegiada por reunirem diariamente crianças e adolescentes e profissionais que podem identificar sinais de risco.

    Financiamento e orçamento: a execução dessas frentes depende de recursos previsíveis e de sua efetiva aplicação, e o acompanhamento do orçamento destinado à infância e à adolescência permite verificar em que medida as prioridades declaradas se traduzem em serviços disponíveis à população.

    Os indicadores de 2025 mostram que a violência contra crianças e adolescentes se manifesta de diferentes formas e exige respostas que envolvam prevenção, identificação, atendimento e responsabilização. Para a próxima gestão federal, o desafio passa pela capacidade de articular políticas nacionais com a atuação dos municípios e dos demais integrantes da rede de proteção, acompanhando não apenas o volume de ocorrências registradas, mas também a estrutura disponível para prevenir novas violações e atender crianças e adolescentes que já foram vítimas.