Categoria: Uncategorized

  • Fundação Abrinq realiza 42 ações de saúde bucal e atende 1.809 crianças e adolescentes em São Paulo

    Fundação Abrinq realiza 42 ações de saúde bucal e atende 1.809 crianças e adolescentes em São Paulo

    Em 2026, a Fundação Abrinq já realizou 42 ações preventivas de saúde bucal em nove Organizações da Sociedade Civil (OSCs) de São Paulo – SP, por meio do Programa Adotei um Sorriso. As atividades atenderam 1.809 crianças e adolescentes de 3 a 16 anos, com palestras educativas, intervenções lúdicas e triagem odontológica.

    As ações acontecem nas próprias organizações participantes do programa e são planejadas de acordo com a faixa etária das crianças e dos adolescentes. Durante os encontros, são abordados temas relacionados à escovação, ao uso do fio dental e aos cuidados que ajudam a manter a saúde da boca no dia a dia. A proposta é apresentar essas orientações de maneira acessível, para que possam ser incorporadas à rotina.

    Para a dentista Mirella Sampaio, parceira do Programa Adotei um Sorriso, falar sobre prevenção desde a infância é importante porque é nesse período que muitos hábitos começam a ser construídos. Ela explica que a orientação também precisa acompanhar as diferentes fases do desenvolvimento, especialmente durante a troca dos dentes de leite pelos permanentes.

    “Como eles estão em uma fase de construção de hábitos, é muito importante que a escovação faça parte da rotina desde cedo. Na primeira infância, também precisamos orientar sobre a quantidade adequada de creme dental, porque muitas crianças gostam do sabor e podem acabar engolindo”, explica Mirella.

    Além das orientações, cada criança e adolescente que participa das ações recebe um kit de higiene bucal com escova de dentes, creme dental e fio dental. Os materiais permitem que as orientações apresentadas durante os encontros sejam colocadas em prática também em casa. Em uma das organizações, a atividade contou ainda com triagem odontológica.

    Saúde bucal: ações realizadas nas organizações

    Durante as ações, recursos visuais, atividades lúdicas e demonstrações práticas ajudam a apresentar os cuidados de maneira próxima da realidade das crianças e dos adolescentes. Entre os assuntos que costumam despertar perguntas estão a frequência de troca da escova, as diferenças entre escovas elétricas e manuais e a busca por dentes mais brancos, tema que também aparece com frequência nas redes sociais.

    Mirella conta que uma das demonstrações que mais chama a atenção é feita com um macromodelo, utilizado para mostrar a maneira correta de escovar os dentes. Segundo ela, é comum que as crianças percebam, naquele momento, que realizavam a escovação de outra forma.

    Em uma das ações, uma criança procurou a dentista para dizer que não sabia que a escova de dentes deveria ser usada todos os dias. Ela acreditava que a escovação poderia ser feita em dias alternados porque nunca havia recebido essa orientação. Também contou que achava que uma única escova era compartilhada por toda a família, situação que, segundo Mirella, poderia estar relacionada à falta de acesso ao material de higiene.

    Para a dentista, a situação mostrou como o acesso à informação e aos materiais de higiene pode fazer diferença no cuidado diário. “Tenho certeza de que o projeto, por mais simples que possa parecer, transforma a visão e a vida dessas crianças em relação aos cuidados com a saúde bucal”, afirma.
     

    Atendimento do Programa Adotei um Sorriso

    No CCA Recanto dos Humildes I, uma das organizações participantes, as orientações também passaram a fazer parte do cotidiano das crianças e dos adolescentes atendidos. Segundo Rebeca Vale, gerente da unidade, as ações contribuem para o trabalho desenvolvido pelo CCA ao ampliar o acesso a informações e cuidados de saúde bucal.

    “Nós, do CCA, atendemos famílias de alta vulnerabilidade social. Dentre elas, o acesso precário à saúde é algo latente no nosso meio, então o Programa Adotei um Sorriso contribui de forma significativa para o nosso trabalho, dando aos usuários a possibilidade de acesso a dentistas, tornando-os cada vez mais portadores dos seus direitos”, afirma Rebeca.

    De acordo com a gerente, as crianças e os adolescentes costumam colocar em prática, no dia a dia, o que aprendem durante as atividades. A distribuição dos kits de higiene bucal também contribui para essa rotina. “Percebemos que, no cotidiano, as crianças costumam pôr em prática tudo o que aprenderam na atividade, algo que nos deixa muito felizes, pois é sinal de que aprenderam direitinho como realizar suas escovações dentárias diariamente”, relata.

    As ações foram realizadas no CCA Núcleo Coração Materno, CCA CEC São Pedro, CEC Tabor, Instituto Dom Bosco, Instituto Blandina Meirelles, CCA Recanto dos Humildes I, CCA Primavera, OSC Tijolinho e SBA Girassol. Em cada organização, a equipe adapta a abordagem à faixa etária e às características do público atendido.

    Resultados e apoio ao Programa Adotei um Sorriso

    Os resultados das atividades fazem parte da prestação de contas da Fundação Abrinq aos apoiadores do Programa Adotei um Sorriso e à sociedade. Em 2026, foram 42 ações realizadas, 9 organizações atendidas e 1.809 crianças e adolescentes participantes, com a entrega de um kit de higiene bucal para cada participante.

    Os resultados fazem parte do acompanhamento das atividades desenvolvidas pelo Programa Adotei um Sorriso e mostram o alcance das ações preventivas realizadas ao longo do ano.

    A continuidade dessas atividades depende de recursos para a realização das ações e para a aquisição dos materiais distribuídos às crianças e aos adolescentes. Pessoas físicas e empresas podem apoiar o Programa Adotei um Sorriso e contribuir para que as ações de prevenção e orientação em saúde bucal cheguem a outras organizações. 

  • Série eleições 2026: mortalidade infantil e materna, o desafio que vai testar o próximo governo brasileiro

    Série eleições 2026: mortalidade infantil e materna, o desafio que vai testar o próximo governo brasileiro

    12,2. É esse o número de crianças que deixaram de completar um ano de vida para cada mil nascidas vivas no Brasil em 2025, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade, mantido pelo Ministério da Saúde. Quando a conta se estende até os cinco anos de idade, a chamada mortalidade na infância, o índice sobe para 14,9 por mil nascidos vivos, segundo os dados de 2024. O Observatório da Criança e do Adolescente, da Fundação Abrinq, acompanha essas séries históricas e é a partir delas que se pode medir com precisão o tamanho do desafio que espera quem for eleito presidente da República em outubro.

    O que os números realmente medem

    A taxa de mortalidade infantil calcula os óbitos de crianças com menos de um ano de vida a cada mil nascidos vivos, e funciona como um dos indicadores mais sensíveis da saúde pública brasileira, porque reúne, em um único número, a qualidade do acompanhamento pré-natal, o acesso da população aos serviços de saúde, as condições de moradia e saneamento básico e a renda das famílias. Quando esse índice sobe ou desce, ele carrega consigo o retrato de políticas que funcionaram, ou que faltaram, em áreas que vão muito além dos hospitais e postos de saúde. A mortalidade na infância, por sua vez, amplia essa fotografia para os primeiros cinco anos, período em que doenças infecciosas, desnutrição e acidentes domésticos ainda pesam sobre as estatísticas em regiões com menor infraestrutura sanitária.

    Mortalidade materna: o indicador que resiste

    Se a mortalidade infantil vem apresentando uma trajetória de queda ao longo dos anos, o mesmo não ocorreu de forma linear com a mortalidade materna. O indicador foi fortemente impactado pela pandemia de covid-19 e, embora tenha voltado a cair nos anos seguintes, o país ainda está distante da meta estabelecida para 2030.

    Em 2024, a razão de mortalidade materna no país foi de 56,4 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus) consultados pelo Observatório da Saúde Pública. O indicador corresponde a 1.347 mortes maternas registradas naquele ano, considerando óbitos ocorridos durante a gestação, no parto ou até 42 dias após o fim da gravidez.

    A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estima que nove em cada dez mortes maternas na região poderiam ser evitadas com atendimento de qualidade. No Brasil, entre as principais causas de morte materna estão as síndromes hipertensivas, as hemorragias, as infecções puerperais e as complicações do aborto. O país ainda está distante da meta nacional de reduzir a razão de mortalidade materna para 30 óbitos por 100 mil nascidos vivos até 2030.

    As desigualdades regionais e raciais atravessam esse cenário: mulheres negras e moradoras de regiões com menor cobertura de pré-natal concentram parte desproporcional dos casos, um padrão que estudos epidemiológicos vêm documentando desde os anos 1990 sem que as causas de fundo tenham mudado de forma significativa.

    As bases que sustentaram os avanços até aqui

    O Sistema Único de Saúde, criado pela Constituição de 1988, é o alicerce sobre o qual se apoiam o pré-natal gratuito, a rede de maternidades e os programas de vacinação infantil que permitiram ao Brasil reduzir de forma expressiva a mortalidade infantil desde a década de 1990. A Lei 13.257/2016, o Marco Legal da Primeira Infância, ampliou esse arranjo ao determinar que políticas de saúde, educação, assistência social e proteção jurídica das crianças de zero a seis anos passassem a ser tratadas de forma integrada pelo poder público. Esses dois pilares, o sistema de saúde universal e o marco legal da primeira infância, formam a estrutura que o próximo governo vai herdar, com seus avanços e com suas lacunas de financiamento e de capilaridade ainda evidentes nas regiões Norte e Nordeste.

    O que está em jogo nas eleições de outubro

    A eleição presidencial de outubro ocorre em um momento no qual o financiamento do Sistema Único de Saúde segue como um dos temas de fundo do debate público, especialmente no que diz respeito à manutenção e à ampliação dos serviços voltados à saúde da mulher e da criança. Independentemente do resultado das urnas, a evolução dos indicadores de mortalidade infantil e materna nos próximos anos vai depender de fatores como a continuidade do investimento em atenção primária, a cobertura da rede de pré-natal nas regiões com menor acesso a serviços de saúde e a qualidade da assistência oferecida durante o parto e o puerpério.

    Perguntas frequentes

    O que é a taxa de mortalidade infantil? 
    É o número de óbitos de crianças com menos de um ano de vida para cada mil nascidos vivos em um determinado período. Em 2025, essa taxa foi de 12,2 por mil no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

    Qual a diferença entre mortalidade infantil e mortalidade na infância?
    A mortalidade infantil considera apenas óbitos no primeiro ano de vida. A mortalidade na infância amplia esse recorte até os cinco anos de idade e, em 2024, ficou em 14,9 por mil nascidos vivos no país.

    Por que a maior parte das mortes maternas é considerada evitável? 
    Porque decorrem de complicações que a atenção obstétrica adequada, como o controle de hemorragias pós-parto e o manejo correto da pré-eclâmpsia, consegue prevenir ou tratar a tempo. A Organização Pan-Americana da Saúde estima que nove em cada dez óbitos maternos no Brasil poderiam ser evitados.

  • Saúde mental de adolescentes exige escola, família e serviços trabalhando juntos

    Saúde mental de adolescentes exige escola, família e serviços trabalhando juntos

    “Sou burro, minha cabeça não funciona.” A frase era dita por um adolescente atendido em Indaiatuba – SP nos momentos em que o sofrimento ficava mais intenso, quando ele chegava a bater a cabeça na parede. Encaminhado pela escola por dificuldades de aprendizagem, de relacionamento e de autorregulação, ele também sofria bullying, e a frase revelava a imagem que tinha de si mesmo.

    A história, contada por Adriele Linder, coordenadora psicossocial do Educandário Deus e a Natureza, mostra que o sofrimento de um adolescente raramente vem de um único lugar. Naquele caso, aprendizagem, bullying, relações e autoimagem estavam ligados e, por isso, a resposta também precisou envolver mais de um espaço. No Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio, situações como essa ajudam a compreender como funciona, na prática, o cuidado em rede com crianças e adolescentes que convivem com sofrimento emocional.

    Conflitos familiares, sofrimento psíquico, situações de violência, dificuldades de convivência e questões relacionadas à aprendizagem podem se misturar e afetar a forma como crianças e adolescentes se percebem, se relacionam e enfrentam as situações do cotidiano. Quando isso acontece, a resposta dificilmente cabe em um único atendimento ou pode ser atribuída exclusivamente à família.

    Parte desse cuidado passa pela capacidade de diferentes adultos e serviços compreenderem o que está acontecendo e dividirem responsabilidades. Escola, família, organizações da sociedade civil e serviços de saúde e assistência social podem ocupar lugares diferentes nesse processo, mas precisam conseguir dialogar para que a criança ou o adolescente não fique sozinho diante de uma situação que exige acompanhamento.

    Para adolescentes neurodivergentes, essa articulação pode ser ainda mais necessária diante de situações de preconceito, dificuldades de acessibilidade e da ausência ou insuficiência de serviços especializados. Quando essas barreiras se somam a outras situações de vulnerabilidade, o acesso ao cuidado pode se tornar ainda mais difícil.

    No caso acompanhado em Indaiatuba – SP, o adolescente participa há alguns ciclos do Projeto Espaço Florescer e conta com a participação ativa da mãe. Em articulação com a rede, também foi possível garantir um acompanhamento pedagógico voltado às suas dificuldades de aprendizagem, ampliando as possibilidades de acompanhamento diante das necessidades apresentadas.

    A experiência mostra a importância de considerar diferentes aspectos da vida de uma criança ou adolescente antes de definir como uma situação deve ser acompanhada. Uma dificuldade apresentada na escola pode estar relacionada a questões emocionais, relações familiares, bullying ou outras experiências que precisam ser compreendidas em conjunto.

    A realidade de Novo Hamburgo – RS mostra como essas necessidades também podem estar relacionadas às condições vividas no território. Adriana Maria Bonadeu, psicóloga da Associação Beneficente Evangélica da Floresta Imperial (ABEFI), relata que conflitos, perdas, violência, dificuldades de convivência e baixa autoestima aparecem entre os desafios enfrentados pelas crianças e adolescentes atendidos pela organização. A enchente que atingiu a região agravou situações de vulnerabilidade que já existiam.

    As perdas materiais e afetivas, as mudanças na rotina, a insegurança em relação à moradia, as dificuldades de reconstrução e as lembranças do episódio podem intensificar sentimentos de medo, ansiedade e tristeza. Essas experiências também podem aparecer no comportamento, nas relações com os colegas ou em uma necessidade maior de atenção e acolhimento.

    Cuidar da saúde mental em rede exige dividir responsabilidades

    Adriele afirma que a proteção de crianças e adolescentes é responsabilidade de todos, mas precisa acontecer de forma compartilhada, “com corresponsabilidade e, principalmente, com afeto”. Na prática, esse caminho encontra uma demanda maior do que a oferta de serviços, principalmente de atendimento psicológico para o público em situação de vulnerabilidade social, além das filas de espera.

    Nesse cenário, a articulação entre os diferentes serviços se torna parte do próprio cuidado. Cada serviço da rede de atendimento precisa reconhecer os limites de sua atuação, compreender quais demandas pode acompanhar e identificar quando é necessário envolver outros profissionais ou encaminhar a situação para outro serviço. No Educandário, Adriele conta que alguns encaminhamentos chegam como se a responsabilidade pelo caso pudesse ser transferida para a organização.

    “Precisamos, então, construir um processo de corresponsabilização, deixando claro o papel de cada serviço”, diz.

    A família também não deve ser responsabilizada isoladamente pela busca de uma solução, principalmente quando existem barreiras sociais e institucionais para chegar ao atendimento. O atendimento psicológico individual é uma das possibilidades de acompanhamento, mas não é a única forma de cuidado. Muitas famílias chegam ao Educandário procurando exclusivamente esse tipo de atendimento, sem conhecer o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Por isso, a equipe realiza grupos com famílias a cada 15 dias e atendimentos individuais quando necessário, além de orientar e acompanhar os responsáveis durante o processo de proteção.

    Esse trabalho também pode acontecer por meio de atividades coletivas e do acompanhamento cotidiano. Na ABEFI, educadores e profissionais da assistência social e da psicologia realizam oficinas, rodas de conversa e outras atividades em que a convivência permite perceber situações que precisam de maior atenção. Quando necessário, a equipe conversa com a família, realiza encaminhamentos e articula o atendimento com a rede de proteção. Os responsáveis também participam de conversas e orientações voltadas à comunicação com os filhos.

    Uma rede para que a criança não precise enfrentar tudo sozinha

    O acompanhamento contínuo pode produzir mudanças que aparecem tanto na maneira como crianças e adolescentes se relacionam quanto na disposição para procurar ajuda. Segundo as profissionais, entre os resultados percebidos estão maior facilidade para expressar sentimentos, melhora na convivência com os colegas e maior procura por adultos de referência diante de dificuldades.

    Adriana conta que alguns participantes passaram a procurar a equipe por conta própria depois de uma perda, de conflitos em casa ou de situações relacionadas à enchente. A procura espontânea mostra como a convivência cotidiana pode criar vínculos que ajudam crianças e adolescentes a reconhecer os adultos e os serviços aos quais podem recorrer quando alguma coisa não vai bem.

    Essas mudanças ajudam a mostrar que a construção de vínculos não acontece somente quando surge uma situação de crise. A convivência cotidiana cria oportunidades para que crianças e adolescentes reconheçam os adultos e os serviços aos quais podem recorrer quando alguma coisa não vai bem.

    Dentro de casa, essa convivência também pode contribuir para a proteção contra situações de violência. A recomendação é criar momentos de conversa ao longo do dia, observar como a criança volta da escola e perguntar sobre o que aconteceu, incluindo aquilo de que mais gostou, o que menos gostou e se alguém fez algo que a magoou ou machucou. Quando a criança se sente ouvida com sinceridade, tende a ter mais segurança para relatar situações de violência ou abuso.

    Brincar, ler juntos e passar tempo em praças, parques e outros espaços ao ar livre são formas de criar momentos de convivência. O uso excessivo de telas e jogos on-line merece atenção, especialmente diante das orientações sobre os limites de exposição de acordo com a faixa etária.

    A proteção depende de uma rede que consiga continuar o cuidado

    Quando uma criança ou um adolescente apresenta uma necessidade que exige atenção, a existência de um adulto disponível é importante, mas não resolve sozinha uma situação complexa. É preciso que a família tenha onde buscar orientação, que a escola consiga compartilhar informações relevantes, que organizações e serviços saibam quando encaminhar e que a rede tenha condições de receber essas demandas.

    As desigualdades de acesso também interferem na continuidade do cuidado. Para famílias em situação de vulnerabilidade social, filas de espera e falta de profissionais especializados podem dificultar o acompanhamento, enquanto crianças e adolescentes neurodivergentes podem enfrentar ainda outras barreiras, como preconceito, falta de acessibilidade e dificuldade para encontrar atendimento adequado. Falar em saúde mental, portanto, também significa discutir as condições existentes para que o cuidado aconteça e para que crianças, adolescentes e suas famílias consigam encontrar apoio quando necessário.

    A Fundação Abrinq apoia, por meio do Programa Nossas Crianças, o Educandário Deus e a Natureza e a ABEFI, que juntos acompanham 225 crianças e adolescentes em Indaiatuba e em Novo Hamburgo. As experiências das duas organizações mostram que promover saúde mental envolve criar vínculos, acompanhar as necessidades de cada criança e adolescente e construir, com as famílias, escolas e demais serviços, caminhos para que o cuidado tenha continuidade.

    Falar sobre saúde mental no Setembro Amarelo amplia a atenção para o tema, mas a proteção de crianças e adolescentes depende de condições para que o cuidado continue durante todo o ano. Quando família, escola, organizações e serviços conseguem compartilhar responsabilidades, a resposta deixa de depender de uma única pessoa e passa a considerar as diferentes dimensões da vida de cada criança e adolescente.

    Para ajudar a manter e ampliar iniciativas como essas, conheça o trabalho da Fundação Abrinq, acompanhe seus projetos e programas e seja um doador.

  • Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças: proteger também é saber reconhecer

    Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças: proteger também é saber reconhecer

    Em 23 de setembro, é celebrado o Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças, uma data que chama a atenção para violações de direitos que atingem principalmente pessoas em situações de vulnerabilidade e que podem assumir diferentes formas, inclusive dentro do ambiente digital.

    Quando o assunto envolve crianças e adolescentes, compreender essas violências é parte importante do trabalho de proteção. A exploração sexual pode envolver troca ou obtenção de benefícios, aliciamento e diferentes formas de violência. O tráfico de pessoas, por sua vez, pode ter como finalidade a exploração sexual e ocorrer dentro do próprio território nacional ou atravessando fronteiras.

    No Brasil, a Lei nº 13.431/2017 define a exploração sexual comercial como a utilização de crianças e adolescentes em atividades sexuais em troca de remuneração ou qualquer outra forma de compensação, inclusive por meios eletrônicos. A mesma legislação caracteriza o tráfico de crianças e adolescentes para fins de exploração sexual como uma forma de violência.

    Por isso, falar sobre o tema não deve se limitar às situações que ganham visibilidade ou que parecem acontecer apenas em determinados lugares. A prevenção começa pela informação, pela atenção aos sinais e pela existência de uma rede preparada para acolher e proteger crianças e adolescentes.

    O próprio Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania inclui entre as situações de exploração sexual práticas relacionadas ao turismo sexual, tráfico, produção e circulação de material de abuso sexual e redes de exploração. A legislação brasileira também reconhece que a exploração pode acontecer por meios eletrônicos. Isso é particularmente importante em um cenário no qual crianças e adolescentes estão cada vez mais presentes em redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de jogos e outros espaços digitais.

    A violência sexual, portanto, não depende necessariamente de contato físico.

    A Campanha Pode Ser Abuso, da Fundação Abrinq, chama a atenção justamente para essa dimensão mais ampla da violência. A iniciativa explica que mensagens inadequadas, envio de conteúdos ou imagens de cunho sexual e chantagens envolvendo imagens íntimas também podem fazer parte de situações de violência sexual.

    Exploração sexual e abuso sexual: qual é a diferença?

    Embora estejam relacionados e façam parte do conjunto das violências sexuais, abuso sexual e exploração sexual não significam exatamente a mesma coisa. O abuso sexual ocorre quando uma criança ou adolescente é utilizado para fins sexuais, com ou sem contato físico, para satisfação sexual do agressor ou de terceiros.

    Já a exploração sexual envolve a utilização da criança ou do adolescente em uma situação de troca, remuneração, benefício ou outra forma de compensação. Essa diferença é importante para compreender as diversas formas que a violência pode assumir. Uma criança ou adolescente pode ser vítima de violência sexual em diferentes contextos e, em todos eles, precisam ser protegidos.

    Também é importante evitar a ideia de que a exploração sexual acontece somente quando existe uma abordagem explícita ou uma negociação visível. O aliciamento pode ocorrer de maneira gradual, inclusive por meio da criação de vínculos de confiança, ofertas de presentes, dinheiro, oportunidades ou vantagens.

    O que é o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual?

    O tráfico de pessoas é caracterizado pela legislação brasileira como o agenciamento, aliciamento, recrutamento, transporte, transferência, compra, alojamento ou acolhimento de uma pessoa mediante ameaça, violência, coerção, fraude ou abuso, com finalidade de exploração. Entre as finalidades previstas na Lei nº 13.344/2016 está a exploração sexual. A legislação também prevê aumento de pena quando o crime é cometido contra criança ou adolescente.

    O tráfico não precisa necessariamente envolver a saída do país. Ele pode ocorrer dentro do território brasileiro. Da mesma forma, não se resume ao transporte de uma vítima de um lugar para outro: o aliciamento, o recrutamento e o acolhimento também estão contemplados na definição legal.

    Essa compreensão ajuda a afastar uma imagem comum de que o tráfico de pessoas é sempre uma situação distante, envolvendo necessariamente fronteiras internacionais. Ele pode estar presente em diferentes contextos e atingir pessoas em situações de vulnerabilidade.

    Principais números sobre violência sexual contra crianças e adolescentes

    Os dados disponíveis ajudam a dimensionar o problema, embora não representem necessariamente todos os casos existentes. A violência sexual é uma realidade marcada pela subnotificação, já que muitas situações permanecem em segredo ou não chegam aos serviços responsáveis pelo registro.

    O Observatório da Criança e do Adolescente, plataforma de monitoramento da Fundação Abrinq, reúne indicadores de diferentes fontes públicas e permite acompanhar a evolução de dados relacionados à infância e à adolescência no Brasil. Entre os indicadores monitorados está o de notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes de até 19 anos, produzido a partir de dados do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

    De acordo com os dados, foram registradas 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025. Ao considerar os últimos 11 anos, são 422.994 notificações, com aumento de 183,5% no período. A Fundação Abrinq ressalta que os números podem estar distantes da realidade, justamente porque muitos casos permanecem sem notificação.

    O que esses números significam?

    Uma notificação não deve ser interpretada automaticamente como uma condenação ou como uma confirmação judicial de crime. Trata-se de um registro realizado nos sistemas de saúde diante de uma situação de violência. Ao mesmo tempo, os dados são fundamentais para que o poder público e a sociedade conheçam a dimensão do problema, identifiquem territórios mais vulneráveis e planejem ações de prevenção, atendimento e proteção.

    Por isso, acompanhar indicadores de violência sexual é também uma forma de acompanhar a capacidade do país de reconhecer e responder às violações de direitos de crianças e adolescentes.

    A violência sexual também pode acontecer no ambiente digital

    A presença de crianças e adolescentes na internet trouxe novas possibilidades de aprendizagem, comunicação e socialização, mas também criou novos espaços para abordagens abusivas e situações de exploração sexual. O ambiente digital pode ser utilizado para o aliciamento, a solicitação de imagens íntimas, a exposição sexual, a chantagem e a produção ou compartilhamento de material relacionado à violência sexual contra crianças e adolescentes.

    Um levantamento citado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, com base no estudo Disrupting Harm in Brazil, apontou que 19% das crianças e adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos, cerca de 3 milhões de pessoas, sofreram exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia em um período de um ano. Segundo o mesmo levantamento, 66% das situações ocorreram majoritariamente em ambientes online, com redes sociais e aplicativos de mensagens entre os principais espaços.

    O cenário também vem recebendo respostas legislativas. Em agosto de 2026, entrou em vigor a Lei nº 15.487/2026, que ampliou medidas de combate e repressão à violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital, incluindo situações relacionadas ao uso de inteligência artificial.

    Quais sinais podem indicar uma possível situação de violência sexual?

    Nem toda mudança de comportamento significa que uma criança ou adolescente está sofrendo violência sexual. Entretanto, algumas alterações podem servir como sinais de alerta, principalmente quando surgem de forma repentina ou associadas a outras mudanças:

    •    mudanças repentinas de comportamento sem explicação aparente;
    •    tristeza persistente, choro frequente ou apatia;
    •    pesadelos recorrentes, insônia ou sono excessivo;
    •    medo de ficar sozinho ou de permanecer com determinadas pessoas;
    •    infecções urinárias ou genitais sem causa identificada.

    Também podem aparecer dificuldades de concentração, queda no desempenho escolar, perda de interesse por brincadeiras e atividades, alterações no sono e na alimentação, medo de determinados lugares ou pessoas e manifestações incomuns relacionadas à sexualidade. É importante, porém, não transformar um sinal isolado em uma conclusão. Uma mudança de comportamento pode ter diferentes causas.

    O que fazer diante de uma suspeita?

    A primeira atitude é proteger a criança ou o adolescente e evitar que a situação seja agravada. Se a criança ou o adolescente contar que sofreu algum tipo de violência, é importante ouvir com atenção, sem pressionar por detalhes e sem fazer perguntas que possam induzir respostas. A escuta especializada e o depoimento especial devem ser realizados por profissionais capacitados, conforme estabelece a legislação brasileira.

    Também não é recomendado confrontar diretamente o possível agressor. Além de colocar a criança ou o adolescente em risco, essa atitude pode interferir na preservação de informações importantes para a investigação. A denúncia pode ser feita pelo Disque 100, serviço gratuito e anônimo, ou diretamente ao Conselho Tutelar e às autoridades policiais.

    Qualquer pessoa pode denunciar uma suspeita de violência sexual contra uma criança ou adolescente. Não é necessário ter certeza sobre o que aconteceu para comunicar uma situação que gere preocupação.
     

  • Projeto Mudando a História soma mais de 1.500 leituras e amplia acesso a livros e espaços culturais

    Projeto Mudando a História soma mais de 1.500 leituras e amplia acesso a livros e espaços culturais

    Em 2026, o Projeto Mudando a História, da Fundação Abrinq, já contabiliza mais de 1.500 leituras realizadas para crianças e adolescentes nas instituições participantes. Os Encontros Culturais e de Mediação de Leitura ampliam o acesso dos adolescentes mediadores a livros, bibliotecas e espaços culturais, reunindo formação, leitura e troca de experiências.

    Realizados a cada dois meses, os encontros reúnem os grupos das instituições participantes para retomar conteúdos de mediação de leitura, compartilhar experiências e conhecer novos espaços. Até o momento, foram realizados encontros em março, maio e julho, com atividades previstas também para setembro e novembro.

    Livros escolhidos pelos próprios adolescentes

    Uma das ações desenvolvidas neste ano ocorreu na Biblioteca Municipal Infanto-Juvenil Monteiro Lobato, na região da Consolação, em São Paulo. Em parceria com a biblioteca, 139 adolescentes mediadores receberam carteirinhas do sistema municipal, que permitem o empréstimo gratuito de livros.

    A partir dessa iniciativa, os participantes puderam circular pela biblioteca, conhecer o acervo, realizar leituras e escolher obras de acordo com seus interesses. Nos dois primeiros encontros, foram emprestados 202 livros, ampliando as possibilidades de leitura para além das atividades realizadas nas instituições.

    A visita também apresentou aos adolescentes outras formas de ocupar uma biblioteca pública, para parte dos participantes, aquele foi o primeiro contato com uma biblioteca ou a descoberta de que poderiam frequentar o espaço e retirar livros gratuitamente. A presença da Gibiteca, por exemplo, permitiu que encontrassem títulos e gêneros que não imaginavam estar disponíveis, aproximando a biblioteca de seus interesses.
     

    Projeto Mudando a História

    O contato com diferentes ambientes e possibilidades de uso do espaço também contribuiu para mudar a percepção da biblioteca como um local restrito a determinados tipos de leitura ou marcado apenas pelo silêncio. A experiência aproximou os adolescentes do direito de acessar e ocupar espaços públicos de cultura.

    O interesse despertado pelos empréstimos também chegou às instituições participantes, alguns mediadores passaram a criar sistemas próprios de empréstimo a partir dos acervos disponíveis nas unidades, fazendo com que os livros circulassem entre crianças e adolescentes e chegassem também às famílias. Para apoiar a continuidade dessa iniciativa, a Fundação Abrinq realizou ainda um mapeamento dos espaços municipais de leitura próximos às instituições participantes.

    A aproximação com espaços culturais integra a proposta dos encontros, considerando que, no início do Projeto, 73% dos adolescentes participantes afirmaram que frequentavam esses locais “nunca” ou “às vezes”, com uma ou duas visitas por ano. A programação de 2026 inclui visitas que fazem parte da formação dos adolescentes e educadores e apresentam espaços que muitos ainda não haviam conhecido.

    Em maio, o grupo visitou o Centro Cultural Maria Antônia e conheceu a exposição “Suporte Indomável”, realizada em parceria com a Ação Educativa. A mostra reúne artistas que exploram o grafite como expressão artística e promove o contato com diferentes formas de produção e representação da arte urbana brasileira. O grupo também visitou o Museu da Língua Portuguesa, como parte da programação cultural do terceiro encontro.

    As visitas são relacionadas ao trabalho de mediação de leitura e à formação dos participantes, que têm contato com diferentes manifestações culturais e com espaços que podem ampliar seu repertório e suas possibilidades de acesso à cultura.

    Formação para a mediação de leitura

    Além das visitas, os encontros promovem atividades de formação e troca entre adolescentes e educadores. No terceiro encontro do ano, realizado entre julho e agosto, os adolescentes participaram de uma prática de mediação de leitura no Parque da Luz, conduzindo as diferentes etapas de uma sessão, desde a escolha dos livros e a organização do espaço até as brincadeiras, a leitura em voz alta e a mediação entre os participantes.

    Os educadores participaram de uma sessão pedagógica voltada à retomada dos conteúdos e à troca de experiências sobre as atividades realizadas nas instituições. A formação aborda temas relacionados à cultura literária, ao papel do mediador, à escolha de livros de literatura, à organização da atividade e do espaço, à relação entre crianças, mediadores e livros e ao protagonismo na literatura.

    Para Cássia Longo, líder de Educação da Fundação Abrinq, a mediação aproxima as crianças da literatura e amplia suas possibilidades de leitura e compreensão do mundo.

    “Mediação de leitura é uma ponte entre as crianças e o universo dos livros. É por meio dela que despertamos a curiosidade, ampliamos o repertório literário e o acesso à cultura, além de contribuirmos para a formação de leitores autônomos, críticos e capazes de compreender o mundo e atribuir novos sentidos a ele.” 

    O Projeto também passou a contar, neste ano, com uma apostila pedagógica destinada aos adolescentes e educadores em formação. O material reúne conteúdos utilizados nas atividades de mediação e foi desenvolvido a partir de uma versão utilizada no piloto realizado no ano anterior, passando por revisão, ampliação dos conteúdos, diagramação e impressão. As atividades contam com parcerias que viabilizam a realização dos encontros e das visitas, entre elas a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Fatec São Paulo e a Biblioteca Municipal Infanto-Juvenil Monteiro Lobato.

    Mais acesso à leitura e à cultura

    Até o momento, os três primeiros encontros de 2026 reuniram atividades de formação, práticas de mediação, empréstimos de livros e visitas culturais. Na Biblioteca Municipal Infanto-Juvenil Monteiro Lobato, 139 adolescentes passaram a contar com carteirinhas da rede municipal e 202 livros foram emprestados. As atividades de formação, por sua vez, preparam os participantes para desenvolver práticas de leitura nas instituições.

    Até novembro, ainda estão previstos dois encontros, dando continuidade às atividades de formação, mediação de leitura e experiências culturais que integram o Projeto Mudando a História. Com mais de 1.500 leituras realizadas até o momento, a iniciativa amplia as oportunidades de contato de crianças e adolescentes com a literatura e contribui para que os livros circulem entre diferentes públicos, dentro e fora das instituições participantes, aproximando a leitura do cotidiano de crianças, adolescentes e suas famílias.

  • SUS completa 36 anos e contribui para avanços na saúde de crianças e adolescentes

    SUS completa 36 anos e contribui para avanços na saúde de crianças e adolescentes

    O Sistema Único de Saúde (SUS) completa 36 anos em 19 de setembro, data que marca a sanção da Lei nº 8.080, de 1990, responsável por regulamentar a organização e o funcionamento do sistema previsto pela Constituição Federal de 1988. Ao estabelecer a saúde como um direito de todos e um dever do Estado, a criação do SUS estruturou uma rede pública de atendimento que reúne ações de promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde em todo o território nacional, acompanhando a população nas diferentes fases da vida.

    Para crianças e adolescentes, essa rede possibilita o acesso a cuidados que acompanham diferentes etapas do desenvolvimento. A atuação começa ainda durante a gestação, com o pré-natal e a assistência ao parto e ao nascimento, e continua após o nascimento com vacinação, acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento, incentivo ao aleitamento materno, prevenção e tratamento de doenças e atendimento nos diferentes serviços que integram a rede de saúde.

    Na infância e na adolescência, o acompanhamento regular permite identificar necessidades de saúde, orientar as famílias e encaminhar crianças e adolescentes para outros serviços quando há necessidade de avaliação ou atendimento especializado. A organização dessa rede também possibilita ações específicas para cada etapa do desenvolvimento, desde os primeiros cuidados de vida até as demandas próprias da adolescência.

    Mortalidade infantil: avanços e desafios

    A evolução da mortalidade infantil permite observar parte das mudanças nas condições de saúde da população no Brasil. Dados do Observatório da Criança e do Adolescente, da Fundação Abrinq, mostram que o número de óbitos de crianças com até 1 ano de idade passou de 31.439, em 2020, para 29.810, em 2025, uma redução de aproximadamente 5,2% no período. Os dados mais recentes, no entanto, apresentam oscilações: foram registrados 32.257 óbitos em 2022, 32.017 em 2023 e 30.020 em 2024.

    A redução observada entre 2020 e 2025 está relacionada a um conjunto de fatores sociais, econômicos e de saúde, como o acesso aos serviços, a vacinação, o acompanhamento pré-natal e infantil, a assistência ao parto e ao nascimento, o saneamento, a escolaridade e as condições de vida das famílias. Nesse cenário, o SUS participa da organização e da oferta de serviços que acompanham a população desde a gestação e durante a infância e a adolescência.

    Em 2025, foram registrados 10.472 óbitos de crianças com até 1 ano de idade no Sudeste, 8.910 no Nordeste, 4.173 no Norte, 3.533 no Sul e 2.722 no Centro-Oeste. Os registros estão presentes em todas as regiões brasileiras e mostram que a mortalidade infantil permanece entre as questões que demandam acompanhamento e continuidade das ações de saúde voltadas às crianças e às famílias.

    Os dados também ajudam a compreender a importância de uma rede de atenção capaz de acompanhar as crianças desde os primeiros cuidados e de responder às necessidades identificadas ao longo do desenvolvimento. Nesse processo, a Atenção Primária à Saúde tem papel importante por manter uma relação próxima com as famílias e com os territórios.

    SUS: Atenção Primária aproxima o cuidado das famílias

    A Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de entrada do SUS e acompanha a população de forma próxima aos territórios onde vive. Por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), das equipes de Saúde da Família, dos agentes comunitários de saúde e de outros profissionais, são realizadas ações de prevenção, acompanhamento e orientação das famílias, além da identificação de situações que podem demandar avaliação, tratamento ou encaminhamento para outros pontos da rede.

    Na saúde infantil, esse acompanhamento permite observar aspectos relacionados ao crescimento e ao desenvolvimento, à alimentação, à vacinação e a outras necessidades identificadas durante o contato com os serviços. A proximidade com as famílias também favorece o acompanhamento contínuo e a identificação de situações que possam exigir cuidados específicos em diferentes momentos da infância e da adolescência.

    Na adolescência, o cuidado em saúde considera as necessidades próprias dessa etapa do desenvolvimento, a Atenção Primária contribui para esse acompanhamento ao oferecer orientação e ações de prevenção, identificar situações que demandem cuidados específicos e encaminhar os adolescentes para outros serviços da rede quando necessário.

    Programa 1000 Dias: cuidados que começam na gestação

    Entre as iniciativas da Fundação Abrinq está o Programa 1000 Dias, que promove cuidados e ações de saúde para gestantes, mães, bebês e crianças, desde a gestação até os dois primeiros anos de vida. O período reúne diferentes necessidades relacionadas à saúde, à alimentação e ao desenvolvimento infantil e demanda acompanhamento desde o início da gestação.

    Em parceria com municípios e profissionais, o programa apoia ações relacionadas à gestação, ao nascimento, à alimentação e ao desenvolvimento da criança, considerando as necessidades das famílias durante os primeiros anos de vida.

    O Programa 1000 Dias integra a atuação da Fundação Abrinq na garantia dos direitos de crianças e adolescentes e faz parte das iniciativas desenvolvidas pela organização na área da Saúde. O trabalho é realizado em parceria com diferentes atores e busca contribuir para que famílias tenham acesso a cuidados e orientações durante uma fase importante do desenvolvimento infantil.

    Ao apoiar iniciativas voltadas à saúde e ao desenvolvimento infantil, a Fundação Abrinq contribui para que ações direcionadas a crianças, adolescentes e suas famílias tenham continuidade e sejam desenvolvidas em articulação com os profissionais e serviços que fazem parte dessa rede de cuidado.

    Seja um doador da Fundação Abrinq. Sua contribuição ajuda a manter programas e projetos que atuam pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes, em parceria com municípios e profissionais que estão próximos das famílias e dos territórios.

  • Fundação Abrinq leva ação de cuidado com a visão a crianças e adolescentes em parceria com o Instituto Olhares do Bem

    Fundação Abrinq leva ação de cuidado com a visão a crianças e adolescentes em parceria com o Instituto Olhares do Bem

    A Fundação Abrinq se uniu ao Instituto Olhares do Bem, uma iniciativa da Rede de Óticas Mercadão dos Óculos, para oferecer avaliação visual e consulta com optometrista a crianças e adolescentes atendidos em dois Centros para Crianças e Adolescentes (CCAs) parceiros da instituição. A ação teve como objetivo identificar necessidades de correção visual e encaminhar os casos que exigem acompanhamento oftalmológico especializado.

    Ação optometrista

    Problemas de visão não identificados na infância podem passar despercebidos por bastante tempo, já que muitas crianças não sabem reconhecer ou explicar que enxergam mal. Isso pode se refletir em dificuldades de concentração, queda no desempenho escolar e até em mudanças de comportamento, uma vez que boa parte do aprendizado nos primeiros anos de vida depende da visão. Por isso, identificar e tratar essas questões cedo ajuda a evitar que elas se transformem em barreiras para o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças.

    Durante os encontros, as crianças e os adolescentes passaram por uma avaliação com optometrista para verificar a necessidade de uso de óculos. Quando a triagem indicava alguma outra alteração na saúde ocular, as famílias recebiam um encaminhamento para consulta com oftalmologista pelo SUS. Os participantes que tiveram a necessidade de óculos confirmada vão receber o equipamento em breve. Confira abaixo os atendimentos realizados:

    •    CCA Projeto Sol: 122 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos participaram da ação nos dias 19 e 20 de agosto. Serão doados 35 óculos;
    •    CCA Alto da Riviera: 68 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos participaram da ação no dia 10 de setembro. Serão doados 28 óculos.

    Ao todo, 190 crianças e adolescentes foram atendidos nas duas unidades, e 63 óculos serão entregues aos participantes que precisam de correção visual.

    óculos

    “A ação em parceria com a Fundação Abrinq é muito importante para o serviço, pois amplia o acesso à saúde e garante um cuidado que, para muitas das nossas crianças e adolescentes, poderia não acontecer devido às condições de vulnerabilidade social. Identificar uma dificuldade visual e garantir não apenas o atendimento, mas também os óculos para quem precisa, significa oferecer melhores condições para aprender, participar das atividades, desenvolver-se e enxergar novas possibilidades. Para o nosso território, essa parceria representa cuidado, oportunidade e garantia de direitos. É uma ação que impacta diretamente a vida das crianças e adolescentes e fortalece o trabalho que realizamos diariamente no CCA.”

    Sônia, gerente do CCA Alto da Riviera

    Reconhecimento da parceria

    Troféu

    A parceria entre a Fundação Abrinq e o Mercadão dos Óculos não é recente. Ao longo dos anos, as duas instituições vêm somando esforços para ampliar o acesso de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade ao cuidado com a saúde visual. Em reconhecimento a esse trabalho conjunto, a Fundação Abrinq recebeu um troféu do Mercadão dos Óculos celebrando a parceria no ciclo 2025-2026.

  • Prevenção da gravidez na adolescência: 276,3 mil bebês nasceram de mães com até 19 anos em 2025

    Prevenção da gravidez na adolescência: 276,3 mil bebês nasceram de mães com até 19 anos em 2025

    Dados do Observatório da Criança e do Adolescente mostram que, em 2025, 276,3 mil bebês nasceram de mães com até 19 anos no Brasil. O número dimensiona a presença da gravidez na adolescência no país e reforça a importância de ações permanentes de prevenção, acesso à saúde sexual e reprodutiva, educação, proteção e garantia de direitos de crianças e adolescentes.

    A evolução dos nascimentos de mães com até 19 anos indica uma redução na participação dos nascidos vivos de mães com até 19 anos no conjunto dos nascimentos brasileiros, mas que ainda apresentam diferenças importantes entre os territórios. Em 2024, último ano consolidado apresentado pela Fundação Abrinq no Um Retrato da Infância e Adolescência no Brasil 2026, esse grupo representava 11,4% dos nascimentos, ante 14,7% em 2019. A redução observada na série histórica indica uma mudança no cenário nacional, mas as diferenças regionais mostram que esse processo não ocorre da mesma maneira em todo o país.

    A Semana Latino-Americana de Prevenção da Gravidez na Adolescência, realizada entre 16 e 22 de setembro e incluída no calendário do Ministério da Saúde, amplia justamente essa discussão. A mobilização está relacionada ao acesso de adolescentes aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e à construção de estratégias que considerem as condições sociais, educacionais e territoriais que interferem no exercício de seus direitos. O dia 22 de setembro também marca o Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens.

    Desigualdades entre os territórios persistem

    A redução registrada na série histórica precisa ser analisada junto às diferenças existentes entre as regiões brasileiras. Em 2024, os nascidos vivos de mães com até 19 anos correspondiam a 18,5% do total de nascimentos na Região Norte e a 13,7% no Nordeste. No Centro-Oeste, o percentual era de 11,5%, enquanto Sudeste e Sul apresentavam, respectivamente, 8,8% e 8,3%. Os números evidenciam que, embora a proporção tenha diminuído em todas as regiões, a gravidez na adolescência permanece mais presente em determinados contextos territoriais.

    Essa diferença não pode ser compreendida somente a partir de escolhas individuais, o acesso a serviços de saúde, informações sobre sexualidade e reprodução, métodos contraceptivos e acompanhamento profissional é influenciado pelas condições econômicas e sociais, pela oferta de políticas públicas e pelas oportunidades existentes em cada território. A permanência na escola, as relações familiares e comunitárias, a exposição a situações de violência e a possibilidade de construir projetos de vida também fazem parte desse contexto.

    Para a enfermeira Laura Lino Mendes da Cruz, compreender essa realidade exige considerar as particularidades de cada território e as condições que interferem no acesso dos adolescentes às políticas e aos serviços. Considerar essas diferenças é importante porque adolescentes não formam um grupo homogêneo, as experiências de uma adolescente que vive em uma área periférica, que enfrenta dificuldades econômicas ou tem acesso limitado aos serviços públicos podem ser muito diferentes das vivenciadas por outra adolescente que dispõe de maior suporte familiar, acesso regular à escola e aos serviços de saúde. Por isso, políticas de prevenção precisam considerar o território e as condições em que cada adolescente vive, em vez de partir de uma orientação única para realidades distintas.

    Informação, acesso e autonomia são parte da prevenção

    A prevenção da gravidez na adolescência envolve informação adequada, acesso aos serviços de saúde e aos métodos contraceptivos, educação sexual e possibilidade de diálogo com profissionais preparados para acolher dúvidas e orientar sem julgamento. O Ministério da Saúde destaca a importância de ações intersetoriais e da atenção primária à saúde como porta de entrada para o cuidado integral de adolescentes, além da participação de escolas, famílias e outros setores na promoção da saúde sexual e reprodutiva.

    Entretanto, disponibilizar informação não significa, por si só, garantir que ela seja compreendida ou incorporada pelos adolescentes. A maneira como o conhecimento chega, quem o transmite e se existe espaço para perguntas e diálogo interferem na capacidade de cada adolescente avaliar informações e tomar decisões relacionadas à própria saúde. Esse desafio se torna ainda maior em um ambiente no qual conteúdos produzidos por escolas, famílias, profissionais de saúde, redes sociais e influenciadores circulam simultaneamente, nem sempre com a mesma qualidade ou respaldo científico.

    É nesse ponto que a escuta ganha importância, em vez de limitar a prevenção à transmissão de orientações sobre o que adolescentes devem ou não fazer, é necessário compreender suas dúvidas, experiências, expectativas e condições de vida para construir estratégias de comunicação que façam sentido para esse público. Como explica Laura, “precisamos escutá-las antes de simplesmente dizer o que elas devem fazer”, porque essa escuta permite construir informações que contribuam para a autonomia.

    A prevenção também precisa envolver os meninos e discutir a corresponsabilidade nas decisões relacionadas à vida sexual e reprodutiva. Historicamente, a contracepção costuma ser apresentada como uma responsabilidade principalmente feminina, mas relações afetivas e sexuais envolvem mais de uma pessoa e podem ser vivenciadas por desigualdades de poder, expectativas sobre masculinidade e diferentes formas de violência. Ampliar esse debate contribui para que as ações de prevenção não recaiam exclusivamente sobre as meninas.

    Da mesma forma, educação sexual adequada à idade precisa ser compreendida como parte da proteção. Espaços seguros de conversa permitem abordar corpo, sexualidade, relações, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, métodos contraceptivos, consentimento e situações de violência de maneira responsável e compatível com cada faixa etária. O objetivo é oferecer condições para que crianças e adolescentes reconheçam seus direitos, saibam onde buscar ajuda e tenham acesso a informações confiáveis.

    Proteção contra a violência antes dos 14 anos 

    Quando a gravidez envolve meninas menores de 14 anos, a discussão assume uma dimensão ainda mais diretamente relacionada à proteção contra a violência sexual. No Brasil, relações sexuais com menores de 14 anos são enquadradas como estupro de vulnerável. Em 2026, a Lei nº 15.353 alterou o artigo 217-A do Código Penal e estabeleceu expressamente a natureza absoluta dessa vulnerabilidade, independentemente de consentimento, experiência sexual anterior ou gravidez resultante da violência.

    Diante de uma gravidez nessa faixa etária, portanto, os serviços de saúde e os demais integrantes da rede de proteção precisam considerar a possibilidade de violência e garantir acolhimento, atendimento e encaminhamentos adequados. O cuidado deve contemplar as necessidades clínicas, a prevenção e o atendimento de infecções sexualmente transmissíveis, a saúde mental e o acompanhamento da situação de violência, sem condicionar a assistência à apresentação de boletim de ocorrência.

    Nos casos de gravidez decorrente de estupro, a legislação brasileira prevê a interrupção da gestação, assim como nas situações de risco de vida para a gestante e de anencefalia fetal. A existência dessas previsões reforça a importância de que profissionais conheçam os direitos das meninas e adolescentes e estejam preparados para oferecer atendimento adequado diante de situações de violência.

    A atuação da rede de proteção deve garantir que meninas e adolescentes tenham seus direitos preservados e recebam atendimento adequado diante de situações de violência sexual.

    Cuidado e proteção para adolescentes que já são mães 

    A prevenção da gravidez na adolescência precisa caminhar junto com o cuidado das adolescentes que já estão grávidas. Uma vez iniciada a gestação, garantir atendimento adequado significa acompanhar a saúde da adolescente e do bebê, mas também preservar o direito à educação, à convivência familiar e comunitária, à proteção e à construção de um projeto de vida.

    O pré-natal deve começar o mais cedo possível e considerar as características clínicas e sociais de cada gestação, com acompanhamento do desenvolvimento fetal, avaliação nutricional, vacinação, exames clínicos e laboratoriais e identificação de possíveis complicações. Também fazem parte dessa atenção a prevenção e o diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis, o acompanhamento da saúde mental e a identificação de situações de violência ou outras vulnerabilidades.

    Para que esse cuidado seja efetivo, entretanto, a consulta não pode se resumir a exames, procedimentos e orientações. É necessário compreender como a gestação aconteceu, quais são as condições de vida da adolescente, quem compõe sua rede de apoio, quais são suas preocupações e quais expectativas ela tem para o futuro. A escuta permite que o atendimento seja construído de maneira mais adequada às necessidades daquela adolescente, sem transformar o serviço de saúde em um espaço de julgamento.

    Essa perspectiva também se aplica ao período após o nascimento, a adolescente que se torna mãe continua vivendo as transformações próprias da adolescência e precisa ter suas necessidades consideradas, mesmo diante das novas responsabilidades relacionadas ao bebê. A continuidade dos estudos, o acompanhamento da saúde física e emocional, o apoio familiar e social e a possibilidade de desenvolver seus próprios projetos são dimensões que não devem desaparecer com a maternidade.

    Para Laura Lino Mendes da Cruz, existe o risco de a adolescente deixar de ser percebida como uma pessoa em desenvolvimento e passar a ser considerada exclusivamente a partir da maternidade. “É como se a adolescente deixasse de ser adolescente e passasse a ser vista apenas como mãe.”

    Prevenção como compromisso permanente

    A Semana Latino-Americana de Prevenção da Gravidez na Adolescência chama atenção para a importância de prevenir novas gestações não intencionais e apoiar as adolescentes que já são mães. Em 2026, a campanha tem como tema “Apoiar as mães adolescentes para que prosperem: prevenir novas gestações não intencionais e construir futuros saudáveis”, destacando a necessidade de criar condições para que essas jovens possam cuidar da própria saúde, permanecer na escola, desenvolver sua autonomia e construir projetos de vida.

    Por isso, a resposta precisa envolver diferentes políticas e serviços, saúde, educação, assistência social, famílias, escolas e demais integrantes do sistema de garantia de direitos têm responsabilidades complementares na criação de ambientes em que adolescentes possam obter informação confiável, acessar serviços, identificar situações de violência e receber apoio quando necessário. 

    Esse trabalho também pressupõe reconhecer adolescentes como sujeitos de direitos e participantes das políticas que lhes dizem respeito. Como sintetiza Laura, “precisamos parar de falar sobre adolescentes e começar a construir políticas, informações e práticas de cuidado com elas”. A participação não significa transferir para adolescentes a responsabilidade pela prevenção, mas criar condições para que suas experiências sejam consideradas na formulação das estratégias de saúde, educação e proteção.

    Os dados disponíveis permitem dimensionar o fenômeno e acompanhar sua evolução, enquanto a análise das diferenças entre os territórios ajuda a identificar onde os desafios permanecem mais acentuados. A combinação entre informação, políticas públicas, atendimento qualificado e proteção contribui para responder às necessidades de crianças e adolescentes.

    Fundação Abrinq e o cuidado na primeira infância

    A Fundação Abrinq acompanha indicadores relacionados à infância e à adolescência por meio do Um Retrato da Infância e Adolescência no Brasil, publicação anual produzida com base em dados oficiais que reúne séries históricas e informações sobre diferentes dimensões da vida de crianças e adolescentes. A edição de 2026 apresenta indicadores que permitem acompanhar tendências nacionais e diferenças entre as Grandes Regiões, contribuindo para a compreensão dos avanços e dos desafios relacionados à garantia de direitos.

    Na primeira infância, a Fundação Abrinq atua também por meio do Programa 1000 Dias, iniciativa que contempla o período da gestação aos dois anos de idade da criança e trabalha com profissionais das áreas de saúde, educação infantil e assistência social, além de apoiar gestantes e famílias em situação de vulnerabilidade social.

    A atuação da Fundação Abrinq considera que a promoção da saúde e do desenvolvimento infantil começa ainda durante a gestação e depende de uma rede preparada para acompanhar as necessidades da criança, da gestante e de sua família. Nesse sentido, o cuidado precisa contemplar tanto a prevenção de situações que podem comprometer o desenvolvimento quanto o acompanhamento das adolescentes que já vivenciam a maternidade, garantindo que seus direitos e projetos de vida também sejam considerados.

    “Garantir o acesso à informação, à saúde, à educação e à proteção é fundamental para prevenir a gravidez na adolescência. Ao mesmo tempo, é essencial fortalecer a rede de atenção e cuidado às adolescentes que já são mães, garantindo a continuidade dos estudos, o acesso aos serviços de saúde, a proteção social e o desenvolvimento de sua autonomia. Esse olhar integrado contribui para assegurar direitos, ampliar oportunidades e apoiar essas jovens na construção de seus projetos de vida, promovendo saúde, proteção e qualidade de vida para elas e seus filhos.” Cintia da Cunha Otoni, líder da área da Saúde da Fundação Abrinq.

    A perspectiva apresentada por Cintia amplia a discussão sobre a gravidez na adolescência para além da prevenção. Garantir informação e acesso aos serviços é parte desse trabalho, mas as adolescentes que já são mães também precisam encontrar uma rede capaz de acompanhá-las durante a gestação e depois do nascimento da criança, com atenção à saúde, à proteção social, à permanência nos estudos e à construção de sua autonomia.

    Por meio do Programa 1000 Dias, a Fundação Abrinq contribui para qualificar profissionais que integram essa rede e para apoiar gestantes e famílias durante uma etapa fundamental para a saúde e o desenvolvimento infantil. A iniciativa integra, assim, uma agenda mais ampla de promoção de direitos e prevenção de vulnerabilidades, aproximando profissionais, famílias e serviços das necessidades que surgem desde a gestação e nos primeiros anos de vida.

    A prevenção da gravidez na adolescência também faz parte dessa agenda de proteção, garantir acesso à informação, à saúde, à educação e às redes de proteção significa criar condições para que crianças e adolescentes tenham seus direitos respeitados, possam permanecer na escola e tenham oportunidades para desenvolver seus projetos de vida, ao mesmo tempo em que as adolescentes que já são mães recebam o acompanhamento necessário para cuidar de seus filhos sem deixar de cuidar de suas próprias trajetórias.

    Ajude a Fundação Abrinq a transformar a realidade de crianças e adolescentes. Doe.

  • Ministra Janine Mello visita a Fundação Abrinq e defende agenda permanente para direitos humanos

    Ministra Janine Mello visita a Fundação Abrinq e defende agenda permanente para direitos humanos

    A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, esteve na sede da Fundação Abrinq para uma reunião sobre os principais desafios da garantia de direitos de crianças e adolescentes no Brasil. O encontro começou com as boas-vindas do CEO da Fundação Abrinq, Synésio Batista da Costa, seguidas pela apresentação dos principais resultados, programas e projetos da instituição, conduzida pelo superintendente Victor Graça.

    Ao longo da conversa, a ministra agradeceu o convite e destacou a importância da articulação entre setor privado, poder público e terceiro setor para avançar nas pautas que envolvem a infância e a adolescência. Para ela, os direitos humanos precisam ser tratados como política de Estado, mantida independentemente de mudanças de governo.

    Fala Synesio e Janine

    “A gente precisa garantir que os direitos humanos sejam uma pauta de estado. É uma agenda que precisa existir de forma permanente”, afirmou Janine Mello. Sobre infância e adolescência especificamente, ela destacou que se trata de uma pauta suprapartidária: “Criança e adolescente é uma pauta suprapartidária e precisa continuar sendo”.

    Avanços orçamentários e desafios na ponta

    A ministra também comentou avanços do ponto de vista orçamentário, incluindo a liberação de fundos voltados a investimentos em crianças e adolescentes. Além disso, levantou dois temas que considera prioritários para o setor:

    • Conselhos tutelares: a qualificação estrutural dos conselhos e a capacitação dos conselheiros que atuam diretamente na ponta, atendendo casos concretos nos municípios.
    • Inclusão de crianças com deficiência: como garantir, do ponto de vista pedagógico, que essas crianças sejam efetivamente incluídas no ambiente escolar.
    Presidente

    Monitoramento de municípios e outros temas da pauta

    Durante a reunião, Synésio Batista da Costa explicou o funcionamento do Programa Prefeitas e Prefeitos Amigos da Criança e como é feito o monitoramento dos indicadores dos municípios participantes. O encontro também passou por outros temas sensíveis da agenda de direitos da infância e adolescência, como o combate ao trabalho infantil e o debate sobre a maioridade penal.

    Victor Graça apresentação
  • Fundação Abrinq apoia projetos que promovem saúde mental na infância

    Fundação Abrinq apoia projetos que promovem saúde mental na infância

    Setembro Amarelo amplia, todos os anos, a conversa sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Quando o assunto envolve crianças e adolescentes, porém, essa discussão precisa ultrapassar o calendário da campanha. O cuidado começa antes de uma situação de sofrimento se tornar evidente e está presente em atitudes que fazem parte da rotina: ouvir, observar, acolher, respeitar sentimentos e criar espaços nos quais crianças e adolescentes possam se expressar.

    Na infância, nem sempre é possível explicar com palavras o que está acontecendo. Uma criança pode não dizer que está triste, ansiosa, insegura ou com medo, mas demonstrar o que sente por meio de mudanças de comportamento, dificuldades de aprendizagem, irritabilidade, isolamento ou alterações na rotina. Na adolescência, outras formas de sofrimento também podem aparecer nas relações familiares e sociais, na escola e na maneira como o jovem passa a se relacionar com atividades que antes faziam parte de seu cotidiano.

    Os dados ajudam a dimensionar a importância de prestar atenção à saúde mental na adolescência. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 28,9% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram ter se sentido tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa. Em 2019, esse percentual era de 31,4%, uma redução de 2,5 pontos percentuais no período.

    Promover saúde mental, portanto, não significa apenas responder quando o sofrimento já está instalado. A prevenção também passa pela construção de relações de confiança, pela convivência, pelo direito de participar e pela existência de adultos capazes de perceber mudanças e oferecer apoio.

    “Não esperem que a criança consiga explicar sozinha tudo aquilo que está sentindo”, afirma Aline Carolina Pahl Stammerjohann, psicopedagoga do Instituto Conforme, de Joinville – SC.

    A organização integra o Programa Nossas Crianças, da Fundação Abrinq, com o Projeto Caminho Inclusivo, desenvolvido no eixo de Promoção da Saúde Mental. A iniciativa acompanha 272 crianças de 6 a 12 anos e suas famílias e trabalha questões relacionadas à aprendizagem, atenção, socialização e autoestima. A experiência do projeto mostra como o cuidado com a saúde mental pode estar associado ao acompanhamento do desenvolvimento infantil e à criação de espaços em que a criança possa aprender, brincar e se expressar sem medo de errar.

    O que a criança ainda não consegue dizer

    Para Aline, cuidar da saúde mental na infância significa olhar para a criança de forma integral. Isso envolve considerar não apenas seu desempenho escolar ou seu comportamento, mas também suas emoções, relações, dificuldades e potencialidades. Muitas vezes, ela encontra outras formas de comunicar que alguma coisa não vai bem.

    Por isso, a prevenção está relacionada à capacidade dos adultos de observar. Isolamento, tristeza frequente, irritabilidade excessiva, alterações importantes no sono ou na alimentação, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, dificuldade intensa de concentração, queda repentina no rendimento escolar, crises frequentes, medo excessivo e regressões no desenvolvimento são alguns dos sinais que merecem atenção quando representam uma mudança persistente em relação ao comportamento habitual.

    O primeiro passo, segundo a psicopedagoga, não é punir ou rotular, mas tentar compreender. Uma criança que apresenta dificuldade para realizar determinada tarefa ou que reage de uma maneira considerada inadequada pode estar expressando uma necessidade que ainda não foi identificada.

    Essa perspectiva também modifica a maneira como os adultos podem lidar com a aprendizagem. Dificuldades escolares não devem ser automaticamente interpretadas como falta de esforço ou desinteresse. A observação do comportamento, das relações e das condições em que a criança aprende pode revelar necessidades que exigem acompanhamento.

    No Caminho Inclusivo, o atendimento psicopedagógico e psicológico permite observar essas questões e construir estratégias de acordo com as características de cada criança. Atividades lúdicas, jogos, brincadeiras e materiais pedagógicos também podem contribuir para esse processo, porque o brincar é uma das formas pelas quais a criança se comunica e manifesta aspectos emocionais, sociais e cognitivos.

    Pequenas conquistas passam a ter significado nesse acompanhamento, reconhecer letras, escrever o próprio nome, permanecer mais tempo em uma atividade, esperar a própria vez, aceitar uma mudança na rotina ou conseguir expressar uma emoção podem representar avanços importantes para uma criança. Valorizar essas conquistas contribui para que ela desenvolva confiança em suas próprias capacidades.

    Escutar sem transformar sentimento em problema

    A escuta é parte desse processo, quando encontra um adulto disposto a ouvir, a criança percebe que aquilo que sente tem valor e que não precisa enfrentar suas dificuldades sozinha. Para Aline, esse tipo de relação contribui para a confiança, a autoestima e o sentimento de pertencimento.

    Criar um espaço seguro, no entanto, não significa apenas perguntar o que aconteceu, é preciso estar disponível para ouvir sem julgamento e utilizar uma linguagem adequada à idade. Algumas crianças podem falar diretamente sobre o que sentem, outras podem recorrer ao desenho, ao brincar, a uma atividade ou ao próprio comportamento para demonstrar o que estão vivendo.

    É nesse ponto que algumas respostas comuns dos adultos podem dificultar o diálogo. Frases como “isso não é nada”, “engole o choro” ou comparações com experiências vividas pelos próprios adultos podem fazer com que a criança compreenda que seus sentimentos não devem ser compartilhados.

    O adulto também precisa evitar julgamentos, ameaças, gritos e cobranças excessivas. Antes de tentar corrigir um comportamento, é importante procurar entender o que está por trás dele. Essa mudança de perspectiva não significa deixar de estabelecer limites, mas reconhecer que o comportamento também pode ser uma forma de comunicação.

    A prevenção, nesse sentido, não está restrita ao atendimento profissional. Ela também acontece dentro de casa, na escola e nos espaços de convivência. Conversar, brincar, estabelecer uma rotina, acompanhar a vida escolar, respeitar o tempo da criança, reconhecer suas conquistas e mostrar que ela pode procurar um adulto quando estiver enfrentando uma dificuldade são atitudes que fazem parte desse cuidado.

    A família também precisa de apoio

    Quando uma criança enfrenta dificuldades relacionadas à aprendizagem ou ao desenvolvimento, a situação também pode afetar os adultos responsáveis por ela. O diagnóstico, uma suspeita ou a percepção de que algo não está acontecendo como esperado podem provocar preocupação, medo, frustração e sensação de impotência.

    Por isso, cuidar da saúde mental da criança também envolve cuidar de quem está ao seu redor. No trabalho desenvolvido pela organização, o acolhimento dos responsáveis faz parte desse processo. A equipe busca compreender o contexto familiar, ouvir as preocupações e orientar sobre as necessidades observadas e as estratégias que podem ser utilizadas no cotidiano.

    A articulação com a escola e com outros profissionais também é importante. Família, escola e serviços de atendimento precisam compartilhar informações e buscar caminhos que permitam compreender a criança de maneira integral.

    Para famílias em situação de vulnerabilidade social, esse percurso pode ser ainda mais difícil. O acesso a profissionais especializados, avaliações e documentos necessários para garantir determinados direitos pode envolver espera e obstáculos. Nesse contexto, organizações da sociedade civil podem contribuir para aproximar famílias da rede de proteção e dos serviços disponíveis.

    Pedir ajuda, nesses casos, não deve ser entendido como fracasso da família. Quando os sinais persistem, interferem na rotina, na aprendizagem ou nas relações, ou quando os adultos percebem que não conseguem conduzir a situação sozinhos, buscar acompanhamento profissional é uma forma de cuidado.

    O cuidado com a saúde mental que continua depois de setembro

    No Instituto Conforme, o Projeto Caminho Inclusivo mostra como a promoção da saúde mental pode fazer parte do acompanhamento cotidiano da infância, desde as questões relacionadas à aprendizagem até as relações familiares e a convivência.

    “Saúde mental na infância não deve ser lembrada somente durante este mês. Este cuidado deve ser construído dia a dia, assim como cuidamos da alimentação, higiene, sono e aprendizagem”, afirma Aline.

    A fala resume uma questão importante para além do Setembro Amarelo: promover saúde mental não significa esperar que uma situação de sofrimento apareça para então agir. O cuidado também está na escuta, na observação, na convivência e na construção de relações em que crianças e adolescentes saibam que podem procurar ajuda.

    É nesse cotidiano que a prevenção ganha espaço, ouvir sem julgar, respeitar sentimentos, perceber mudanças de comportamento, acompanhar a vida escolar e procurar orientação profissional quando necessário são atitudes que podem ajudar a identificar dificuldades e oferecer suporte no momento adequado.

    Setembro pode ampliar a conversa, mas o cuidado não termina quando o mês acaba. Para crianças e adolescentes, ter adultos atentos, espaços seguros de convivência e uma rede capaz de acolher suas necessidades é parte de uma proteção que precisa acontecer todos os dias.

    A saúde mental também faz parte da proteção de crianças e adolescentes. Conheça o trabalho da Fundação Abrinq, acompanhe seus projetos e programas e ajude a ampliar essas iniciativas. Seja um doador e faça parte dessa rede de proteção.