Tag: Violência Sexual

  • Organizações apoiadas pela Fundação Abrinq ampliam ações de proteção contra violência doméstica e sexual

    Organizações apoiadas pela Fundação Abrinq ampliam ações de proteção contra violência doméstica e sexual

    O ciclo 2026-2027 do Programa Nossas Crianças, da Fundação Abrinq, que conta com o apoio da Fundação Rainer Blickle, reúne organizações da sociedade civil que atuam na promoção e na defesa dos direitos de crianças e adolescentes em contextos de vulnerabilidade social em diferentes regiões do Brasil. Entre os eixos apoiados pela organização, o enfrentamento à violência doméstica e sexual contempla iniciativas voltadas à prevenção, à identificação e ao acompanhamento de situações de violência contra crianças e adolescentes, fortalecendo estratégias de proteção construídas em diálogo com os territórios e suas comunidades.

    As organizações conveniadas foram selecionadas a partir de um processo de análise técnica das propostas apresentadas, considerando critérios como experiência institucional, atuação junto às comunidades atendidas e capacidade de articulação com a rede de proteção local. Ao longo do ciclo, os projetos recebem apoio financeiro, acompanhamento técnico e participarão de espaços formativos e de troca de experiências promovidos pela Fundação Abrinq.

    Mesmo vivendo diferentes realidades, as organizações apoiadas enfrentam desafios relacionados à violência doméstica e sexual, à fragilidade dos vínculos familiares, à evasão escolar, à desigualdade social e às limitações no acesso a serviços públicos essenciais.

    Conheça as organizações conveniadas neste eixo:

    Associação Santo Dias

    Projeto Raízes da Proteção

    santo dias

    Em Fortaleza – CE, a organização realiza o projeto Raízes da Proteção, direcionado a 100 crianças de 7 a 10 anos residentes nos bairros Jangurussu, Ancuri e Santa Maria. O território enfrenta desafios relacionados à violência doméstica e sexual, evasão escolar, fragilidade dos vínculos familiares e comunitários e presença constante de conflitos ligados à disputa entre facções criminosas.

    A proposta do projeto é fortalecer ações preventivas e promover espaços de proteção para as crianças atendidas. Entre as atividades desenvolvidas estão oficinas socioeducativas, rodas de conversa, atendimentos individuais e encontros mensais com as famílias para debater temas como comunicação não violenta, proteção e parentalidade positiva.

    A parceria com a Fundação Abrinq possibilita a implantação de novas oficinas de artes plásticas e contação de histórias, além da contratação de um psicólogo e de um arte-educador para ampliar o acompanhamento psicossocial das crianças e suas famílias.

    Mais do que realizar o investimento financeiro necessário para a execução das ações, a Fundação Abrinq também oferece suporte organizacional e acompanhamento técnico, o que tem contribuído diretamente para o fortalecimento institucional da nossa equipe. Esse cuidado e proximidade fazem toda a diferença no dia a dia do projeto, pois nos sentimos mais preparados, seguros e fortalecidos tecnicamente para desenvolver um trabalho de qualidade junto às crianças, adolescentes e famílias atendidas.”

    Celmária Simão, coordenadora da Associação Santo Dias. 

    Associação PEB – Projeto Educa Basquete

    Projeto Educa Basquete

    Educa Basquete

    No município de Serra – ES, o projeto Educa Basquete atenderá 100 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos em um contexto marcado pelos altos índices de violência e criminalidade. Dados recentes da Polícia Militar e da Polícia Civil apontam a gravidade das violações envolvendo crianças e adolescentes no município, considerado um dos mais violentos do país segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

    O projeto utiliza o esporte como ferramenta de convivência, fortalecimento de vínculos e promoção de direitos. As atividades incluem oficinas de basquete, futebol e vôlei, além de rodas de conversa, atendimentos individuais e acompanhamento familiar por meio de visitas domiciliares.

    Com o apoio da Fundação Abrinq, a iniciativa pretende ampliar sua atuação com a oferta de uma oficina de jiu-jitsu voltada ao desenvolvimento da disciplina, concentração e defesa pessoal. A associação também trabalha para fortalecer a articulação com a rede de proteção local para identificação e acompanhamento de casos de violência doméstica e sexual.

    Associação Mão Amiga

    Projeto Infância Amiga 

    Em Caxias do Sul – RS, a organização desenvolve o projeto Infância Amiga, voltado a 200 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos que vivem em um território marcado por vulnerabilidades sociais, moradias irregulares, ausência de saneamento básico e exposição à violência doméstica e ao tráfico de drogas. Segundo dados do Centro de Referência de Assistência Social, grande parte das famílias atendidas é beneficiária de programas de transferência de renda, sendo a maioria chefiada por mulheres.

    As atividades do projeto incluem oficinas socioeducativas e culturais, com a ampliação das ações por meio da oferta de novas oficinas de artes e teatro. A iniciativa também prevê rodas de conversa, atendimentos individuais e encontros quinzenais com as famílias, fortalecendo espaços de diálogo e escuta qualificada conduzidos por profissionais especializados.

    Com a parceria com a Fundação Abrinq, o projeto contará com a contratação de um psicólogo e de um arte-educador, além da ampliação do acompanhamento familiar por meio de visitas domiciliares e da participação ativa nos estudos de caso promovidos pela rede de proteção do município.

    Grupo Comunitário Semente da Esperança

    Projeto Viver em Paz

    Grupo Cumunitário

    Em São Luís – MA, o projeto Viver em Paz atenderá 250 crianças e adolescentes de 4 a 18 anos da região da Vila dos Frades, no bairro do Coroadinho, uma das maiores áreas periféricas da capital maranhense. O território é marcado por desigualdades sociais, vulnerabilidade econômica e altos índices de violência doméstica, sexual e urbana.

    A proposta do projeto combina atividades culturais, educativas e comunitárias voltadas à promoção da cultura de paz e ao fortalecimento da rede de proteção local. Entre as ações previstas estão oficinas temáticas sobre direitos e proteção, apresentações culturais, sessões de cinema educativo, jogos cooperativos e produção de materiais informativos sobre prevenção às violências e canais de denúncia.

    A parceria com a Fundação Abrinq permitirá a criação do “Círculo da Paz”, espaço permanente de diálogo e escuta ativa para crianças e adolescentes, além da realização de encontros intergeracionais envolvendo pais, filhos e avós. O projeto também prevê a criação de um comitê local de articulação com representantes da assistência social, saúde, educação e conselho tutelar.

    “A oportunidade de estarmos em parceria com a Fundação Abrinq tem ampliado a visibilidade de nossas ações, permitindo alcançar pessoas que precisam desse apoio e acolhimento. O projeto é a realização de um sonho, que nasceu com o objetivo de gerar resultados concretos para nossas famílias e para a comunidade. Estamos no caminho certo e agradecemos à Fundação Abrinq pela confiança e parceria!”

    Helena de Jesus, gestora do Grupo Comunitário Semente da Esperança.

    Associação Comunitária Campestre

    Projeto Adolescentes na Mesma Sintonia​

    Campestre

    No município de Campestre – AL, a organização desenvolve o projeto Adolescentes na Mesma Sintonia, voltado a 100 crianças e adolescentes de 7 a 18 anos. O contexto local é marcado por situações recorrentes de violência física, doméstica e familiar, além da fragilidade do Sistema de Garantia de Direitos para identificação e encaminhamento dos casos de violência contra crianças e adolescentes.

    A iniciativa aposta na educomunicação e na participação juvenil como ferramentas de prevenção e conscientização. Entre as atividades previstas estão oficinas de informática, fotografia, comunicação e mediação de leitura, além da criação de uma agência de notícias para produção de conteúdos educativos voltados às plataformas digitais e à rádio comunitária. 

    Com o apoio da Fundação Abrinq, o projeto realizará seminários sobre violência em parceria com escolas do território, fortalecerá os atendimentos individuais e as visitas domiciliares e ampliará a participação nos espaços de articulação da rede de proteção local.

    “A parceria com a Fundação Abrinq fortalece as nossas ações na garantia dos direitos da criança e do adolescente. Atuamos por meio de uma rede ativa no combate à exploração sexual infantojuvenil, ao trabalho infantil e à violência escolar e doméstica.”

    Buarque Júnior, Gerente de Projetos da Associação Comunitária Campestre

    Associação Acolher Macapá

    Projeto Campeões de Palafitas​

    Acolher Macapá

    Em Macapá – AP, o projeto Campeões de Palafitas atenderá 200 crianças e adolescentes de 4 a 18 anos residentes em áreas marcadas pela precariedade habitacional, pela desigualdade social e pela limitação do acesso a serviços públicos básicos. O município também enfrenta altos índices de gravidez na adolescência e problemas relacionados à ausência de saneamento básico.

    O projeto desenvolve atividades socioeducativas, culturais e esportivas como estratégia de fortalecimento de vínculos e prevenção às violências. As ações incluem oficinas de teatro, dança, informática, esportes e artes marciais, além de rodas de conversa, atendimentos individuais e acompanhamento psicossocial das famílias.

    A parceria com a Fundação Abrinq possibilitará a ampliação dos espaços de escuta especializada e do trabalho articulado com a rede de proteção do município, incluindo participação em estudos de caso e fortalecimento dos fluxos de atendimento às situações de violência.

    Ação Educacional Claretiana

    Projeto Brincar é Direito: Fortalecendo Infâncias e Comunidades

    Em Rio Claro – SP, a organização desenvolve um projeto voltado a 200 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos residentes em bairros periféricos da região sul do município. O território apresenta vulnerabilidade social, insuficiência de equipamentos públicos de lazer e sobrecarga dos serviços de assistência social e saúde, além da concentração de famílias de baixa renda.

    As atividades propostas incluem oficinas temáticas sobre proteção e direitos, rodas de conversa, atendimentos individuais e ações voltadas ao fortalecimento da convivência em grupo. O projeto também incentiva a participação das próprias crianças na construção de registros sobre suas experiências por meio de desenhos, relatos e murais.

    Com a parceria com a Fundação Abrinq, a iniciativa ampliará os encontros com as famílias e o acompanhamento por meio de visitas domiciliares, além de fortalecer a atuação conjunta com a rede de proteção local em estudos de caso e ações de acompanhamento das situações identificadas.
     

  • Violência sexual contra crianças e adolescentes: quase 60 mil notificações em 2025

    Violência sexual contra crianças e adolescentes: quase 60 mil notificações em 2025

    O Brasil registrou 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Nos últimos 11 anos, o país acumulou 422.994 registros desse tipo de violência, um aumento de 183,5% no período.

    As notificações registradas em 2025 representam um dos maiores números da série histórica iniciada em 2009. O total fica próximo ao registrado em 2024, quando houve 60.805 notificações.

    Em 2015, o país contabilizou 21.122 casos. Desde então, os números cresceram de forma contínua, com exceção de oscilações pontuais ao longo da série histórica.

    Confira os números nacionais ano a ano:

    2015: 21.122 notificações
    2016: 23.407 notificações
    2017: 27.963 notificações
    2018: 31.799 notificações
    2019: 34.212 notificações
    2020: 29.269 notificações
    2021: 35.084 notificações
    2022: 42.083 notificações
    2023: 57.363 notificações
    2024: 60.805 notificações
    2025: 59.887 notificações

    Os números são preocupantes, mas podem estar longe de refletir a realidade. Muitos episódios de violência sexual nunca chegam ao conhecimento das autoridades, seja pelo medo da vítima, pelo vínculo com o agressor ou pela falta de informação sobre os canais de denúncia disponíveis.

    Nesse cenário, ações de conscientização e orientação têm papel importante para ampliar o reconhecimento dos sinais de violência sexual e incentivar a denúncia. É o caso da campanha Pode Ser Abuso, criada pela Fundação Abrinq em 2018.

    Quais regiões concentram mais notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes?

    Em 2025, a região Sudeste concentrou o maior número de notificações, com 26.059 registros, o equivalente a 43,5% do total nacional.

    Na sequência aparecem:

    Sul: 11.949 notificações
    Nordeste: 9.600 notificações
    Norte: 7.733 notificações
    Centro-Oeste: 4.546 notificações

    São Paulo foi o estado com o maior número absoluto de notificações em 2025, com 14.124 registros.

    Os dados refletem diferenças populacionais, capacidade de notificação e acesso aos serviços da rede de proteção em cada região do país.

    Por que muitos casos de violência sexual permanecem invisíveis?

    A violência sexual contra crianças e adolescentes frequentemente acontece em ambientes próximos da vítima, o que pode dificultar a denúncia e a identificação dos casos.

    Em muitas situações, crianças e adolescentes não conseguem reconhecer a violência, têm medo de relatar o ocorrido ou dependem diretamente do agressor ou de pessoas ligadas a ele.

    Também existem casos em que sinais de sofrimento são interpretados apenas como mudanças de comportamento ou dificuldades emocionais. Alterações bruscas de humor, isolamento, medo excessivo, queda no rendimento escolar e resistência em permanecer perto de determinadas pessoas podem indicar a necessidade de atenção e acolhimento.

    A identificação precoce depende da escuta atenta de familiares, profissionais da educação, equipes de saúde, assistência social e de toda a rede de proteção.

    Campanha Pode Ser Abuso

    Criada pela Fundação Abrinq em 2018, a campanha Pode Ser Abuso busca orientar a sociedade sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes, ampliar o conhecimento sobre sinais de alerta e divulgar canais de denúncia.

    A iniciativa reúne conteúdos informativos voltados para famílias, educadores, profissionais da saúde, empresas, gestores públicos e demais integrantes da rede de proteção.

    O objetivo é ajudar a população a identificar situações que podem indicar violações de direitos e incentivar a busca por apoio especializado.

    Em 2026, a campanha chama a atenção para um alerta cada vez mais urgente: o abuso pode mudar de forma, mas não de gravidade. Com a presença crescente de crianças e adolescentes em ambientes digitais, a violência sexual também se desloca para o meio online, exigindo atenção redobrada.

    No site da campanha, é possível acessar materiais educativos, informações sobre os diferentes tipos de violência sexual e orientações sobre como agir diante de suspeitas ou confirmações de abuso.

    Como denunciar a violência sexual contra crianças e adolescentes?

    Casos suspeitos ou confirmados de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados por qualquer pessoa.

    Os principais canais de denúncia são:

    Disque 100, serviço gratuito de denúncias de violações de direitos humanos;
    Conselho Tutelar do município;
    Delegacias de polícia e especializadas.

  • Fundação Abrinq fará formações sobre prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes em Goiânia, Belém e Recife

    Fundação Abrinq fará formações sobre prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes em Goiânia, Belém e Recife

    A Fundação Abrinq inicia, a partir do próximo dia 22, uma série de encontros formativos voltados à prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes. A iniciativa faz parte da Campanha Pode Ser Abuso, realizada pela organização desde 2018 com o objetivo de orientar e sensibilizar a sociedade sobre o tema.

    As formações serão realizadas de forma online e têm como público profissionais da rede municipal de Educação e da rede de Proteção, como coordenadores pedagógicos, professores e educadores sociais. Ao todo, serão organizadas turmas com participantes de Goiânia – GO, Belém – PA e Recife – PE.

    A proposta tem como objetivo ampliar o conhecimento desses profissionais sobre a temática da violência, abordando conceitos fundamentais, legislações vigentes, fluxos de atendimento e o papel da escola na proteção de crianças e adolescentes. Além disso, os participantes serão incentivados a desenvolver planos de ação educativos para aplicação em seus territórios.

    As formações estão estruturadas em módulos temáticos, que tratam desde a compreensão sobre o que é a violência sexual até as formas de intervenção e atuação da rede de proteção. Também estão previstos plantões tira-dúvidas e um encontro final para compartilhamento de práticas desenvolvidas ao longo do processo. Além disso, os encontros também utilizam uma metodologia interativa, com uso de ferramentas digitais, conteúdos multimídia e espaços de troca entre os participantes.

    A ideia principal é fortalecer a atuação dos profissionais que estão na linha de frente do atendimento a crianças e adolescentes, contribuindo para a identificação precoce de situações de risco e para a promoção de ambientes mais seguros.

    “As formações, realizadas pela Fundação Abrinq em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Goiânia, são uma iniciativa formativa essencial para a Rede Municipal, qualificando o trabalho de identificar sinais de violência sexual em crianças e adolescentes por profissionais da educação, como coordenadores de turno e professores de inclusão. Sob a gestão do prefeito Sandro Mabel, participante do Programa Prefeitas e Prefeitos Amigos da Criança, a segurança infanto-juvenil tornou-se uma prioridade estratégica, refletida em projetos como o “Criancidade” e o Comitê Intersetorial da Primeira Infância. Essas iniciativas buscam incluir metas e estratégias rigorosas no Plano Municipal da Primeira Infância e Adolescência para resguardar os direitos fundamentais e combater qualquer forma de violência, negligência e abandono”.

    Clemerson Trindade Ramos, Articulador do Programa Prefeitas e Prefeitos Amigos da Criança no município de Goiânia – GO

    Além da formação dos profissionais, a ação prevê a realização de atividades educativas com crianças e adolescentes, com foco na autoproteção, no reconhecimento de situações de violência e na valorização de seus direitos.

    Acompanhe o site e as redes sociais da Fundação Abrinq para saber mais sobre os próximos passos dos encontros formativos e da Campanha Pode Ser Abuso.

  • Organizações parceiras realizam ações de proteção com crianças e adolescentes

    Organizações parceiras realizam ações de proteção com crianças e adolescentes

    Entre os meses de abril e junho, organizações da sociedade civil parceiras da Fundação Abrinq mobilizaram-se para prevenir e enfrentar a violência sexual e doméstica contra crianças e adolescentes. As ações integram a campanha Pode Ser Abuso, promovida pela Fundação Abrinq com o objetivo de fortalecer a rede de proteção e ampliar os conhecimentos sobre o tema junto aos profissionais que atuam diretamente com meninos e meninas em situação de vulnerabilidade.

    As atividades foram desenvolvidas como parte do Programa Nossas Crianças, com a participação de instituições integrantes da Rede Nossas Crianças, além de organizações conveniadas e convidadas.

    Formação e mobilização para o enfrentamento da violência

    A ação foi estruturada em cinco etapas. A primeira contou com a realização de formações online, entre os dias 22 e 30 de abril, voltadas a profissionais das organizações participantes. Ao todo, mais de 130 representantes acompanharam os encontros, organizados em três módulos: conceitos e tipos de violência, funcionamento da rede de proteção e estratégias de escuta e prevenção junto às crianças e os adolescentes.

    Com base nas formações, cada organização elaborou um plano de ação, construído de forma colaborativa, com propostas para aplicar os conteúdos no cotidiano de atendimento às crianças, aos adolescentes e, quando possível, também às suas famílias.

    Começando no dia 19 de maio e com previsão de ir até o dia 13 de junho, os planos começaram a sair do papel. As organizações deram início à etapa mais importante: a realização das atividades com os públicos atendidos. As ações pedagógicas estão sendo desenvolvidas a partir de diferentes linguagens artísticas, como teatro, literatura, música, dança, artes visuais e audiovisual.

    O objetivo principal foi criar espaços de diálogo e aprendizado sobre os direitos das crianças, a autoproteção e a importância de romper o silêncio diante de qualquer tipo de violência.

    Compartilhamento de boas práticas

    As atividades seguem até meados de junho e, ao final, todas as organizações participantes serão convidadas para um seminário de boas práticas, com a presença do Coletivo Mulher Vida, que ministrou a ação formativa do início. O encontro será um espaço de troca de experiências, compartilhamento de aprendizados e fortalecimento coletivo da rede de proteção.

    Com a campanha Pode Ser Abuso, a Fundação Abrinq segue com seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, promovendo conhecimento, articulação e mobilização junto a quem está na ponta do atendimento.

    Veja o que as participantes disseram sobre as ações

    “As atividades propostas durante a campanha nos permitiram ampliar o olhar sobre os sinais de abuso, reforçar a importância da escuta ativa, da proteção e do acolhimento, além de nos instrumentalizar para agir de forma mais assertiva em casos de suspeita. Foi um processo de conscientização não apenas para os profissionais, mas também para as crianças, famílias e toda a comunidade atendida pelo projeto.”

    Rosiete, do Centro de Promoção da Vida de Crianças e Adolescente, em São Luís – MA

     

    “As formações foram importantes pois deu para rever e aprofundar alguns conceitos e leis e aprender e compartilhar práticas pedagógicas entre as instituições. Uma coisa que observei e achei interessante é como vocês utilizam o recurso online ao favor da dinamização da abordagem remota. Sabemos que às vezes dispersa e a forma como foi pensada incentivou a participação dos presentes.”

    Natalia, da Casa Pequeno Davi, em João Pessoa – PB

     

    “Poderia dizer que a formação deste ano foi bastante eficiente, com conteúdo e metodologias importantes e profundos. O conhecimento profundo sobre a violência e, principalmente, qual o sintoma que ela apresenta provocou impacto e alerta acerca de vários atendidos do CCA. A proposta de discutir o tema com as famílias envolveu algumas mães que se motivaram a relatar situações que já vivenciaram ou observaram acontecer com entes queridos.”

    Daniela, da Associação Cristã de Moços de São Paulo – Leide Das Neves, em São Paulo – SP

     

    “A formação sobre violência doméstica e sexual, em parceria com o Coletivo Mulher Vida, foi muita rica para a nossa equipe. O seminário de práticas exitosas, no dia 27 de junho, mesmo sendo online, foi muito acolhedor, potente, cheio de troca verdadeira. As professoras Herlene Hilze e Neidiane Mercês participaram com tanto empenho que foi bonito de ver. Conduziram as ações com acessibilidade incrível.”

    Aysha, do Grupo de Mães Nossa Senhora do Amparo, em Camaçari – BA

     

    “O curso foi muito útil para que eu pudesse entender os procedimentos após o diagnóstico de violência e abuso. Em minha rotina já sabia como escutar e acolher as crianças nessa situação, mas não era tão claro o passo a passo do que fazer após essa etapa. Nesse sentido foi muito importante a formação.”

    Melina, do Instituto André Franco Vive, em São Paulo – SP

     

    “Durante minha participação na formação promovida pelo Programa Nossas Crianças na campanha Pode Ser Abuso, tive a oportunidade de ampliar significativamente meu entendimento sobre a proteção infantil, os sinais de abuso e as estratégias eficazes de prevenção. A formação foi extremamente enriquecedora, tanto no aspecto teórico quanto prático. Ela me fez refletir profundamente sobre nosso papel na rede de proteção, reforçou meu compromisso com a causa e me capacitou para agir de maneira mais assertiva e humana diante de situações que envolvam crianças e adolescentes em risco.”

    Maria Ivaneide, da Ação Social Esperança e Vida (ASEVI), em Pesqueira – PE

  • O que diz a lei sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil?

    O que diz a lei sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil?

    A violência sexual contra crianças e adolescentes é uma das mais graves violações de direitos humanos e está entre os crimes que mais afetam meninas e meninos em situação de vulnerabilidade no País. Para garantir a proteção integral da infância e da adolescência, o Brasil conta com um conjunto robusto de leis que definem, criminalizam e orientam a prevenção e o enfrentamento desse tipo de violência. 

    O que é considerado violência sexual pela legislação? 

    A legislação brasileira reconhece diferentes formas de violência sexual contra pessoas com menos de 18 anos de idade, incluindo o abuso sexual, a exploração sexual e a produção, comercialização ou posse de material com conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. 

    Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído pela Lei nº 8.069/1990, toda forma de violência, negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão deve ser combatida com prioridade absoluta. 

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    Quais leis tratam especificamente do tema? 

    Diversas normas e dispositivos legais formam o arcabouço jurídico brasileiro voltado à proteção contra a violência sexual. Entre as principais, destacam-se: 

    Código Penal Brasileiro 

    Por meio de alterações promovidas pela Lei nº 12.015/2009, o Código Penal passou a tipificar crimes sexuais com mais rigor, incluindo os cometidos contra vulneráveis (pessoas com menos de 14 anos ou que não possam oferecer resistência). O artigo 217-A define como “estupro de vulnerável” qualquer conjunção carnal ou ato libidinoso com criança ou adolescente menor de 14 anos, independentemente do consentimento. 

    Estatuto da Criança e do Adolescente 

    O ECA assegura prioridade absoluta à proteção integral de crianças e adolescentes e tipifica como crime diversas condutas relacionadas à violência sexual, como a exploração sexual comercial, o tráfico de crianças e adolescentes com fins sexuais e a produção de conteúdo pornográfico infantojuvenil. 

    Lei nº 11.829/2008 

    Altera dispositivos do ECA para incluir penalidades mais severas para quem produz, reproduz, armazena ou compartilha imagens de pornografia infantil, inclusive em meios digitais. 

    Lei nº 13.431/2017 

    Estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. A norma introduziu importantes avanços como a escuta especializada e o depoimento especial, protegendo as vítimas de revitimização nos processos judiciais e administrativos. 

    Lei nº 9.970/2000 

    Institui o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, reforçando a necessidade de mobilização e visibilidade sobre o tema. 

    A campanha da Fundação Abrinq para mobilizar a sociedade 

    Com o objetivo de informar, sensibilizar e mobilizar a população sobre a gravidade da violência sexual contra crianças e adolescentes, a Fundação Abrinq realiza anualmente a campanha Pode Ser Abuso. 

    A iniciativa oferece conteúdos educativos e materiais gratuitos sobre como identificar sinais de violência, agir corretamente diante de uma suspeita e utilizar os canais de denúncia. Além disso, promove uma cultura de proteção e escuta ativa, contribuindo para a construção de um ambiente mais seguro para meninas e meninos. 

    Saiba mais sobre a campanha aqui e acesse os materiais disponíveis gratuitamente para compartilhar com sua rede.

  • Violência sexual contra crianças e adolescentes no Pará: dados alarmantes revelam urgência de ação

    Violência sexual contra crianças e adolescentes no Pará: dados alarmantes revelam urgência de ação

    A violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é uma realidade alarmante no Brasil, e os dados mais recentes sobre o estado do Pará reforçam essa preocupação. Um levantamento realizado pelo Coletivo Futuro Brilhante, de Belém – PA, mostra que, entre 2019 e 2023, foram registrados mais de 19 mil crimes sexuais contra pessoas de 0 a 17 anos no estado. 

    De acordo com os dados compilados a partir de fontes oficiais, como o Sistema de Informação de Segurança Pública (SISP), os casos atingem principalmente meninas: 89% das vítimas identificadas são do sexo feminino. Além disso, 98% dos agressores são homens, e, na maioria dos casos, têm algum grau de parentesco ou vínculo com a vítima. 

    As crianças de até 11 anos representaram 8.437 dos casos registrados, enquanto adolescentes entre 12 e 17 anos foram vítimas em 11.194 ocorrências. A residência da vítima continua sendo o principal local de ocorrência da violência, e os crimes acontecem com maior frequência de manhã. 

    Os dados também apontam para a gravidade da situação nas áreas da chamada “Rota dos Grãos”, que inclui os municípios de Belém, Barcarena e Breves. Somente nessas localidades, foram mais de 3,4 mil registros de crimes sexuais contra crianças e adolescentes entre 2019 e 2023. Quando se olha apenas para Belém, a realidade também é crítica: entre 2009 e 2021, 43% dos mais de 31 mil registros de violência contra pessoas de 0 a 19 anos foram do tipo sexual. 

    Infográfico com dados de violência sexual contra crianças e adolescentes no Pará

    Diante desse cenário, o trabalho de iniciativas comunitárias e coletivos locais torna-se ainda mais relevante. Um exemplo é o próprio Coletivo Futuro Brilhante, que atua com prevenção, formação e conscientização sobre o tema na região metropolitana de Belém, e, entre 2023 e 2024, recebeu apoio da Fundação Abrinq por meio do Projeto Coletivos. 

    Confira abaixo a entrevista completa com Diego Martins, coordenador geral do coletivo. 

    Fundação Abrinq: O que motivou o Coletivo Futuro Brilhante a reunir esses dados? 

    Diego Martins: O que nos motivou foi a urgência de dar visibilidade ao cenário alarmante da violência sexual contra crianças e adolescentes no Pará, especialmente em Belém. Apesar da gravidade do problema, percebemos que muitas informações estavam dispersas ou pouco acessíveis — tanto para a população quanto para os próprios profissionais da rede de proteção. Compilar esses dados foi uma forma de tornar esse conhecimento acessível e fundamentado, capaz de orientar políticas públicas baseadas em evidências. Mais do que números, queríamos mostrar que cada dado representa uma história de dor, uma vida afetada, e que é preciso agir com responsabilidade e urgência. 

    Infográfico com dados de violência sexual contra crianças e adolescentes em Belém

    FA: Quais aspectos desses dados vocês consideram mais alarmantes ou urgentes? 

    DM: O que mais nos preocupa é a persistência de um padrão de vitimização que atinge, em sua maioria, meninas, com agressores que geralmente são pessoas próximas — muitas vezes dentro da própria casa. Além disso, a subnotificação é extremamente grave: os registros oficiais já são altos, mas sabemos que apenas cerca de 10% dos casos chegam ao conhecimento das autoridades. Isso significa que a realidade pode ser ainda mais dolorosa do que os dados revelam. 

    FA: Esses números refletem a realidade que vocês presenciam no dia a dia em Belém? 

    DM: Infelizmente, sim. A violência sexual é uma realidade presente no nosso cotidiano. Nas formações que realizamos com escolas e instituições, é comum ouvirmos relatos recentes de casos. Há um sentimento constante de impotência diante da complexidade dessas situações. Muitas vezes, as vítimas são silenciadas dentro dos próprios lares. E o cenário é ainda mais difícil em áreas periféricas, onde o acesso à informação e aos serviços de proteção é limitado. 

    FA: Como o apoio da Fundação Abrinq, por meio do Projeto Coletivos, contribuiu para fortalecer as ações de vocês? 

    DM: O apoio da Fundação Abrinq foi essencial para consolidar o trabalho do coletivo. Através do Projeto Coletivos, conseguimos ampliar nossa equipe, fortalecer nossa presença digital e produzir materiais educativos com linguagem acessível. Também conseguimos realizar oficinas presenciais em escolas, capacitar profissionais da rede de proteção e estruturar melhor nossas ações. A mentoria e os recursos oferecidos nos ajudaram a planejar estrategicamente, alcançar mais pessoas e aprofundar a qualidade do nosso trabalho. 

    Infográfico com dados de violência sexual contra crianças e adolescentes na Rota dos Grãos

    FA: Quais os principais desafios enfrentados pelo coletivo ao abordar um tema tão sensível e urgente como a violência sexual? 

    DM: Um dos maiores desafios é o tabu que ainda envolve o tema. Muitas pessoas evitam falar sobre violência sexual por medo, vergonha ou falta de informação, o que acaba dificultando tanto a prevenção quanto a denúncia. Também há resistência de algumas instituições, que ainda tratam o tema como algo que deve ser evitado. Além disso, esse trabalho impõe uma carga emocional muito forte sobre a equipe, que precisa lidar com histórias duras e, ao mesmo tempo, manter a energia para seguir atuando. Por isso, o cuidado com a saúde mental do grupo e a criação de redes de apoio têm sido fundamentais para a continuidade das ações. 

    FA: Há alguma história ou situação que represente o impacto do trabalho de vocês e que possa ser compartilhada? 

    DM: Há muitos momentos marcantes, mas alguns nos tocam de forma especial. Durante as ações de prevenção, enquanto as crianças brincavam com a luva da proteção, o semáforo do toque e a trilha da proteção, é possível ver seus rostos iluminados pela descoberta de informações importantes. O brilho nos olhos ao receberem os materiais escolares ao final da atividade mostra que estamos semeando algo transformador. São nessas pequenas expressões de alegria e aprendizado que vemos o impacto real do que fazemos — e isso nos dá forças para continuar.

  • Como proteger crianças e adolescentes da violência sexual no ambiente digital?

    Como proteger crianças e adolescentes da violência sexual no ambiente digital?

    Com o avanço da tecnologia e o acesso cada vez mais precoce à internet, crianças e adolescentes estão mais expostos a riscos que vão além do mundo físico. Entre eles, está a violência sexual no ambiente digital, uma ameaça real que pode deixar marcas profundas. 

    Esse tipo de violência inclui assédio, aliciamento, compartilhamento de imagens íntimas sem consentimento e exploração sexual infantil, entre outras práticas criminosas. Proteger meninos e meninas nesse ambiente exige informação, diálogo e atenção constante por parte de pais, responsáveis, educadores e da sociedade como um todo. 

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    Entendendo os riscos da violência sexual online 

    A violência sexual digital pode acontecer de diversas formas. Uma das mais comuns é o grooming, quando um adulto se aproxima da criança ou do adolescente fingindo amizade, com o objetivo de obter fotos íntimas ou marcar encontros. Há também casos de sextorsão, em que a vítima é chantageada para enviar mais imagens ou realizar ações contra sua vontade. 

    O problema se intensifica já que, por serem vulneráveis e, muitas vezes, ingênuos sobre os perigos virtuais, crianças e adolescentes podem não compreender que estão sendo vítimas ou sentir medo de contar a alguém. 

    Como os responsáveis podem agir para proteger? 

    Proteger começa com diálogo e informação. Crianças e adolescentes precisam se sentir seguros para conversar sobre o que veem e vivem online. Veja algumas recomendações importantes: 

    • Converse abertamente sobre o uso da internet – Pergunte quais sites acessam, com quem interagem e que tipo de conteúdo consomem; 
    • Oriente sobre privacidade e segurança – Explique a importância de não compartilhar fotos íntimas, informações pessoais e de manter perfis fechados em redes sociais; 
    • Esteja atento a mudanças de comportamento – Isolamento repentino, ansiedade, medo do celular ou do computador podem ser sinais de alerta; 
    • Utilize ferramentas de controle parental – Aplicativos e configurações de privacidade ajudam a monitorar e limitar o que é acessado; 
    • Informe sobre os perigos e como agir – Ensine que, diante de qualquer situação desconfortável, o correto é parar a interação, não responder e procurar um adulto de confiança. 

    Foto em preto e branco de uma menina usando um computador

    Compromisso da Fundação Abrinq com a proteção integral 

    A Fundação Abrinq atua há mais de três décadas na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, incluindo a proteção contra qualquer forma de violência, como a no ambiente digital. Por meio de campanhas, materiais informativos, formações de profissionais, articulação com políticas públicas e apoio a outras entidades sociais, a organização contribui para fortalecer a rede de proteção em todo o Brasil.

  • Violência sexual contra crianças e adolescentes: dados alarmantes e a atuação da Fundação Abrinq

    Violência sexual contra crianças e adolescentes: dados alarmantes e a atuação da Fundação Abrinq

    No Brasil, milhares de crianças e adolescentes têm seus direitos violados diariamente em situações de violência sexual. O cenário é grave, preocupante e exige atenção, informação e ação. Segundo dados do Ministério da Saúde, somente em 2023 foram registradas 57.698 notificações de violência sexual contra pessoas de até 19 anos de idade no país — o que equivale a uma média de 158 casos por dia. 

    Veja outros números sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil aqui. 

    É importante notar que a violência sexual contra crianças e adolescentes representou 73,5% do total de casos notificados de violência sexual no Brasil em 2023. Desses, 87,1% das vítimas eram meninas, e, nesses casos, 67,4% das agressões ocorreram dentro da própria casa, revelando que o agressor, muitas vezes, é alguém próximo ou conhecido da família. 

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    O que a Fundação Abrinq faz para enfrentar esse cenário? 

    Diante dessa realidade, a Fundação Abrinq mantém uma atuação contínua e estratégica para prevenir e enfrentar a violência sexual contra crianças e adolescentes em diferentes frentes. 

    Fortalecimento de organizações que atuam com o tema 

    Por meio do Programa Nossas Crianças, a Fundação Abrinq apoia organizações da sociedade civil que oferecem atendimento gratuito a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Atualmente, oito dessas organizações atuam diretamente no enfrentamento e na prevenção da violência sexual, beneficiando 1.625 crianças e adolescentes com acolhimento, acompanhamento psicológico e atividades de proteção e fortalecimento de vínculos. 

    Conheça mais sobre o Programa Nossas Crianças aqui. 

    Incentivo a iniciativas de base comunitária 

    Além das organizações formais, a Fundação também apoia, por meio do Projeto Coletivos, iniciativas de coletivos periféricos que trabalham em comunidades vulneráveis. Muitos deles desenvolvem ações voltadas à prevenção da violência sexual, promovendo rodas de conversa, ações culturais, formações e escutas seguras com crianças, adolescentes e famílias. 

    Conheça mais sobre o Projeto Coletivos aqui. 

    Foto em preto e branco de uma criança triste sem mostrar o rosto, para ilustrar uma vítima de violência sexual

    Campanha nacional de conscientização 

    Todos os anos, a Fundação Abrinq realiza a campanha Pode Ser Abuso, que tem o objetivo de mobilizar a sociedade para o enfrentamento do problema. A campanha orienta sobre sinais que podem indicar situações de violência sexual, como agir nesses casos, como proteger as vítimas e onde e como fazer denúncias. Os materiais da campanha são disponibilizados gratuitamente e podem ser compartilhados para ampliar o alcance da mensagem e proteger ainda mais crianças e adolescentes. 

    Conheça mais sobre a campanha Pode Ser Abuso aqui. 

    Atuação política e defesa de direitos 

    A Fundação também realiza um trabalho ativo de advocacy junto ao Congresso Nacional, em Brasília – DF. A organização acompanha proposições legislativas e articula com parlamentares e instituições para garantir que nenhum direito relacionado à proteção contra a violência sexual seja retirado e que novos avanços sejam conquistados, sempre com foco no melhor interesse da criança e do adolescente. 

    Conheça mais sobre a atuação de advocacy da Fundação Abrinq aqui.

  • Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    No meio do ano, a Fundação Abrinq realizou visitas técnicas nas organizações da sociedade civil (OSCs) que apoia a partir do Programa Nossas Crianças. A ida presencial é uma etapa muito importante do convênio, não apenas pelo acompanhamento das atividades, mas para que possam ser identificados problemas, soluções e oportunidades de melhoria no atendimento das crianças e dos adolescentes.

    No ciclo atual, muitas OSCs trabalham especificamente para combater e prevenir a violência sexual, um problema grave que atinge muitas crianças e muitos adolescentes no Brasil. Para se ter uma ideia, considerando os dados mais recentes, mais de 45 mil pessoas menores de 19 anos são sexualmente violentadas anualmente.

    Veja abaixo como cada uma dessas organizações atua contra o problema:

    Ação Social Esperança e Vida

    Local: Pesqueira – PE

    Projeto: Viver sem violência – Enfrentando a violência no semiárido pernambucano

    Quantidade de beneficiários: 106 crianças e adolescentes de 5 a 18 anos

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    A Ação Social Esperança e Vida é uma organização localizada na região agreste, no semiárido do estado do Pernambuco, com contexto de alta vulnerabilidade das famílias atendidas. Atualmente, cerca de metade dos atendidos estão em situação de negligência ou de violência doméstica e sexual.

    O apoio da Fundação Abrinq, nesse caso, vem para qualificar o acompanhamento psicológico em grupo e individual dos atendidos, além de contribuir com a análise e o acompanhamento dos planos de intervenção que são traçados pela rede de proteção em conjunto com a OSC.

    Para isso, a Ação Social Esperança e Vida promove a divulgação do projeto e de ações de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes no território com eventos que envolvem atendidos, familiares, educadores, poder público e equipamentos do Sistema de Garantia de Direitos do município.

    Além disso, a OSC promove o atendimento de proteção integral com oficinas de desenvolvimento de capacidades físicas e mentais, bem como fortalece vínculos familiares e comunitários com oficinas de arte-educação, rodas de conversa com as famílias em temáticas relacionadas ao projeto e realização de visitas domiciliares.

    “As atividades financiadas pela Fundação acontecem por meio de oficinas de reforço escolar, contação de história/teatro, artesanato, música, dança, esporte, informática, atendimento psicológico e social, além de um acompanhamento familiar com oficinas, formações e visitas, sendo também ofertado um cardápio saudável e nutritivo para os atendidos”, complementa Maria Ivaneide, coordenadora.

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Associação de Assistência à Infância e a Juventude de Altinho

    Local: Altinho – PE

    Projeto: Infância Protegida: prevenindo e combatendo a violência

    Quantidade de beneficiários: 120 crianças e adolescentes de 5 a 18 anos

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Ainda que o município de Altinho ainda não disponha de diagnóstico infanto-juvenil, a Associação de Assistência à Infância e a Juventude de Altinho tem identificado um alto índice de casos de crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual, principalmente daquelas vindas das comunidades na zona rural.

    Para combater o problema, o projeto busca qualificar o fluxo de atendimento da OSC com os casos de violência identificados a partir do acompanhamento psicossocial, além de engajar a geração de dados no município sobre a temática de enfrentamento à violência doméstica e sexual, aproximando os equipamentos da rede de proteção e estruturando um fluxo adequado de atendimento entre eles.

    Assim, a Associação de Assistência à Infância e a Juventude de Altinho desenvolve ações prioritárias, preventivas e educativas no combate à violência doméstica e sexual, além de promover o fortalecimento de vínculos familiares e articulação e mobilização da rede de proteção.

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Associação Sul Brasileira de Educação e Assistência Social

    Local: Vitória da Conquista – BA

    Projeto: Depende de Nós

    Quantidade de beneficiários: 120 crianças e adolescentes de 3 a 15 anos

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Devido à sua localização geográfica, Vitória da Conquista – onde a Associação Sul Brasileira de Educação e Assistência Social atua – possui um entroncamento rodoviário importante para o transporte de cargas, o que é apontado como uma variável que impacta diretamente no agravamento de casos de violência doméstica e sexual.

    Para mudar esse cenário, com o apoio da Fundação Abrinq, a OSC busca promover ações de prevenção para conscientizar o público e identificar casos de violência doméstica e sexual contra crianças e adolescentes atendidos.

    A Associação Sul Brasileira de Educação e Assistência Social faz isso a partir de rodas de conversas psicoeducativas com as crianças e os adolescentes, encontros de sensibilização com as famílias dos atendidos e oficinas de teatro e dança, para estimular a reflexão dos atendidos sobre si mesmos e a compreensão das possibilidades de enfrentamento das violências.

    “O recurso financeiro que recebemos mantém atividades essenciais na instituição, como oficinas e apoio psicológico. São atividades que têm feito diferença para o público-alvo e tem contribuído também para manter alimentação, material didático e outras despesas como transporte para visitas domiciliares”, explica Elisângela Marinho, assistente social.

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral

    Local: Fazenda Rio Grande – PR

    Projeto: Vila Esportiva – Esporte Ferramenta de Transformação

    Quantidade de beneficiários: 389 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    O Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral está localizado em um dos municípios mais violentos do Brasil. Segundo um diagnóstico feito pela própria OSC com a população, os principais problemas são a criminalidade e a violência, o uso e o tráfico de drogas e a falta de acesso de crianças e adolescentes a ações e/ou espaços de lazer.

    Querendo aliviar essa situação, a organização, a partir da parceria com a Fundação Abrinq, realiza ações para incluir os atendidos em oficinas e espaços socioeducativos relacionados à cidadania e ao esporte. Além disso, faz um trabalho de conscientização com as crianças e os adolescentes, para que reconheçam e saibam se defender de violências, bem como aproxima as famílias e os responsáveis.

    Para isso, oferece espaço seguro para a prática de oficinas esportivas inovadoras para as crianças e os adolescentes, contribuindo para que haja menor permanência destes nas ruas, fortalecimento dos vínculos comunitários e melhoria da qualidade de vida. O ensino sobre os direitos presentes no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o compartilhamento de aprendizados e experiências com os pais também contribuem para o objetivo da OSC.

    “Ter este apoio está sendo muito importante para criar novos padrões. Conhecer como funciona a Fundação Abrinq e poder usar os métodos que utilizam para obter dados também é muito significativo para nosso crescimento”, comenta Simone Sousa, coordenadora.

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Instituto Educacional Duque de Caxias

    Local: Ponta Grossa – PR

    Projeto: Eu Sou da Paz

    Quantidade de beneficiários: 420 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    O Instituto Educacional Duque de Caxias atende o público que vive em territórios vulneráveis do município de Ponta Grossa e entende que alguns de seus atendidos possam estar em situação de risco de violação de direitos.

    Dessa maneira, a OSC reconhece que existe uma necessidade de se trabalhar com a prevenção a violência doméstica e sexual, pois, a partir dessa conscientização do público, podem contribuir para identificação de novos casos, o que é feito com o apoio da Fundação Abrinq.

    Para atingir seus objetivos, o Instituto Educacional Duque de Caxias disponibiliza informações para que as crianças e os adolescentes saibam se proteger e denunciar situações de violência, por meio de oficinas temáticas, roda de conversa, acolhimento psicossocial, entre outros.

    Em outras frentes, também realiza oficinas educativas de comunicação não violenta e de educação para a paz, bem como promove ações em parceria com os atores da Rede de Proteção do território para a prevenção e o enfrentamento aos casos de violência doméstica e sexual identificados.

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Instituto Socioeducativo Fabiano de Cristo

    Local: Colinas do Tocantins – TO

    Projeto: Projeto de Vida

    Quantidade de beneficiários: 150 crianças e adolescentes de 5 a 18 anos

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    O Instituto Socioeducativo Fabiano de Cristo atua em um município que oferece apoio a uma rodovia Norte/Sul e é próximo à uma plantação de soja, tendo sido identificado um aumento dos casos de violência e exploração, além de uma rede intersetorial desarticulada.

    Com o assessoramento técnico e financeiro da Fundação Abrinq, a OSC busca reanimar a Rede de Apoio à Criança e ao Adolescente, proporcionando a produção de dados sobre os casos de violência doméstica e sexual no território, a criação de um fluxo de encaminhamento e o trabalho junto aos caminhoneiros na rota que cruza o município com a produção de materiais e campanhas.

    A organização também desenvolve atividades socioeducativas orientadas na concepção do desenvolvimento integral, com oficinas psicopedagógicas e ações preventivas com as famílias, bem como mobiliza a rede de proteção e a comunidade local na temática da violência doméstica sexual com campanhas de comunicação e criação de um grupo de trabalho intersetorial.

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Movimento República de Emaús

    Local: Belém – PA

    Projeto: Queremos Viver

    Quantidade de beneficiários: 240 crianças e adolescentes de 7 a 18 anos

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Com o aumento dos casos de violência doméstica, feminicídio e estupros de menores de 18 anos notificados pela rede de proteção do território, o Movimento República de Emaús passou a receber muitos encaminhamentos sem detalhamentos da violação de direito sofrida.

    Com o apoio da Fundação Abrinq, no entanto, a OSC está buscando qualificar o diagnóstico dos casos a partir do fortalecimento da própria equipe técnica e da construção de documentos que visem uma notificação mais adequada junto aos órgãos da rede de proteção. Em paralelo há também um trabalho de diagnóstico realizado com o público atendido e com a busca ativa na comunidade por meio da apresentação de peças teatrais e rodas de conversa em parceria com as escolas.

    Dessa forma, a formação de um grupo de teatro com os atendidos, incluindo oficinas artísticas, o fortalecimento de vínculos familiares, a partir de encontros e cursos, e o engajamento e a conscientização da comunidade sobre o problema são as principais frentes da organização.

    “A parceira veio fortalecer nossas ações de enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes, nos possibilitando garantir um lanche mais saudável, ampliar a equipe técnica com inclusão de psicóloga – uma necessidade que era urgente – e expandir o público beneficiário, além de garantir a realização de espetáculo teatral nas escolas públicas do território, levando arte, reflexão e informação sobre como identificar e enfrentar as violações de direitos contra crianças e adolescentes”, relata Débora Ribeiro, coordenadora.

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Sistema de Apoio à Saúde São Rafael

    Local: Maringá – PR

    Projeto: Fazendo a Diferença

    Quantidade de beneficiários: 80 crianças e adolescentes de 6 a 18 anos

    Fundação Abrinq visita organizações parceiras que atuam contra a violência sexual

    Em Maringá, onde o Sistema de Apoio à Saúde São Rafael atua, e em municípios vizinhos, há uma quantidade expressiva de crianças e adolescentes que necessitam de um acompanhamento psicológico por causa dos impactos de uma violação sexual. Isso ocorre principalmente por não haver, na rede de proteção, equipamentos qualificados para este trabalho.

    Nesse sentido, o convênio com a Fundação Abrinq busca minimizar os danos psicológicos sofridos após situações de violências, oportunizando a ressignificação da história da criança ou do adolescente, como forma de romper com o ciclo da violência vivenciado.

    Assim, a OSC oferece tratamento psicoterápico individual gratuito e continuado para crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual e executa o acolhimento das famílias dos encaminhados, por meio da escuta qualificada, visando estabelecer uma relação mais próxima e assertiva.

    Além disso, há articulação com a rede de proteção da criança e adolescente do município de Maringá conforme demanda da família, bem como a realização de ações formativas sobre a temática do enfrentamento e prevenção à violência doméstica e sexual para organizações da sociedade civil, unidades escolares e outros equipamentos da rede de proteção.

    “A complementação de 20 vagas no projeto não é apenas uma questão numérica: é uma questão de compromisso social e esperança. Estamos determinadas a fazer essa diferença, e com o apoio adequado, temos plena convicção de que conseguiremos transformar a vida deles, guiando-os para um futuro mais promissor e repleto de possibilidades”, conta Rosane Marques, gestora.

  • O atendimento especializado a vítimas de violência sexual: conheça o projeto que ficou em segundo lugar no Prêmio Criança

    O atendimento especializado a vítimas de violência sexual: conheça o projeto que ficou em segundo lugar no Prêmio Criança

    A instituição Sistema de Apoio à Saúde São Rafael, localizada em Maringá – PR, foi fundada em 2004 com o propósito de promover a Saúde, prevenir doenças e criar oportunidades onde antes existia sofrimento e desesperança. Atua, principalmente, na promoção e proteção dos direitos e do exercício da cidadania de crianças e adolescentes, em especial, as que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

    Diante de um diagnóstico junto a Rede de Proteção da Criança e do Adolescente do município, as profissionais da organização conseguiram identificar que havia uma alta demanda para atendimentos psicoterápicos a vítimas de violência sexual na região. Dessa forma, criaram o projeto Fazendo a Diferença, que atende vítimas deste tipo de violência apresentando sintomas como ansiedade, depressão, autolesão e ideação suicida.

    Segundo lugar na 24ª edição do Prêmio Criança

    A 24ª edição do Prêmio Criança reconheceu organizações da sociedade civil que desenvolvem projetos voltados à saúde mental de crianças e adolescentes. Assim, com a inscrição do projeto Fazendo a Diferença, a instituição Sistema de Apoio à Saúde São Rafael recebeu o reconhecimento da Fundação Abrinq pela qualidade e importância de sua iniciativa.

    De acordo com Rosane Marta, gestora institucional da organização, “nós verificamos que existia um abismo entre o número de casos de violência sexual na região e as oportunidades de atendimento a essas vítimas. Por isso, apresentamos este projeto como uma forma de minimizar os danos causados por essa violência”, relata.

    Como funciona o projeto

    A instituição recebe o encaminhamento de uma criança ou de um adolescente pela Rede de Proteção à Violência e realiza a inclusão na fila de espera quando não possui vagas imediatas. Com a disponibilidade de uma vaga, há o contato com a família, que realiza o cadastro da criança ou do adolescente no sistema eletrônico da organização e agenda o atendimento com a assistente social, responsável por realizar a entrevista social e entender melhor o caso e a história de vida de quem precisa do apoio. 

    Após esta etapa, é agendada uma entrevista com as psicólogas da instituição, que realizam o primeiro atendimento com os pais ou responsáveis, com o intuito de compreender a história de vida da criança ou do adolescente. Estes dados são fundamentais para o entendimento da dinâmica familiar e para o norteamento do trabalho a ser realizado. Os atendimentos clínicos acontecem após a entrevista inicial, individualmente.

    Os atendimentos clínicos acontecem após a entrevista inicial, individualmente, de segunda a quinta-feira. Visitas às escolas e atendimentos de orientação aos pais são agendados conforme a disponibilidade de horários e necessidade.

    Atualmente, 60 crianças e adolescentes são beneficiados pelo projeto.

    “Começamos com 12, depois 24 e a cada ano aumentava a demanda. Escrevemos este projeto junto com profissionais de psicologia e entendemos que, no município, o atendimento psicoterápico a crianças e adolescentes não é especializado. Vítimas de violência sexual têm outra demanda, mais sensível. O profissional que atende precisa fazer uma supervisão qualificada. Por isso, a organização conta com quatro psicólogas que ficam responsáveis por 15 pacientes cada uma. Além disso, as profissionais ainda reservam uma hora de suas semanas para o tratamento de algum familiar ou responsável que necessite de atendimento psicológico”, afirma a gestora da instituição.

    Vidas impactadas

    Os índices de sucesso e melhoria nos casos atendidos pelo projeto demonstram que mais de 70% dos pacientes que realizaram tratamento tiveram melhoras significativas nos sintomas apresentados. Dentre eles, estas são algumas das histórias já vivenciadas dentro da organização:

    – Cristina*, mãe de uma das crianças atendidas, afirma que o tratamento foi fundamental para a superação da violência sofrida. Relata que teria procurado o tratamento mais cedo se soubesse que fazia tão bem ao seu filho. Hoje, se emociona ao vê-lo brincando feliz com outras crianças.

    – Paloma*, uma adolescente vítima de violência sexual, ficou três anos em terapia. Frequentemente apresentava ideias suicidas e tinha dificuldades, até mesmo, de sair de seu próprio quarto. Chegou a ser internada em um hospital psiquiátrico para amenizar o quadro causado pelo trauma sofrido. Hoje, após tratamento na organização, já consegue sair do quarto e socializar.

    Cuidar da saúde mental de crianças e adolescentes é de extrema importância para garantir seu desenvolvimento saudável e seu bem-estar ao longo da vida. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 10% das crianças e adolescentes sofrem de problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e transtornos de comportamento. Além disso, estima-se que metade dos distúrbios mentais tenham início antes dos 14 anos. 

    *Nomes modificados para preservar as identidades.