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  • Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Que as creches são de fundamental importância para o desenvolvimento pleno das crianças é um fato. Apesar disso, a situação das unidades de educação infantil no País não é das melhores, conforme pode ser verificado pelos dados públicos divulgados no Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2024, publicação lançada em março pela Fundação Abrinq.

    Em termos de acesso, por exemplo, a taxa líquida de matrículas mostra que apenas 35,9% das crianças com idades entre 0 e 3 anos frequentam creches atualmente. Já quando se fala em infraestrutura, quase metade das creches no país (43,4%) declaram não ter parques infantis em seus espaços, o que prejudica as atividades do brincar praticadas pelas crianças. Os indicadores também mostram que mais de 25 mil unidades afirmam não possuir banheiros adequados para uso dos seus atendidos.

    Acesse aqui o Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2024 para conferir estes e outros dados sobre a realidade das crianças e dos adolescentes no país.

    Para mudar a situação das creches no Brasil e, consequentemente, contribuir com um melhor desenvolvimento das crianças, a Fundação Abrinq desenvolve o Programa Creche para Todas as Crianças. Neste ano, a organização lançou um edital, em parceria com a Fundação Salvador Arena, para reformar 18 unidades de educação infantil no Norte e no Nordeste – regiões do país em que os indicadores mostrados anteriormente são ainda mais graves – com repasses de até R$ 60 mil. No total, serão 2.784 crianças beneficiadas e haverá um aumento de 10% no número de vagas. Confira abaixo as creches selecionadas:

    Associação Ação Social Ivone Dores da Silva (Creche Cantinho da Criança) – Palmas – TO

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Associação Ação Social Santa Terezinha Centro de Educação Infantil Padre Josimo – Palmas – TO

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Associação Beneficente de Assistência a Vida (Creche Comunitária Abavi) – Palmas – TO

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

     

    Associação das Donas de Casa da Salina do Sacavém – São Luís – MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Associação de Pais e Educadores Moarana – Belém – PA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Centro Educacional Profissional do Coroadinho – São Luís – MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Creche Casa Lar Cordeirinhos de Deus – Belém – PA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Creche Escola Comunitária Santa Maria – Paço do Lumiar – MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Creche Escola Íris Crianças aos Olhos de Deus – Belém – PA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Escola Comunitária Carlos Braide – São Luís – MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Escola Comunitária Clube de Mães Orgulho do Saber e Jardim de Infância Três Patinhos – São Luís –MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Escola Comunitária de Educação Infantil Alameda das Palmeiras – Belém – PA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Instituto Educacional Filhos de Nazaré – São José do Ribamar – MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Instituto Educacional Renascer para o Futuro Escola Creche – São Luís – MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Instituto Filantrópico Amiguinhos de Jesus – São Luís – MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Instituto Santa Luzia Colégio Nossa Senhora da Conceição – São Luís – MA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

    Lar Infantil Nossa Senhora Santana Lar de Zizi – Aracajú – SE

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

     

    Sociedade Comunitária São João Batista – Belém – PA

    Saiba qual é a situação das creches no Brasil

     

  • Desaparecimento de crianças: quais cuidados tomar

    Desaparecimento de crianças: quais cuidados tomar

    Já imaginou se algum conhecido seu simplesmente desaparecesse de uma hora para a outra? Só de pensar é desesperador, mas infelizmente esse é o drama de muitas pessoas no Brasil e no mundo, que sequer podem ter certeza se seus entes queridos estão vivos. A situação piora quando as vítimas do desaparecimento são crianças, que podem se perder facilmente sem supervisão ou até mesmo serem sequestradas para fins nefastos.

    Para entender mais sobre o assunto e ajudar na prevenção do desaparecimento de crianças, e pessoas em geral, a Fundação Abrinq conversou com Darko Hunter, coordenador da Divisão de Localização Familiar e Desaparecidos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) de São Paulo – SP. Confira abaixo:

    O que é desaparecimento e como evitar que aconteça com crianças

    “O desaparecimento de pessoas ocorre quando alguém desaparece de seu local habitual, repentinamente, sem deixar rastros claros sobre seu paradeiro, deixando seus familiares e amigos preocupados e sem saber onde procurá-lo”, explica Darko. Já “pessoa desaparecida”, ele afirma, é definida como “todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento, até que sua localização, recuperação e identificação tenham sido confirmadas por vias físicas ou científicas”, segundo estipulado pelo Decreto Municipal nº 60.995, de 10 de janeiro 2022.

    Para evitar o desaparecimento de crianças, o coordenador sugere que os pais e responsáveis ensinem aos seus filhos medidas básicas de segurança, como não falar ou pegar carona com estranhos; memorizar seu nome completo e os nomes dos pais, endereço e números de telefone importantes; utilizar pulseiras ou crachá de identificação; manter informações pessoais privadas e atualizar regularmente os contatos de emergência. “Atualmente, também existem relógios e colares com rastreadores que podem auxiliar, caso a criança se perca”, relata.

    “A conscientização e a educação são essenciais na prevenção de desaparecimentos infantis, pois informam as crianças e a sociedade sobre os perigos potenciais, e as orientam sobre como agir em situações de risco”, continua Darko. Ele explica também que campanhas de conscientização e programas educacionais podem ajudar as crianças a reconhecerem sinais de perigo e a buscar ajuda quando necessário.

    Outro ponto importante ressaltado pelo profissional é que não é necessário aguardar 24 horas para registrar o Boletim de Desaparecimento: ele pode ser efetuado assim que a pessoa sair da rotina, no Distrito Policial mais próximo ou na delegacia eletrônica. “Verifique também se existe alguma ocorrência com o nome da pessoa desaparecida nos canais de emergência, como Samu, Polícia Militar e Bombeiros. Para entrar em contato com a Divisão de Localização Familiar e Desaparecidos [de São Paulo – SP], está disponível o WhatsApp (11) 97549-9770″, afirma.

    Desaparecimento de crianças: quais cuidados tomar

    Qual o papel das autoridades e da comunidade

    Para Darko, as autoridades locais e a comunidade desempenham um papel crucial no enfrentamento dos casos de desaparecimento infantil. “Precisamos que a sociedade tenha um olhar atento para o próximo. Ao visualizar uma criança desacompanhada, é importante abordá-la e perguntar se está tudo bem, além de acionar uma viatura no local para que sejam realizados os procedimentos para o reencontro com a família”, aconselha.

    “A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania tem parceria com o Metrô de São Paulo, que veicula cartazes de pessoas desaparecidas nos trens, por meio da TV Minuto”, prossegue o coordenador. De acordo com ele, a comunidade tem prestado atenção nesses cartazes e entrado em contato com a SMDHC, informando sobre avistamentos, colaborando com a busca e a investigação de casos, bem como divulgando informações sobre desaparecimentos e promovendo a segurança infantil em áreas públicas.

    “Nossas parcerias com outras autoridades mostram a importância do trabalho conjunto. Junto com a 5ª Delegacia de Desaparecidos do DHPP, recentemente encontramos a família de uma criança que estava perdida na região de Santana”, relata Darko. Outro parceiro é o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID) do Ministério Público. O coordenador reitera que o trabalho na divisão de desaparecidos de SMDHC mostra como a população pode contar com as autoridades.

    Ele também ressalta que existem diversos tipos de apoio disponíveis para famílias que têm um filho desaparecido, incluindo suporte emocional e psicológico, orientação jurídica e assistência na divulgação do desaparecimento que não se limitam à atuação da SMDHC. “Em breve, inauguraremos um Centro de Referência para Familiares e Pessoas Desaparecidas que oferecerá todos esses serviços”, adianta o profissional.

    Como a SMDHC atua em casos de desaparecimento

    “A Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo desempenha um papel fundamental nos casos de desaparecimento, fornecendo assistência às famílias afetadas, coordenando esforços de busca e investigação, bem como promovendo políticas e programas para prevenir desaparecimentos e proteger os direitos das vítimas”, afirma o coordenador.

    Em seguida, Darko conta que é verificado nos sistemas de acolhimento da assistência social, da Secretaria Municipal de Assistência Social e Desenvolvimento (SMADS) e nos equipamentos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) se consta vinculação da pessoa desaparecida em alguma unidade. “Caso a pessoa esteja em algum serviço, é efetuada uma entrevista com ela para informar que consta, em nosso sistema, como desaparecida, quem é o declarante e se deseja o contato com a pessoa”, explica.

    Se deseja, o contato é efetuado, mas se a pessoa não quiser, é encaminhada para a Delegacia de Pessoas Desaparecidas para informar que não deseja o contato com o declarante e efetuar o Boletim de Encontro para o desbloqueio do RG. “Um exemplo desse tipo de ocorrência é quando um agressor efetua o Boletim de Desaparecimento de uma vítima de violência doméstica, que saiu do lar por não estar mais segura. Nesse caso, o agressor utiliza das engrenagens públicas para procurar a vítima. Por isso a entrevista é muito importante”, esclarece o coordenador.

    “Nos casos em que não consta a passagem da pessoa em nenhum equipamento da Prefeitura de São Paulo, inserimos o alerta de desaparecimento nos sistemas. Se o desaparecido passar por algum equipamento, constará a informação de que se trata de uma pessoa desaparecida, e os procedimentos de encontro serão efetuados”, explica. Darko conta que a SMDHC elabora também cartazes de desaparecimento para divulgação em redes sociais e, desde fevereiro, iniciou a busca de desaparecidos por reconhecimento facial, pelo Smart Sampa – novo programa de videomonitoramento da cidade – em parceria com a Secretaria de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo.

  • Fundação Abrinq marca presença na 12ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

    Fundação Abrinq marca presença na 12ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

    Entre os dias 02 e 04 de abril, acontece a 12ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CNDCA) em Brasília – DF, que nesta edição tem como tema central a situação dos direitos humanos de crianças e adolescentes em tempos de pandemia pela COVID-19: violações e vulnerabilidades, ações necessárias para reparação e garantia de políticas de proteção integral, com respeito à diversidade. 

    Dada a importância do evento para a causa da infância e adolescência, o Synésio Batista da Costa, presidente da Fundação Abrinq, está participando de toda a ação. 

    “Participar de encontros como este é de suma importância para nos mantermos atualizados sobre os temas que permeiam a nossa causa e, principalmente, para reforçar o nosso compromisso com a defesa de direitos de crianças e adolescentes. São três dias de muitos debates e participação de personalidades relevantes para o setor”, conta Synésio Batista da Costa.  

    Conheça abaixo os objetivos da 12ª CNDCA: 

    1.    Identificar os desafios a serem enfrentados durante e após a pandemia de COVID-19;
    2.    Refletir sobre as dificuldades vivenciadas pela rede de promoção, proteção e defesa dos direitos para o enfrentamento das violações de direitos humanos de crianças e adolescentes no contexto pandêmico;
    3.    Definir ações para garantir o pleno acesso de crianças e adolescentes às políticas sociais durante e após a pandemia, considerando as especificidades/ diversidades; 
    4.    Formular propostas de enfrentamento às consequências das violências contra crianças e adolescentes agravadas pela pandemia de COVID-19;
    5.    Promover/ garantir a participação de crianças e adolescentes no processo de discussão sobre os reflexos da pandemia de COVID-19 em suas vidas, bem como na definição de medidas para enfrentamento das vulnerabilidades identificadas;
    6.    Refletir sobre a necessidade de ampliação do orçamento destinado às ações, programas e políticas de promoção, proteção, defesa e controle social dos direitos das crianças e dos adolescentes, considerando os reflexos da pandemia de COVID-19;
    7.    Aprofundar a discussão sobre o papel dos conselhos de direitos na deliberação e controle social das ações e políticas de promoção, proteção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes no contexto pandêmico e pós-pandemia. 

    Sobre a CNDCA 

    A Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente é um evento que reúne representantes de diferentes regiões do país para discutir sobre assuntos de interesse nacional.

    A 12ª CNDCA está em andamento desde maio de 2022 e já contou com etapas de diálogos livres, municipais, regionais, estaduais – incluindo o Distrito Federal, preparatórias para a etapa nacional, que está acontecendo este mês.  

  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: o que é e como identificar

    Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: o que é e como identificar

    O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um tema que desperta cada vez mais atenção e preocupação entre pais, educadores e profissionais da Saúde. Isso porque o transtorno é reconhecido como um desafio na infância, afetando não apenas o desenvolvimento acadêmico, mas também a vida social e emocional das crianças.

    Para entender mais sobre o assunto, a Fundação Abrinq conversou com a dra. Mariana Facchini Granato, médica pediatra, vice-presidente do Grupo de Trabalho de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e cofundadora do Programa de Avaliação do Desenvolvimento, Comportamento e Aprendizagem (ADCA) da Clínica de Especialidades do Hospital Israelita Albert Einstein.

    O que é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

    “O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um transtorno comportamental caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade mais frequente e grave do que aquele tipicamente observado em indivíduos em nível equivalente de desenvolvimento”, explica a dra. Mariana.

    Segundo a pediatra, o transtorno pode ocasionar prejuízos nos âmbitos familiar, escolar e social, com impactos no aprendizado e no estado emocional dos portadores, sendo que seu diagnóstico é fundamentalmente clínico e baseado em critérios de sistemas classificatórios como o Manual de Diagnósticos e Estatísticas de Transtornos Mentais.

    Como identificar uma criança com TDAH

    “As manifestações clínicas se iniciam necessariamente na infância e os indivíduos podem apresentar fenótipos em que predominam sintomas de hiperatividade, sintomas de desatenção ou fenótipos combinados, sendo que alguns indivíduos podem ‘migrar’ de um fenótipo para outro ao longo da vida”, explica a médica.

    Dessa forma, para identificar casos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, a doutora ressalta que é preciso notar alguns sinais de desatenção na criança, como se esquecer de atividades ou tarefas e perder peças de roupas e materiais escolares com muita frequência, cometer muitos erros por desatenção em atividades e avaliações, evitar ou procrastinar atividades que exigem maior esforço mental, ou se distrair facilmente por estímulos externos.

    Por outro lado, há também os sinais de hiperatividade e impulsividade apontados pela especialista, como agitação motora excessiva que dificulta que a criança se mantenha sentada, dificuldade em se envolver em uma atividade de lazer, como um jogo de tabuleiro ou de cartas, até o seu final, dar respostas precipitadas, antes mesmo que as perguntas tenham sido completadas, ter dificuldade de esperar sua vez, se intrometer em conversas alheias com frequência, ou reagir impulsivamente, com respostas verbais ou físicas exageradas quando se depara com uma frustração.

    Os desafios enfrentados pelas crianças com TDAH

    A dra. Mariana explica que as dificuldades atencionais muitas vezes levam a erros em tarefas e atividades, com consequente impacto no desempenho acadêmico, ao passo que a agitação motora e a impulsividade costumam dificultar a dinâmica social, tanto no ambiente domiciliar como na escola.

    “Muitas vezes os pais começam a evitar sair com uma criança com TDAH para eventos sociais, por receio que ela se envolva em situações de risco (sair correndo, se perder, se machucar) ou por se sentirem envergonhados pela dificuldade de ‘controlar’ os comportamentos de seu filho”, relata a pediatra.

    Além disso, ela conta que, na escola, a agitação motora e a impulsividade podem prejudicar a interação com outras crianças, já que muitas vezes o comportamento de uma muito agitada, que fica se “remexendo” e fazendo barulhos o tempo todo, pode começar a gerar incômodo nos colegas, por conturbar o ambiente da sala de aula e atrapalhar o aprendizado dos demais.

    Como tratar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

    Em relação ao tratamento farmacológico, a pediatra relata que as medicações chamadas “estimulantes” são as drogas de escolha no tratamento do TDAH. Isso acontece porque mais de 80% dos portadores do transtorno têm boa resposta a esses medicamentos.

    “Há duas categorias de estimulantes que compõe a primeira linha de tratamento do TDAH e cujos estudos indicam serem igualmente eficazes: metilfenidato e lisdexanfetamina. As drogas atuam inibindo a recaptura de dopamina e noradrenalina nas fendas sinápticas do circuito frontal córtico-striatal, promovendo regulação da atenção, da excitabilidade e da impulsividade” explica a médica. Segundo ela, os agentes farmacológicos proporcionam alívio importante dos sintomas levando também à melhora do rendimento escolar e da interação social.

    Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: o que é e como identificar

    De acordo com a dra. Mariana, os efeitos colaterais mais frequentemente observados são diminuição do apetite, dores abdominais, cefaleia, irritabilidade e alterações do sono, sendo que efeitos adversos mais raros incluem perda de peso, tiques, retraimento social e mudanças na afetividade. “Em geral, com uma titulação adequada da dose da medicação é possível minimizar bastante os efeitos colaterais” relata.

    É importante ressaltar que, para o tratamento farmacológico, é imprescindível a consulta com um médico especializado. Jamais inicie medicações sem a orientação profissional adequada.

    O que pais podem fazer no dia a dia

    “Um ponto importante do tratamento é a psicoeducação dos pais, educadores e da própria criança a fim de que compreendam que há dificuldades que fogem do alcance dela e que ela realmente precisa de estratégias que a ajudem a lidar com isso’, afirma a especialista.

    Dessa forma, ela sugere algumas ações para os pais, como apoiar a criança com ferramentas que possam auxiliar a se organizar melhor (calendário, agenda, lista de tarefas, quadro de rotina), valorizar atividades nas quais ela tenha bom desempenho e buscar sempre o “reforço positivo” baseado no esforço da criança e não necessariamente apenas no resultado que atinge.

    Além disso, promover uma boa qualidade/quantidade de sono e atividade física e considerar a possibilidade de realização de psicoterapia são pontos de destaque indicados pela dra. Mariana.

    Qual é o papel dos educadores

    Quando se trata dos educadores, a médica ressalta que não há uma “receita de bolo” para alunos com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois as adaptações em sala de aula devem ser direcionadas em função das características de cada criança, contemplando suas fortalezas e dificuldades.

    Ainda assim, algumas sugestões dadas pela pediatra são orientar a criança a se sentar nas primeiras fileiras e longe de portas e janelas, oferecer a possibilidade de realizar as provas em ambiente separado dos demais alunos, segmentar provas e tarefas longas em etapas e permitir pequenos intervalos durante aulas ou tarefas longas.

    “Os professores podem auxiliar na checagem com antecipação se a criança está ciente da programação de tarefas e trabalhos a serem entregues, bem como podem tentar perceber os momentos em que ela está perdendo o foco na sala de aula e a ajudem a retomar a atenção. Já para crianças hiperativas, uma estratégia que os educadores podem utilizar é solicitar a ajuda dela nos momentos em que estiver agitada ou atrapalhando o andamento das atividades”, finaliza a dra. Mariana.

  • Disque 100: entenda como funciona o canal de denúncia

    Disque 100: entenda como funciona o canal de denúncia

    No Brasil, a proteção e a promoção dos direitos humanos têm sido uma preocupação constante. Em um país de vasta extensão territorial e diversidade étnica, cultural e social, a garantia desses direitos é um desafio que requer a participação ativa de toda a sociedade. Nesse contexto, o Disque 100 surge como um instrumento essencial na luta contra as violações de direitos humanos em todas as suas formas.

    Ainda assim, muitos têm dúvidas sobre como funciona o Disque 100, quais violações podem ser denunciadas, se é seguro, entre outras. Para sanar essas questões, a Fundação Abrinq conversou com Rodrigo Ramthum, da Assessoria de Comunicação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

    O que é o Disque 100 e quando deve ser usado?

    “O Disque Direitos Humanos é um serviço de utilidade pública e destinado a atender gratuitamente pessoas em situação de violência em todo o país”, explica Rodrigo. Operando 24 horas por dia, sete dias por semana, o Disque 100 oferece um canal de comunicação confidencial e seguro para que pessoas em situação de violência possam buscar ajuda e denunciar abusos.

    De acordo com o assessor, o Disque 100 vai além de simplesmente receber denúncias. “A central também dissemina informações sobre direitos humanos, amparo legal, a rede de atendimento e acolhimento, constituindo importante instrumento para orientação de políticas públicas transversais na defesa dos direitos humanos no Brasil”, relata.

    “Os canais de atendimento do Disque 100 cuidam do acolhimento de denúncias e encaminhamento para apuração de violação de direitos humanos relacionadas às crianças e aos adolescentes, às pessoas idosas, às pessoas com deficiência, às pessoas em restrição de liberdade, à população LGBTQIA+, à população em situação de rua, à discriminação ética ou racial, ao tráfico de pessoas, ao trabalho escravo, terra e conflitos agrários, à moradia e conflitos urbanos, à violência contra ciganos, quilombolas, indígenas e outras comunidades tradicionais, à violência contra migrantes e refugiados, além de outras pessoas em situação de vulnerabilidade, seja em casos individuais ou coletivos”. Nesse sentido, um dos aspectos mais importantes do Disque 100 é a sua abrangência na recepção de denúncias.

    Disque 100: entenda como funciona o canal de denúncia

    Como funciona o Disque 100 e por que denunciar?

    “No âmbito da Ouvidoria, toda denúncia recebida será acolhida, registrada e encaminhada para apuração das autoridades competentes”, conta Rodrigo. Além disso, ele explica que ainda há outros diversos canais de comunicação, incluindo atendimento via WhatsApp e presencial, para garantir que as denúncias sejam recebidas e tratadas de forma adequada.

    Isso acontece porque a colaboração da sociedade civil é fundamental para o sucesso do Disque 100. “A participação de todos é crucial para proteger as vítimas e mobilizar os órgãos públicos em todos os níveis – municipal, estadual e federal – no combate aos diferentes tipos de violações de direitos humanos. Além disso, os dados coletados por meio dessas denúncias desempenham um papel crucial na formulação de políticas públicas eficazes, que visam não apenas proteger a sociedade civil e as vítimas, mas também responsabilizar os agressores perante a justiça”, relata o assessor.

    Dessa forma, um dos maiores trunfos do Disque 100, e o que o diferencia de outros canais, é a possibilidade de se relatar uma violação de forma segura, sem a necessidade de se identificar. “Ao entrar em contato com o Disque 100, é facultada a realização da denúncia anônima como medida de desestimulo ao ocultamento de violações de direitos humanos e, ainda, garantia à preservação da vida, imagem e integridade pessoal de possíveis testemunhas ou denunciantes”, afirma Rodrigo.


    O Disque 100 é um canal de denúncias muito importante, inclusive porque contribui no combate e na prevenção de violências que afetam a população na infância e na adolescência. Por isso, caso presencie uma violação dos direitos de crianças e adolescentes, não hesite: Disque 100.

  • Confira 5 dicas para melhorar a alimentação de crianças e adolescentes

    Confira 5 dicas para melhorar a alimentação de crianças e adolescentes

    Proporcionar uma alimentação saudável para crianças e adolescentes é um investimento valioso em seu desenvolvimento físico, mental e emocional. Uma dieta equilibrada não apenas promove um crescimento adequado, mas também fortalece o sistema imunológico, melhora o desempenho escolar e reduz o risco de desenvolvimento de doenças crônicas no futuro.

    Ainda assim, segundo dados públicos compilados pela Fundação Abrinq na sua mais recente publicação, o Cenário da Infância e Adolescência 2024, a alimentação saudável no Brasil não acontece da forma como deveria. Em 2022, por exemplo, cerca de 900 mil crianças com idades entre 0 e 10 anos estavam em situação de obesidade, ou seja, peso elevado para a idade.

    Confira 5 dicas para melhorar a alimentação de crianças e adolescentes

    Sabendo que as primeiras etapas da vida são cruciais para estabelecer hábitos alimentares que podem perdurar por toda a vida, a Fundação Abrinq conversou com a dra. Daniela Neri, nutricionista especializada em nutrição infantil e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Confira abaixo cinco dicas dadas diretamente pela profissional para melhorar a alimentação de crianças e adolescentes:

    1) Cozinhe em casa, dividindo todas as tarefas envolvidas (da compra de alimentos e ingredientes até servir a comida à mesa) com as pessoas da casa. O hábito de cozinhar em casa está relacionado a um menor consumo de ultraprocessados por parte das crianças e dos adolescentes. Envolver a criança na preparação dos alimentos também é superimportante. Quanto mais ela se envolve com o preparo da comida, mais ela experimenta e mais se sente apta a provar novos alimentos. Com o planejamento das refeições, preparando maiores quantidades para garantir outras, a logística da casa fica mais simples e a alimentação saudável garantida.

    2) A escolha dos alimentos deve ser feita de maneira informada. Precisamos saber a origem do alimento que vamos comer, diferenciar o que é comida de verdade, se foi preparado por mãos humanas e ler a lista de ingredientes antes de comprar alimentos embalados. Não se permita educar pela publicidade dos alimentos ou pelas mídias sociais.

    3) Os pais e cuidadores devem servir de modelos para uma alimentação saudável. Desde o primeiro ano de vida, as crianças observam e aprendem ativamente dos arredores. Assim, é importante que toda a família consuma refeições saudáveis, valorizando o momento das refeições, estando presente, criando um ambiente saudável (livre de alimentos ultraprocessados e de distrações), comendo uma alimentação variada junto com a criança sempre que possível e aproveitando o momento para ensinar sobre nutrição e alimentação.

    4) Atenção com o ambiente. O entorno precisa propiciar o desenvolvimento de hábitos saudáveis. É importante que as crianças tenham acesso a alimentos de verdade em todos os ambientes que frequentam, especialmente onde brincam e estudam. Se não há restrição à venda de produtos ultraprocessados na escola, vai ser muito mais difícil fazer escolhas saudáveis e os pais devem trabalhar junto com a escola neste sentido. Evite levar as crianças a supermercados ou restaurantes de comida rápida, locais com predomínio da comercialização de ultraprocessados. O Brasil tem um conjunto de espaços fora de casa, como padarias e restaurantes por quilo, que nos permitem de alguma forma reproduzir o que faríamos nas nossas casas e manter as refeições tradicionais. Quando não temos acesso a esses espaços e queremos manter o consumo de refeições saudáveis, precisamos necessariamente cozinhar em casa.

    5) Acesse os Guias alimentares brasileiros. É importante seguir as recomendações sobre alimentação adequada e saudável do Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 Anos e do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que são baseadas nas evidências científicas mais atuais sobre alimentação e saúde.

  • Por que a água é tão importante para as crianças?

    Por que a água é tão importante para as crianças?

    No dia 22 de março, o mundo volta sua atenção para uma das necessidades mais fundamentais da humanidade: a água. O Dia Mundial da Água não é apenas uma data para celebrar esse recurso vital, mas também para refletir sobre questões cruciais, como a importância do acesso à água para o pleno desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.

    A água é essencial para a vida. É um recurso fundamental para a saúde, a higiene, a produção de alimentos, a energia, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico. No entanto, apesar de ser abundante no planeta, milhões de pessoas, em especial crianças e adolescentes, ainda sofrem com a falta de acesso à água limpa e segura.

    O acesso à água no Brasil

    Segundo dados públicos compilados pela Fundação Abrinq na sua mais recente publicação, o Cenário da Infância e Adolescência 2024, o acesso à água no país é problemático e desigual. Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, a proporção da população excluída da rede de distribuição geral chegou a 40% e 25,3%, respectivamente, em 2021. É o equivalente a mais de 22 mil brasileiros sem esse direito básico.

    Por que a água é tão importante para as crianças?

    No total do país, são 15,8% das pessoas, cerca de 33 mil, sem acesso à água. A questão é um problema, pois a falta desse recurso pode acarretar a morte em muitos casos, principalmente quando se trata de crianças e adolescentes. Em 2022, foram 5,4 óbitos de pessoas com menos de 4 anos para cada 100 mil habitantes atribuídos a fontes de água inadequadas, saneamento inadequado e falta de higiene.

    Abaixo, estão explicadas com mais detalhes essa e outras razões pelas quais o acesso de crianças e adolescentes, e toda a população, à água deveria ser um tema prioritário para a sociedade. Confira:

    Saúde e bem-estar

    O acesso à água potável e saneamento básico é essencial para manter a saúde e prevenir doenças. Água contaminada é uma das principais causas de doenças como cólera, disenteria e febre tifoide, que afetam especialmente crianças e comunidades vulneráveis.

    Dignidade humana

    O acesso à água é essencial para garantir a dignidade humana. Ninguém deveria ser privado do direito básico de satisfazer suas necessidades mais básicas, como beber água potável, cozinhar alimentos e manter a higiene pessoal.

    Igualdade e justiça

    A falta de acesso à água muitas vezes afeta desproporcionalmente os mais pobres e marginalizados. Garantir o acesso equitativo à água é crucial para promover a igualdade e a justiça social.

    Desenvolvimento sustentável

    O acesso à água é um elemento essencial para o desenvolvimento sustentável. Água limpa e segura é necessária para a produção de alimentos, a geração de energia, a indústria e outros setores econômicos. Além disso, a gestão sustentável dos recursos hídricos é fundamental para preservar o meio ambiente e mitigar os impactos das mudanças climáticas.

    Paz e segurança

    A escassez de água pode levar a conflitos e instabilidade social. Garantir o acesso justo e sustentável à água pode contribuir para a prevenção de conflitos e para a construção de paz.

  • Como a mortalidade infantil pode ser evitada

    Como a mortalidade infantil pode ser evitada

    A mortalidade infantil voltou a crescer. É o que o dizem os dados públicos compilados pela Fundação Abrinq e divulgados na mais recente edição do Cenário da Infância e Adolescência no Brasil. A publicação é atualizada anualmente pela organização e tem o objetivo de fornecer insumos para que a sociedade fique a par da realidade das crianças e dos adolescentes no país.

    Acesse o Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2024 e saiba mais sobre o indicador da mortalidade infantil e outros!

    A taxa de mortalidade infantil vinha diminuindo progressivamente desde o início da série histórica, em 1990, atingindo seu valor mais baixo, de 11,5 óbitos a cada mil nascidos vivos, em 2020. No entanto, após esse ano, o indicador passou a crescer e chegou à marca de 12,6 em 2022, o que acende um sinal de alerta na sociedade.

    Como a mortalidade infantil pode ser evitada

    Para saber mais sobre a mortalidade infantil e o que fazer para que a taxa volte a diminuir, a Fundação Abrinq conversou com a dra. Renata D. Waksman, médica pediatra e presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Confira a entrevista abaixo:

    O que é a mortalidade infantil?

    Mortalidade Infantil refere-se ao número de óbitos de menores de um ano de idade, por mil nascidos vivos, em determinado espaço geográfico, no ano considerado. Se um bebê morrer antes dos 28 dias de idade, a morte também pode ser classificada como mortalidade neonatal.

    Quais são as principais causas da mortalidade infantil hoje?

    Dados da Fundação SEADE, de São Paulo, mostram que há maior risco de morte no primeiro ano de vida entre as crianças nascidas de mães com menos de 19 anos e com mais de 40 anos. Esse padrão pouco se alterou entre 2020 e 2022, apesar das variações nas idades extremas. Em 2021 houve aumento maior nas taxas para mães com mais de 45 anos, enquanto em 2022 esse indicador cresceu mais entre as mães jovens. Observa-se, ainda, redução na participação de nascimentos de mães jovens e aumento nas idades mais avançadas.

    As principais causas da mortalidade infantil englobam algumas afecções originadas no período perinatal, malformações congênitas, doenças infecciosas e parasitárias, doenças do aparelho respiratório e causas externas, que, em conjunto, concentraram cerca de 91% dos óbitos em 2020, 2021 e 2022. Essas causas de morte, com exceção das anomalias congênitas, registraram aumento em seus níveis de mortalidade. Vale destacar que as causas perinatais representaram cerca da metade dos óbitos de menores de um ano.

    Quais os principais fatores que ajudam na redução da mortalidade infantil?

    Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) em 2010, a mortalidade infantil poderia ser reduzida em mais de 70% com medidas preventivas como saneamento, educação, higiene, amamentação e intervenções simples, por exemplo, acesso a antibióticos, hidratação oral, uso de inseticidas e mosquiteiros.

    Algumas soluções que salvam vidas e reduzem a mortalidade infantil são: pessoas qualificadas nos atendimentos pré-natal, parto e pós-natal, aleitamento materno imediato e exclusivo, acesso da gestante à nutrição e micronutrientes, conhecimento da família sobre sinais de alerta à saúde da criança, melhor acesso à água, saneamento e higiene, vacinas (imunizações), atendimento pelo pediatra de puericultura e fornecimento de tratamento adequado para doenças infantis.

    Complementando a pergunta acima, como a disponibilidade aos cuidados de saúde materno-infantil impactam nesta redução?

    As necessidades básicas têm que ser contempladas: água potável, boas condições sanitárias, nutrição adequada, educação e planejamento familiar. As intervenções de saúde destinadas a prevenir o parto prematuro e a melhorar os cuidados pré-natais também podem melhorar as taxas de mortalidade infantil.

    O acesso aos cuidados pré-natais deve ser garantido e este deve ser adequado, além do apoio emocional à gestante na gravidez e puerpério, como planos de cuidados, ensino e aconselhamento, conforto e conversa.

    Outros fatores incluem escolaridade materna, presença no domicílio de rede de esgoto ou água, número de consultas no pré-natal, local do nascimento e vacinação das gestantes e crianças.

    Como a amamentação exclusiva também impacta na redução? E a vacinação?

    Evidências comprovam que a amamentação exclusiva reduz as chances de doenças infantis. Explicações para esta associação estão relacionadas ao conteúdo do leite humano, incluindo os nutrientes necessários para atender às necessidades do bebê nos primeiros meses de vida.

    O início da amamentação está significativamente associado à redução da probabilidade de mortes infantis. A amamentação exclusiva reduz as probabilidades de diarreia, infecção respiratória aguda e febre entre as crianças pequenas. Além disso, a amamentação também reduz a exposição a outros alimentos contaminados para garantir uma nutrição adequada ao bebê.

    A amamentação exclusiva protege crianças menores de 6 meses de doenças semelhantes à coqueluche e pode ser potencializada quando associada à vacinação materna.

    A vacinação no Brasil foi um dos principais motivos para a redução da mortalidade infantil no país. Em crianças menores de 5 anos, foi responsável pela acentuada queda nos casos e incidências das doenças imunopreveníveis, como as meningites por meningococo, difteria, tétano neonatal, entre outras.

    A vacinação reduz a mortalidade, além de aumentar a qualidade e a expectativa de vida em, pelo menos, 30 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), pois a vacina evita a doença e suas sequelas.

    A redução da cobertura vacinal é muito preocupante, uma vez que causa avanço de doenças já equacionadas e o ressurgimento de doenças erradicadas, provocando danos ou morte, especialmente em crianças.

    Quais as suas considerações finais sobre o assunto?

    Todas as crianças têm direito a sobreviver e a crescer saudáveis, tal como estabelecido na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança de 1989.

    Na Agenda 2030, as Nações Unidas também definem especificamente a redução da mortalidade materna e infantil como um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Até 2030, com a ajuda do ODS 3 – Saúde e Bem-estar, menos recém-nascidos e crianças morrerão de causas de morte evitáveis ou de doenças tratáveis, de modo que a sua esperança de vida global continue a aumentar.


    Para entender melhor os indicadores de mortalidade infantil, além de outros relacionados à realidade das crianças e dos adolescentes no país, não deixe de acessar o Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2024.

  • A importância das creches para o desenvolvimento das crianças

    A importância das creches para o desenvolvimento das crianças

    As creches desempenham um papel crucial no desenvolvimento das crianças nos aspectos cognitivo, emocional, social e físico, moldando suas jornadas desde cedo. Para compreender mais a fundo o assunto, a Fundação Abrinq conversou com Letícia Nascimento, professora doutora pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora dos campos da Educação Infantil, com destaque à creche, e da sociologia da infância.

    As creches como estímulo a habilidades essenciais

    Em primeiro lugar, a professora destaca a importância das creches como espaços de aprendizado e cuidado, fundamentais na formação das crianças. “É um espaço de educação e cuidado das crianças pequenas e constitui, junto com a pré-escola, a primeira etapa da educação básica”, explica.

    Já no que tange ao desenvolvimento cognitivo, as creches oferecem estímulos e oportunidades de aprendizado que contribuem para a construção do conhecimento infantil. A pesquisadora conta que, por meio de atividades lúdicas e interativas, as crianças exploram o mundo ao seu redor, desenvolvendo habilidades de observação, raciocínio e resolução de problemas.

    Além disso, as creches proporcionam um ambiente propício para o desenvolvimento emocional das crianças. Ao interagirem com seus pares e educadores, elas aprendem a expressar emoções, a lidar com conflitos e a desenvolver empatia, habilidades fundamentais para a sua saúde emocional ao longo da vida.

    A importância das creches para o desenvolvimento das crianças

    Quando se olha pelo âmbito social, as creches desempenham um papel crucial na formação de vínculos e na socialização dos pequenos. “É espaço de convivência coletiva, com outras crianças da mesma idade e de idades diferentes, em ambientes organizados para ações e atividades diferentes daquelas vividas em casa, com adultos que têm uma intencionalidade na organização, inclusive do tempo e espaço, para a exploração do mundo”, destaca Letícia.

    As creches também representam um importante apoio à conciliação entre trabalho e vida familiar. “Para as famílias, é um lugar seguro para deixar suas crianças”, ressalta a professora. Ao contar com um local confiável para deixar seus filhos, os pais podem se dedicar às suas atividades profissionais com tranquilidade, sabendo que eles estão bem cuidados e em um ambiente estimulante.

    Desafios enfrentados pelos profissionais das creches

    Entretanto, os educadores de creche enfrentam diversos empecilhos no exercício de suas funções. “Os desafios enfrentados pelos educadores passam principalmente pela aparente desvalorização de seu trabalho. Apesar da pesquisa e da legislação, as crianças pequenas e, portanto, as creches, são objeto da opinião de todos, isto é, há diferentes ‘palpites’ revestidos de conhecimento sobre o assunto”, aponta a pesquisadora. A falta de reconhecimento profissional, aliada a condições de trabalho precárias, representa um obstáculo significativo para esses profissionais.

    Apesar dos desafios, evidências e pesquisas sustentam a importância das creches no desenvolvimento infantil. “A pequena infância é muito mais complexa do que imagina o senso comum”, ressalta Letícia. Segundo ela, há vários estudos nacionais e internacionais que destacam o papel das creches como espaços fundamentais para que as crianças vivenciem suas infâncias, desenvolvam culturas infantis e se apropriem do mundo ao seu redor.

    O apoio às creches dado pela Fundação Abrinq

    As creches desempenham um papel essencial na formação das crianças, promovendo seu desenvolvimento em múltiplos aspectos e oferecendo suporte às famílias. Dessa forma, reconhecer e valorizar o trabalho dos educadores de creche é fundamental para garantir que essas instituições continuem a cumprir sua importante missão na sociedade.

    Sabendo disso, a Fundação Abrinq conta com o Programa Creche para Todas as Crianças, por meio do qual aumenta o acesso e assessora a melhoria da qualidade do atendimento em unidades de educação infantil, tendo em vista o desenvolvimento das crianças.

    Em 2024, com o apoio da Fundação Salvador Arena, a Fundação Abrinq reformará 20 creches nas regiões Norte e Nordeste do país, bem como realizará formações com os educadores, para que a qualidade do atendimento às crianças aumente. Será investido mais de R$ 1,2 milhão na iniciativa.

    As creches interessadas em receber o benefício deverão ler o edital e se inscrever pelo site até às 8h59 do dia 11 de março de 2024.

    A sua ajuda é extremamente necessária para que ações como essa aconteçam. Torne-se um doador e transforme a vida de uma criança!

  • Cyberbullying: qual o impacto na vida das crianças?

    Cyberbullying: qual o impacto na vida das crianças?

    Apesar de o avanço tecnológico ter trazido consigo uma série de benefícios, também trouxe desafios significativos, especialmente no que diz respeito à segurança e ao bem-estar das crianças e dos adolescentes. Um desses desafios é o chamado cyberbullying, uma forma de violência que se manifesta no ambiente digital e que pode ter consequências devastadoras para as vítimas.

    Para compreender melhor esse fenômeno e suas implicações, a Fundação Abrinq conversou com Mônica Garbin, pedagoga doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professora na Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e pesquisadora sobre didática, tecnologias educacionais, formação de professores e metodologias de ensino.

    O que é cyberbullying e como identificar

    “O cyberbullying é um tipo de violência praticada na internet, podendo ser realizada usando plataformas que permitem algum tipo de interação entre os participantes. Assim, acontecem por meio de plataformas de mensagens e de jogos, bem como nas mídias sociais”, explica Mônica.

    Segundo a pesquisadora, a prática pode se manifestar de várias formas, como o compartilhamento de fotos constrangedoras, a disseminação de mentiras para humilhar alguém, o envio de mensagens ameaçadoras ou humilhantes, entre outros comportamentos nocivos.

    Cyberbullying: qual o impacto na vida das crianças?

    Identificar se uma criança ou um adolescente está sendo vítima de cyberbullying nem sempre é fácil, mas existem sinais de alerta aos quais os pais e educadores devem estar atentos. Isolamento social, desânimo constante, irritabilidade, depressão, entre outros, podem indicar que algo está errado, destaca a pedagoga.

    O impacto do cyberbullying e o papel dos pais

    A professora ressalta que o impacto psicológico do cyberbullying nas vítimas é profundo, podendo resultar em dificuldades de relacionamento, baixa autoestima e até mesmo levar a casos extremos como a síndrome do pânico e o suicídio.

    O ambiente escolar não escapa das consequências do cyberbullying. Segundo Mônica, as vítimas podem apresentar dificuldades na socialização, medo de retaliação dos colegas e até mesmo fingir sintomas físicos que os impeçam de frequentar a escola. Ela explica que isso pode resultar em desmotivação e queda no desempenho acadêmico, prejudicando o processo de aprendizagem.

    De acordo com a pedagoga, para combater o cyberbullying, é fundamental que pais e responsáveis criem um ambiente de confiança com as crianças e os adolescentes, incentivando a comunicação aberta sobre suas experiências online. “O ideal é que acompanhem e saibam os canais usados pelas crianças e pelos adolescentes, criando filtros para evitar que acessem conteúdos perigosos”, complementa a pesquisadora.

    O outro lado do cyberbullying

    Embora seja importante proteger as vítimas, Mônica ressalta que também é essencial prestar atenção nos agressores. A pedagoga enfatiza que marginalizá-los não é a solução: “É preciso fazer com que ocorra o seu envolvimento social de maneira positiva, buscando sua empatia e sensibilidade”.

    O cyberbullying representa um sério desafio para pais, educadores e a sociedade como um todo. É crucial estar atento aos sinais, promover a comunicação aberta e criar ambientes seguros tanto nas escolas quanto em casa. Somente assim será possível proteger as crianças e os adolescentes dos perigos do mundo digital.