Entre arte, educação e comunidades, coletivos do Amazonas integram o Projeto Coletivos Periféricos

Entre arte, educação e capoeira, coletivos do Amazonas integram o Projeto Coletivos Periféricos

Em Manaus e em municípios do entorno, iniciativas culturais e comunitárias ocupam espaços diversos, articulando educação, arte, memória e organização social a partir das realidades locais. No ciclo 5 do Projeto Coletivos Periféricos, cinco coletivos do Amazonas passaram a integrar essa rede, com atuações que atravessam desde territórios urbanos até comunidades indígenas e municípios da região metropolitana.

As iniciativas selecionadas desenvolvem atividades contínuas com crianças e adolescentes, combinando práticas educativas, culturais e de mobilização social. Em comum, os grupos partem do cotidiano dos territórios onde atuam, propondo ações que dialogam com temas como meio ambiente, identidade, direitos, cultura popular e inclusão.

Ao longo do ciclo, os coletivos contam com o apoio da Fundação Abrinq, por meio de acompanhamento técnico, apoio financeiro e espaços de formação e troca com outras iniciativas do país.

Conheça os coletivos

Centro Cultural Zé Amador

Zé amador

Localizado no município de Presidente Figueiredo – AM, o Centro Cultural Zé Amador ocupa um espaço que antes se encontrava degradado e hoje funciona como ponto de cultura e biblioteca aberta à comunidade. O local se consolidou como ponto de encontro para estudantes e moradores, com atividades regulares ao longo da semana e programações que incluem oficinas e sessões de cineclube no período noturno.

Entre as ações desenvolvidas estão oficinas de leitura, audiovisual, pintura, artesanato e formação de jovens comunicadores, além de atividades voltadas ao meio ambiente e aos direitos humanos. As oficinas acontecem semanalmente e atendem principalmente crianças e adolescentes, que também contam com a oferta de lanches durante os encontros.

Mesmo com uma estrutura ativa e uso contínuo do espaço, o coletivo enfrenta desafios relacionados à manutenção das atividades e à ampliação de sua infraestrutura. Entre as prioridades está a criação de um laboratório de informática, pensado como resposta à demanda de crianças e pré-adolescentes por acesso às ferramentas digitais e novas formas de aprendizado.

Coletivo Manacá

Coletivo Manacá

Com atuação no município de Manacapuru, o Coletivo Manacá desenvolve ações voltadas à prevenção de violências contra crianças e adolescentes em bairros periféricos da cidade. As atividades acontecem quinzenalmente e incluem palestras, rodas de conversa, ações lúdicas e iniciativas educativas que buscam envolver tanto o público infantojuvenil quanto suas famílias.
O coletivo atende cerca de 200 crianças e adolescentes de diferentes faixas etárias, incluindo a primeira infância. As ações são estruturadas para estimular a participação ativa das crianças, promovendo espaços de escuta, convivência e troca, além de ampliar o acesso à informação sobre direitos e proteção.

Além das atividades formativas, o grupo também realiza ações sociais, como distribuição de alimentos e apoio a famílias, integrando diferentes estratégias de cuidado no território. O trabalho parte da realidade local e busca mobilizar a comunidade em torno da proteção e do desenvolvimento das crianças e adolescentes.

“Aqui, nós fazemos um trabalho com crianças e adolescentes, fazendo atividades sobre abuso e proteção, com foco na prevenção. Neste ano, fizemos uma parceria com a Fundação Abrinq, que vem contribuir muito com o nosso trabalho e o desenvolvimento da vida dessas crianças. Agradecemos de coração”.

Professora Claudia Baré, representante do Coletivo Manacá.

Associação Indígena Karapãna – ASSIKA

Coletivo Assika

Na região do Parque das Tribos, em Manaus, a Associação Indígena Karapãna (ASSIKA) desenvolve atividades diárias voltadas à educação escolar indígena e à valorização da cultura e da língua materna. O coletivo atende crianças e adolescentes, promovendo práticas que integram aprendizagem, expressão cultural e convivência comunitária.

As ações incluem leitura de contos e lendas indígenas, rodas de conversa, atividades de grafismo corporal, produção artística, danças e brincadeiras tradicionais. Também fazem parte da rotina atividades de pesquisa, uso de materiais naturais e encontros com membros de diferentes comunidades, ampliando o contato com saberes e experiências diversas.

O espaço oferece alimentação ao longo do dia, acompanhando a permanência dos participantes nas atividades. Entre os desafios enfrentados está a necessidade de recursos para manter a estrutura em funcionamento contínuo, garantindo a realização das ações e a continuidade das práticas culturais no território.

“É uma alegria receber a equipe da Fundação Abrinq em nosso espaço. Desde 2015, trabalhamos com crianças de diversas etnias aqui no Parque das Tribos, e essa contribuição é de suma importância para que possamos continuar com o nosso trabalho de fortalecimento da cultura indígena e alfabetização. Como pedagogos indígenas, agradecemos imensamente por termos sido contemplados com esse apoio e esperamos que essa parceria continue por longas datas”.

Alcimara Brito, representante da Associação Indígena Karapãna.

Coletivo Pererê

Coletivo Pererê

Criado em 2023, o Coletivo Pererê atua na Zona Norte de Manaus, no bairro Colônia Santo Antônio, com ações que articulam cultura amazônica, arte urbana, educação comunitária e meio ambiente. Formado por artistas, educadores e produtores culturais, o grupo desenvolve projetos que conectam saberes tradicionais e expressões contemporâneas.

Entre as iniciativas estão atividades de música, literatura, grafite, contação de histórias e oficinas criativas, além de ações voltadas à conscientização ambiental e à memória do território. Os encontros acontecem semanalmente e incluem também a oferta de lanches, contribuindo para a permanência das crianças e adolescentes nas atividades.

A atuação do coletivo se dá em um território marcado por desafios como falta de infraestrutura, enchentes e vulnerabilidades sociais. Nesse contexto, as ações buscam criar espaços de convivência e experimentação, conectando cultura, educação e questões ambientais presentes no cotidiano da comunidade.

Associação de Capoeira Arte Revelação

arte

A Associação de Capoeira Arte Revelação atua em diferentes zonas de Manaus, com atividades distribuídas em núcleos localizados em bairros como Compensa, João Paulo e Viver Melhor. O coletivo reúne cerca de 90 participantes, entre adolescentes, jovens e adultos, com encontros regulares que utilizam a capoeira como eixo de formação cultural e cidadã.

As ações envolvem não apenas a prática da capoeira, mas também discussões sobre identidade, cultura negra e indígena e desenvolvimento comunitário. As atividades incluem ainda a oferta de alimentação produzida em parceria com iniciativas locais, integrando aspectos de cuidado e convivência.

Além das atividades contínuas, o coletivo organiza eventos de grande mobilização, como a caminhada de conscientização racial realizada anualmente, que reúne milhares de pessoas. A atuação se dá em territórios com acesso limitado a políticas públicas, o que impacta diretamente na continuidade e ampliação das ações desenvolvidas.

“Em 4 anos aqui eu tive e tenho uma experiência muito boa. Eu faço capoeira pois eu gosto de estar aqui, me sinto bem e eles me acolhem toda vez que estou triste ou tenho um problema. Mas com certeza são mais momentos felizes do que tristes. E é isso, eu gosto muito de estar aqui. Eles são minha segunda família”.

Ayla, adolescente integrante da Associação de Capoeira Arte Revelação.

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